Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

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ABNT propõe nova norma para o tamanhos de roupa: O que muda nas lojas?

Medida visa padronizar o tamanho das roupas femininas no país - iStock
Medida visa padronizar o tamanho das roupas femininas no paísImagem: iStock

Quem nunca saiu do provador de uma loja surpresa por não conseguir usar uma peça exatamente do número ao qual está acostumada por ela ficar grande ou pequena demais? É na tentativa de evitar essa disparidade entre as confecções que a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) trabalha pela aprovação da norma NBR 16933, que visa padronizar os tamanhos de roupas femininas no país.

Para chegar a um consenso sobre as medidas, o Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário utilizou como base principal a pesquisa "Size BR", conduzida entre 2006 e 2015 pelo Senai Cetiqt, além de contar com a participação do Senac, de modelistas e de representantes de magazines.

A estimativa do órgão é de que a norma passe a valer a partir de dezembro, após passar pela segunda consulta pública. "Nosso objetivo é que, daqui a alguns anos, ninguém mais diga que usa 'tamanho 42', mas, sim, os seus centímetros da cintura e do busto", explica Maria Adelina, gestora do comitê.

Ela ressalta, no entanto, que as confecções têm liberdade para adotar ou não a tabela de medidas. "Ao nosso ver, aquelas que adotarem serão beneficiadas por atender melhor às necessidades dos consumidores. Mas não existe nenhuma lei em vigor que as obrigue a fazer isso", aponta.

Uma questão antiga

Há tempos a ABNT tenta implementar uma padronização dos tamanhos no vestuário feminino sem sucesso.

A última norma relativa à questão foi aprovada em 1995 e deixou de valer em 2012, por ter as medidas bastante simplificadas. "Historicamente a numeração que conhecemos hoje no Brasil representava a medida da peça planificada. Por exemplo, para etiquetar uma calça, era preciso colocá-la sob uma superfície plana e medir o cós. Nessa lógica, uma peça de tamanho 40 seria voltada para alguém com 80 cm de cintura", diz.

O método se tornou ultrapassado em função dos modelos e tecidos que surgiram ao longo do tempo. "Ele não leva em conta as peças com elasticidade e nem o fato de que, a partir da década de 90, muitas calças deixaram de ter a cintura alta e passaram a ser medidas na altura do osso da bacia", observa. Ao longo do tempo, o órgão procurou estabelecer um novo sistema de padronização, mas não conseguiu, pela falta de consenso entre as partes envolvidas.

Atualmente somente os vestuários infantil e masculino têm as normas bem definidas. "Infelizmente algumas marcas se aproveitam dessa liberdade para atuar no estilo 'me engana que eu gosto', associando padrões mais largos a numerações menores. Com isso, a consumidora tem a sensação de que aquela loja, sim, entende seu corpo", comenta.

Para que o processo tivesse andamento, a tecnologia foi importante. Na pesquisa conduzida pelo Senai Cetiqt, além das pesquisas teóricas, também foi feita a medição através de um aparelho capaz de escanear o corpo humano com precisão em 3D, chamado de Body Scanner.

Brasileiras têm corpo retangular, não "de violão"

Ao contrário do que o senso comum imagina, a maioria das mulheres brasileiras não se encaixa no corpo em formato de ampulheta ou "violão", mas, sim, na categoria retangular.

"Para o estabelecimento da norma, levamos em conta que 80% da população feminina tem o corpo do tipo 'retângulo'. Para algumas pessoas, esse formato remete à figura de uma caixa ou geladeira, mas não significa isso. Todos os corpos têm uma concavidade na altura da cintura, porém, nos corpos retangulares ela não é extremamente acentuada", detalha. Ou seja: esse biótipo tem os perímetros do tórax e do quadril com medidas similares e uma cintura proporcional.

O que muda nas lojas?

O Inmetro, órgão que regulamenta e fiscaliza a etiquetagem, estabelece apenas que as marcas devem colocar um tamanho nas peças, mas não especifica como. Logo, mesmo depois de a norma começar a valer, elas são livres para usarem as tabelas de medidas que mais se adequarem ao seu modelo de negócio. Na visão de Maria Adelina, no entanto, quem aderir à norma vai oferecer um serviço de mais qualidade ao consumidor final.

"Além de se basear em proporções mais adequadas no momento da confecção, em vez de informarem nas etiquetas simplesmente a letra 'M', por exemplo, elas poderão incluir para quais tamanhos de cintura e busto aquelas peças são adequadas. Essa é a grande transparência, que tira da mulher o pensamento de ficar se condenando pelo tamanho da roupa", aponta.

Marcas apoiam a padronização

Maria Adelina relembra que grandes redes de lojas participaram da análise da norma e, por isso, muitas estão de acordo com a novidade. Procurada por Universa, a marca Renner se posicionou a favor da sua adesão. "Acreditamos que ter uma tabela referencial de tamanhos em todo o mercado pode proporcionar aos consumidores uma melhor experiência de compra, uma vez que eliminaria o conflito de tamanhos entre as diferentes varejistas. Isso é colocar o cliente no centro", disse por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa.

A Renner informou que utiliza como referência atualmente a tabela de medidas construída pela pesquisa "Size BR". "100% das nossas peças estão de acordo com ela, que possibilita a identificação mais precisa das características físicas da população e de corpos reais", informou.

Também foram procuradas por Universa as marcas Marisa, C&A, Hering e AMARO, mas não obtivemos retorno até o fechamento da matéria.

https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/11/01/abnt-pr...

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