Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

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ABRAPA alcança resultados positivos com rastreabilidade na cadeia do algodão

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Silmara Ferraresi: "Os bons resultados alcançados decorrem do compromisso de todos" - Foto: Acervo Abrapa


Uma das ações da cadeia produtiva do algodão em defesa de um sistema produtivo ambiental e socialmente mais equilibrado chama a atenção dos parceiros dos demais segmentos do agronegócio em razão dos bons resultados: o uso da rastreabilidade para conhecimento de todos os elos, do campo ao consumidor final, até o descarte. O programa SouABR – estratégia de rastreabilidade por blockchain da indústria têxtil do Brasil – foi um dos principais assuntos durante o seminário “O agro em código – Summit de Rastreabilidade no Agronegócio”, realizado em São Paulo, na última quarta-feira (dia 22).

O detalhamento do programa demonstrou a importância da rastreabilidade não apenas para atender a uma demanda do consumidor, mas também como ferramenta operacional para as empresas que a implementam. Na plateia do Summit, representantes de diversos setores do agro, desde a produção/indústria de alimentos, do varejo, de instituições governamentais e da sociedade civil organizada, além de agentes da área de Tecnologia da Informação.


Iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o SouABR é pioneiro na indústria têxtil nacional na rastreabilidade por blockchain e permitiu o mapeamento, passo a passo, da cadeia de suprimentos de uma camiseta de algodão, da semente até o guarda-roupa. Desde 2021, quando foi lançado, o SouABR já angariou a parceria de varejistas como Reserva, Renner e C&A.


Para chegar até este ponto, a diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi explicou os passos empreendidos pelos produtores brasileiros em seus programas estruturantes, desde a criação do Sistema Abrapa de Identificação (SAI), em 2004, a parceria com GS1 –empresa que, há 50 anos, implantou a identificação digital por código de barras no mundo – e a evolução do SAI, com a integração de outros sistemas, como o de certificação socioambiental (ABR), o de qualidade de análise de fibra e, a partir de 2023, a certificação oficial do algodão brasileiro (Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro), conferida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Em sua apresentação, Silmara Ferraresi falou do comprometimento de toda a cadeia, em especial, dos produtores de algodão, em disponibilizar, de forma transparente, informações fidedignas, e “abrir” as portas das fazendas para isso. “Não se faz rastreabilidade sozinho, é preciso colaboração, e esse foi um dos nossos maiores desafios, porque a cadeia têxtil é enorme. Os dados da fazenda, a nosso ver, pareciam resolvidos. Mas quando se traz a cadeia como um todo, a dificuldade é muito maior, principalmente, se tratando de uma cadeia como a têxtil nacional, que sofre com a concorrência e arca com altos impostos”, explicou Silmara.

 

Ainda de acordo com a diretora, para a Abrapa, sustentabilidade e rastreabilidade definem a permanência no mercado e se tornaram grandes diferenciais do algodão brasileiro, “seja internamente, uma vez que um terço da nossa produção abastece a indústria nacional, ou no mercado externo, destino de dois terços da nossa produção”.

 

Transparência

 

Com a rastreabilidade por blockchain, é possível verificar cada etapa produtiva, identificando onde, quando, como e quem fez, alcançando maior transparência nessa cadeia. Com muitas etapas, o setor têxtil é bastante complexo mas cresce o número de empresas interessadas no programa. O sistema de rastreio é perfeitamente aplicável e tende a ser cada vez mais recomendado, tornando-se um ganho coletivo e mitigando condições impróprias de trabalho ou a utilização de materiais de origem duvidosa.

 

Pedro Henrique de Martino, gerente de Relações Governamentais da GS1 Brasil, compartilha da mesma opinião. “Hoje, ninguém duvida de que a rastreabilidade é um investimento necessário para que as cadeias sejam sustentáveis e perenes”, diz. Ele acrescenta que a percepção deste tema evoluiu de “custo” para “investimento”, lembrando que a parceria entre Abrapa e GS1 começou em 2011, quando a entidade constatou a necessidade de garantir dados de origem do produto, com padrões universais. “O fardo brasileiro exportado, para qualquer país, dá acesso à informação. O Brasil, hoje, é o segundo maior entre os exportadores de algodão, e isso passa pela visão de que a identificação da procedência da fibra é fundamental para acessar mercados, sobretudo os asiáticos”, finaliza.

 

O seminário “O agro em código – Summit de Rastreabilidade no Agronegócio” foi promovido pela GS1 Brasil, Embrapa, Abrarastro e Instituto de Colaboração em Blockchain (iColab).

 

Sobre a rastreabilidade por blockchain

 

A tecnologia blockchain é um mecanismo de banco de dados avançado que permite o compartilhamento transparente de informações na rede. Um banco de dados blockchain armazena dados em blocos interligados em uma cadeia. Os dados são cronologicamente consistentes porque não é possível excluir nem modificar sem o consenso da rede. Como resultado, é possível usar a tecnologia blockchain para criar um registro inalterável para monitorar as transações ao longo do processo produtivo.

https://abrapa.com.br/2023/11/27/abrapa-alcanca-resultados-positivo...

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