Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Abertura unilateral seria 'desastrosa' e geraria desemprego, diz indústria

Entidades setoriais mostraram preocupação com proposta do governo para reduzir a tarifa de importação de produtos industriais de 13,6% para 6,4% Entidades empresariais da indústria se manifestaram nesta terça-feira com preocupação sobre os possíveis impactos da proposta do governo de promover um corte unilateral das tarifas de importação nos próximos quatro anos. Setores como químico e têxtil expressaram temor de fechamento de fábricas e perda de empregos.

Conforme o Valor reportou nesta terça-feira, o plano de abertura da economia desenhado pelo governo prevê um corte unilateral das alíquotas de importação sobre produtos industriais de 13,6% para 6,4%, na média, em quatro anos. O Valor teve acesso à simulação feita pelo governo brasileiro e compartilhada com os demais sócios do Mercosul para reduzir a Tarifa Externa Comum (TEC).

Abertura final — Foto: Arte/Valor

Abertura final

Arte/Valor

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) avalia que uma redução da alíquota de importação do setor de 35% para 12%, como planejada pelo governo, teria impacto “desastroso”. Segundo a entidade, a incerteza gerada por esse tipo de notícia inibe investimentos e a geração de empregos que ajudariam a economia a sair mais rapidamente da recessão.

O impacto seria desastroso. É muito mais fácil reduzir a tarifa, do que corrigir as distorções que a economia brasileira apresenta

Segundo o executivo, o Brasil precisa de fato se internacionalizar, após ter passado muito tempo afastado dos outros países. “Temos que fazer acordos, concomitantemente com medidas de redução do custo Brasil”, defende.

Para a indústria siderúrgica, há uma “defasagem” entre o que é colocado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e o secretário de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo. “O ministro defende a abertura econômica, mas reconhece que isso tem que ser feito de maneira gradual de forma a corrigir as assimetrias que existem no mercado brasileiro. E isso não acontece na secretaria de Comércio Exterior”, afirmou Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil (IABR), Marco Polo de Mello Lopes.

A abertura comercial pode ser benéfica, desde que se resolva essas assimetrias que tiram a competitividade

Já o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) defende uma abertura comercial baseada em três princípios: horizontalidade, gradualidade e transparência. Para a entidade, uma abertura baseada em acordos comerciais seria mais adequada do que o modelo unilateral proposto pelo governo, além de abrir mercados para empresas brasileiras no exterior.

A posição do Iedi é de que essa é uma estratégia muito arriscada que pode se provar equivocada

Para Cagnin, a possibilidade de o Mercosul regredir de união aduaneira para zona de livre-comércio, caso a Argentina não aceite a redução da Tarifa Externa Comum (TEC), seria uma regressão do país em seu processo de integração internacional.

Rafael Cagnin, do Iedi, abertura baseada em acordos comerciais seria mais adequada do que modelo do governo

Silvia Costanti/Valor

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê perda de capacidade de barganha em acordos comerciais futuros. Segundo a entidade, um estudo ainda inédito, contratado junto ao Centro de Estudos de Política da Universidade de Victoria (Austrália), mostra que um “corte abrupto de 50% reduzirá o PIB de pelo menos 10 dos 23 setores industriais até 2022, prejudicando a retomada do crescimento”. A universidade citada é referência em estudos econométricos relacionados ao comércio internacional.

A decisão aumenta a insegurança jurídica e reduz o horizonte de novos investimentos e novas vagas

Para Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o corte de 14% para 4% na tarifa de importação dos bens do setor, em um período de quatro anos, será uma pancada forte na indústria. Ele defende, com base em estudos realizados, um período de ao menos oito anos, que tem mais previsibilidade e dá tempo para adaptações das empresas fabricantes no setor ampliado — bens de capital (BK) e informática e telecomunicações (BIT).

Com uma abertura unilateral, com esse corte e no prazo de quatro anos, vão desaparecer 20% das empresas e 100 mil empregos, no mínimo

Uma abertura unilateral da economia brasileira terá impacto negativo na indústria química nacional e empresas que já enfrentam a forte concorrência de importados poderão não resistir, na avaliação da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). A entidade convocou uma reunião para discutir o tema nesta quinta-feira.

No caso de haver uma abertura unilateral, do Brasil ou do Mercosul, seria preciso uma contrapartida por parte do Estado

As montadoras defendem o avanço da redução dos custos de produção no Brasil. Se a abertura for feita de maneira apressada, poderá haver danos em termos de investimento e empregos, avalia a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O setor tem se reunido periodicamente com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe, para discutir melhorias no ambiente de negócios.

“Se fala em ‘choque’ de tarifas. O mesmo planejamento de choque precisa ser feito para redução do custo Brasil

A indústria de calçados afirmou que o governo assegurou uma abertura de maneira gradual e acompanhada por uma diminuição equivalente do custo Brasil. Caso contrário, o resultado seria a destruição do setor, avalia a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Questionado se acredita ser viável uma redução do custo Brasil equivalente à diminuição da tarifa de 35% para 15% em quatro anos, o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira, foi cauteloso. “A redução do custo Brasil em 20 pontos percentuais é bastante difícil de conseguir fazer”, admite.

Se conseguir baixar 10 pontos percentuais do custo Brasil, infelizmente, não vai ser possível reduzir em 20 pontos a tarifa de importação

Corte em tarifas de importação é "hipótese" para "fins de discussão", afirma Troyjo

https://br.financas.yahoo.com/noticias/para-ind%C3%BAstria-t%C3%AAx...

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A abertura é inevitável. Mas tem que ser gradual e transparente como citado. Nos exemplos do artigo, nota-se que as tarifas de importação são altas nos paises não produtores daquele produto, evitando concorrência predatória aos produtos locais.

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