Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Marcelo V. Prado

Um dia desses, em um encontro com colegas economistas, um deles me perguntou se eu continuava a pesquisar a “velha” indústria têxtil… É bom ressaltar que quando um economista com mestrado e doutorado denomina um segmento industrial de “velho”, ele não está querendo ser amável, na verdade ele está querendo atribuir a ele propriedades do tipo: “superado”, “sem futuro”, “inviável” e daí por diante.

Independentemente da resposta que dei ao meu amigo, pessoa a quem muito prezo, acho oportuno dividir com vocês, caros leitores, o meu pensamento sobre a “velha” indústria têxtil, que tantos costumam qualificar como um segmento pouco atrativo aos investidores, em especial quando comparada a segmentos mais novos da nossa indústria, mesmo após ter quadruplicado a sua produtividade industrial nos últimos 20 anos, às custas de pesados investimentos em equipamentos, processos e produtos.

Após vinte anos estudando este setor, posso afirmar que ainda está por nascer o “visionário” que irá prever quando o ser humano não mais precisará dos produtos têxteis e confeccionados para sobreviver em nosso planeta. E esse fato, por si só, garante ao setor têxtil, do Brasil e de qualquer lugar do mundo, uma vida muito longa.

Não há dúvidas que as indústrias de “nova tecnologia”, como as que surgiram dentro dos setores eletroeletrônicos, informática, comunicação, entre outros, são, sem sombra de dúvida, as mais desejadas para o portfólio de qualquer fundo de investimento. Afinal, estas empresas oferecem no início de seu desenvolvimento um ritmo acelerado de crescimento e possibilidades de ganhos de capital bem mais atrativos do que os normalmente apresentados pelos setores mais tradicionais.

Não podemos nos esquecer, porém, que na maioria dos casos, após os primeiros anos de desenvolvimento, os produtos e serviços oferecidos por estas novas indústrias, tendem a se tornar altamente desejados, para em seguida virarem commodities e depois desaparecerem, ou ao menos, deixarem de serem desejados e rentáveis. Muitos deles caindo na vala comum da concorrência com produtos sem marca, made in China. O ciclo destas novas indústrias tem durado, muitas vezes, menos que 10 anos, até começarem a ser substituídos, ou simplesmente descartados pelo mercado.

Querem alguns exemplos de “febres” de consumo já devidamente curadas? Que tal lembrarmos do walkman, do vídeo-cassete, ou mesmo do atual DVD, encontrado no varejo hoje por menos de R$ 100,00. O que falar do FAX, ou mesmo das TVs de Plasma, que perderam para as de LCD, já substituídas pelas de LED. Mudam-se os produtos, com eles o comportamento de compra dos consumidores, muitas marcas antes desejadas são esquecidas e as empresas que não conseguiram acompanhar as mudanças, desaparecem sem deixar saudades.

Mesmo assim, caros leitores, mesmo com o avanço implacável das novas tecnologias, ainda não consigo enxergar o dia em que uma inovadora coleção de roupas, assinada por um estilista reconhecido, ou por uma grande marca, chegue ao ponto-de-venda sem causar aquele tradicional frisson, com filas de compradores dispostos a pagar valores exorbitantes para serem os primeiros a nova tendência da moda.

Da mesma forma, olhando para o grande mercado de massa, não consigo enxergar o dia em que o inverno chegará e a tradicional “Campanha do Agasalho” terá sido substituída por algo futurista do tipo “doe uma cartela de pílulas do aquecimento a quem tem frio”. Ou, ao invés de acordarmos de manhã e preguiçosamente nos prepararmos para escolher a roupa que iremos vestir no dia, simplesmente nos enfiaremos em um modelito do tipo “Pele Artificial Protetora – Modelo Casual – Versão 4.0”… Mesmo nos mais premiados e famosos filmes de ficção norte-americanos, ambientados anos-luz do nosso tempo, os personagens que neles aparecem estão sempre muito bem vestidos, em roupas cheias de design e “sex appeal”.

Para mim, o segredo da longevidade da indústria têxtil e confeccionista, que se confunde com a própria história da indústria mundial, reside na sua capacidade de se renovar continuadamente, inserindo em seus produtos tudo o que há de mais moderno no campo da ciência e do design; agregando propriedades e diferenciais inovadores, de grande atratividade. Prova disso é que o setor têxtil é um dos poucos que já oferecem aos seus consumidores, produtos que incorporam soluções baseadas na nanotecnologia. Esta habilidade que o segmento sempre demonstrou, é também o diferencial que o levará tão longe quanto preveem os nossos autores de ficção.

No Brasil são 30 mil indústrias, que ocupam 1,7 milhões de pessoas (ou melhor, famílias), disputando um mercado que movimenta mais de R$ 145 bilhões no varejo.

Quando dizem que o Brasil está a “pleno emprego”, me pergunto onde se enquadram os 16 milhões de pessoas que vivem neste país, na mais irrestrita pobreza (segundo dados divulgados pelo IBGE). Em minha opinião, o que falta para absorvê-las no mercado de trabalho é criar um ambiente de produção favorável às cadeias produtivas intensivas em mão de obra, como é o caso do setor têxtil e de confecção.

As oportunidades estão aí e não acho que estejamos em condições de desperdiçá-las.

Não consigo ver o futuro sem um produto têxtil, não consigo imaginar o Brasil sem uma indústria têxtil de primeiro mundo. Posso lhes garantir, a moda é acima de tudo um grande negócio… E cabe a nós, que atuamos no segmento, e a nossos governantes que têm o poder de interferir no ambiente de produção do país, tratá-la como tal.

Fonte:|http://www.iemi.com.br/2012/03/29/noticias-a-industria-textil-tem-f...

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  Quando acabarem as indústrias têxteis, andaremos nús como  os indios na época do descobrimento do Brasil, será o maior barato.

   Abraços Romildo.

 Bom dia Romildo.

 não andaremos nu , fabricaremos nossas vestes como nossos ancentrais ,( manualmente ).

 

   sds Ronald

Inovação é o que não falta na nossa indústria, apesar da concorrência desleal somos criativos e como brasileiros, não desistimos nunca e Deus é conosco.

 Otimo texto !!! Exageros à parte, nos ultimos meses recebemos e discutimos varios textos sobre a situação da industria textil nacional, e por parecer que ja discutimos muito, na verdade penso que deveriamos discutir muito mais. Precisamos falar da industria textil no passado, no presente e para onde pretendemos leva-la. Há que se discutir os meios que precisaremos para leva-la ao futuro brilhante e competitivo. Paises do oriente emitem sinais de que seu sistema de produção atual deverá ser modificado. Devemos então estarmos preparados para assumir nosso espaço no mercado mundial. Industria nos temos, materia prima idem, mão obra idem, criatividade idem, então falta-nos apenas COMPETITIVIDADE !!!!  Acredito nisso, acredito em nosso potencial, então AVANTE AMIGOS, "simbora" darmos uma guinada para um futuro melhor !!!!

Amigos!, O ser humano precisa de vestimenta sem duvida, mas na situaçao atual do Brasil, vamos chegar ao ponto de nao termos condiçoes de fabricar, porque as nossas empresas estao em dificuldade, devida a falta de mao de obra e alta tributaçao, falo isso como confeccionista, onde encontrar costureiras, a nao ser que se pague um salario acima de R$ 2.000,00. e como colocar isso ao custo?, como vender o nosso produto com um custo tao alto?.

É amigos!, estamos lutando, só o nossos governantes nao enxergam o que pode acontecer com o Brasil dentro de poucos anos, com a entrada de mercadorias ao preço tao baixo, vamos vamos fechar e nao haverá mais confecçoes para cobrir os nossos corpos e andaremos nus como no principio.

 

 

Eu vejo exatamente da mesma forma e seu artigo me acalorou bastante. Se houver união a coisa melhora, o governo desde o Brasil colônia pouco fez para o nosso desenvolvimento e mesmo assim existimos. Adorei o artigo, parabéns!

Apesar do Governo não nos ajudar em quase nada, somos Brasileiros e não desistimos nunca.Muito bom o Artigo

O artigo é muito bom e otimista sobre todos os aspectos. Quanto ao amigo que escreveu que falta mão de obra, discordo completamente. Está no artigo.  São mais de 16 milhões de pessoas que vivem na extrema miséria. O que falta é o empresário se conscientizar que ele também é responsável pela preparação de sua mão de obra. Não somos máquinas que se adquire no mercado e colocamos para funcionar. Mesmo assim, temos que fazer uma regulagem, uma lubrificação, um amaciamento etc, para iniciar com seu processo produtivo. Mão de obra, a gente faz e temos profissionais preparados para fazê-la e treiná-la adequadamente, para produzir com produtividade e qualidade. Basta investirmos também na sua mão de obra como se investe nos demais insumos do custo, oferecendo-lhe treinamento e capacitação operacional sempre continuadamente, de acordo com as suas necessidades. Desde que iniciei na industria têxtil há 46 anos passados, defendo e ajudei a criar Centros de Treinamento em todas as industrias têxteis onde trabalhei, principalmente  em tecelagem e confecção, onde a incidência e a necessidade são sempre maiores (tecelões e costureiras). 

O BRASIL não conhece o BRASIL,sera que ABIT sabe quantas empresas foram criadas apos a liberação das importações.

As importações democratizaram  a oferta de materia prima,hoje nenhuma empresa fica parada por falta desta

e pagando um preço justo.

Só temos que organizar está situação.Criar "FEUDOS NUNCA".

Acreditar, lutar e insitir.

O Caminho se faz caminhando!

Tu não falou do desejo da individualização e do Ego que sustenta também a industria da moda, a eterna industria da moda...

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