Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

Por Kledir Salgado
Designer de moda com Mestrado em Têxtil e Moda pela USP


Uma marca de moda cria sua identidade através de elementos de estilos, sendo a cor uma delas. Ter uma cor característica que auxilia na identificação instantânea da marca é uma estratégia de muitas marcas.

A Dior tem uma relação intensa com o vermelho. A fixação pelo tom começou pelo batom Rouge Dior, lançado em 1953, depois passou a ser marca dos vestidos de alta-costura da casa de moda. O vermelho tem muitos nomes na casa de moda Dior como: scream, satan, 7, 9 e 999. Estes nomes sugerem características que acompanha a cor vermelha como o fetiche e a superstição. Hoje, são mais 1500 nuances que povoam o universo da marca e Raf Simons continua apostando no poder do rouge como estratégia discursiva do discurso vestimentar de seus desfiles de alta-costura e a despertar desejo.

Propaganda do batom rouge Dior e vestido de alta-costura Dior vermelho/Reprodução


A casa de moda Valentino utiliza uma estratégia semelhante em busca da feminilidade e do romantismo, onde o vermelho Valentino já se tornou tradição e está sempre associado a marca.

Vestidos alta-costura Valentino/Reprodução


É crucial entender a linguagem da cor no design, pois damos às cores significados subjetivos e simbólicos e associamos às nossas características individuais. Certos designers são conhecidos pela forma como usam as cores.

As casas de alta-moda japonesas que se instalaram em Paris, como a Comme dês Garçons e Yohji Yamamoto, costumam utilizar cores escuras diluídas em cartelas, os chamados “os quase pretos” - que na verdade tem o caminho contrário dos tons pastéis que são cores suavizadas com brancos. A estratégia das casas de alta-moda japonesas é utilizar estas cores para gerar certa subversão através da construção inversa do tom pastel que gera calma e harmonia. A cor para estes criadores japoneses é acrescida de preto criando uma cartela singular.

Comme dês garçons, verão 2009.


Já a Chanel articula-se no uso do preto e do branco e das tonalidades e subtonalidades com os graus de saturação da cor e suas nuances. As roupas são apresentadas nos tons bege, azul marinho, branco ou preto. Os acessórios contam com o ouro dos cintos e dos broches, o cinza das pérolas, o brilho dos diamantes, a cor forte e a vida da pedraria.

Estas cores (bege, azul, marinho, branco e preto) são tão básicas que nunca saem de moda e são muito utilizadas no mercado por serem cores que transitam entre ambientes e ocasiões diferentes, como trabalho, festas, esportes, dentre outros. São cores oriundas do guarda-roupa masculino e são seguras e sofisticadas.

Referência:
Revista Marie Claire, abril de 2014, número 277, p.30.

Por Kledir Salgado
Designer de moda com Mestrado em Têxtil e Moda pela USP

Exibições: 909

Responder esta

Respostas a este tópico

Falei sobre isso estacsemana em sala de aula. Coisa boa, vou repassar para alunos.

   Estas cores (bege, azul, marinho, branco e preto) são tão básicas que nunca saem de moda.

Responder à discussão

RSS

© 2020   Criado por Textile Industry.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço