Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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'Afinidade de ideias' aproxima empresas e governo Bolsonaro Jose Velloso, da Abimaq: "O ministro Guedes nos garantiu que a abertura comercial só vai ocorrer lá na frente" - Foto: Leo Pinheiro/Valor

Praticamente ao fim do primeiro ano do mandato do presidente Jair Bolsonaro, empresários já se dizem adaptados ao estilo da atual gestão e à nova dinâmica na relação entre o governo e a iniciativa privada. Os interlocutores mudaram, mas empresários estão satisfeitos com a abertura do secretariado do governo e com a "afinidade de ideias".

No início do governo, muitos empresários tiveram dificuldades em circular no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios. Acostumados a serem recebidos pelos antecessores de Bolsonaro e a terem o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o chamado "Conselhão", como um canal sempre aberto mas pouco efetivo, empresários chegaram a recorrer ao vice-presidente Hamilton Mourão. O vice, porém, passou a ter um perfil mais discreto ao longo do tempo.

Ainda hoje eles ainda reclamam de ter pouco acesso ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Mas encontraram interlocutores no Planalto e na Esplanada dos Ministério com autonomia para tomar decisões e propor políticas públicas. O próprio presidente da República passou a receber mais empresários nas últimas semanas.

Rogério Marinho, secretário especial de Previdência e Trabalho, é um dos mais elogiados. Outros citados são Carlos Da Costa, secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade, e José Ricardo Martins da Veiga, de modernização do Estado.

Subordinado ao ministro Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), Veiga está à frente do projeto para alçar o Brasil da posição 125 para a 50 no ranking Doing Business do Banco Mundial ao fim do mandato de Bolsonaro. Ele integra um grupo de trabalho com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), que realizou ontem evento sobre o tema em São Paulo.

"Já é muito claro que este governo tem inclinação mais liberal e reformista do que os anteriores", diz André Sacconato, consultor econômico da Fecomercio-SP e coordenador-geral do grupo de trabalho sobre ambiente de negócios da entidade. "Essa convergência de ideias facilita muito a interlocução, porque cria agenda positiva. E isso facilita muito nossa agenda, que sempre foi liberal."

O otimismo com 2020, segundo fontes ouvidas pelo Valor, deve-se sobretudo à sintonia do setor privado com o programa de reformas. "O que eu sinto no meio empresarial é um apoio ao governo Bolsonaro", diz Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. "A classe preza por resultados, e há uma sensação inconteste de que há uma melhora da economia."

Skaf esteve em diversos eventos no Palácio do Planalto nos últimos meses. Nesta semana, passou pela Presidência em um encontro fora da agenda. Ao Valor disse que foi cumprimentar Bolsonaro e passar a ele o visão dos empresários de que "as coisas estão no caminho certo". O presidente tem recebido mais empresários à medida que a economia dá sinais de melhora e as empresas querem detalhar planos e propostas.

Ontem, Bolsonaro encontrou uma comitiva de 40 empresários liderados por presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.

A comitiva entregou a Bolsonaro um estudo sobre a necessidade de investimentos no Estado. O pano de fundo, entretanto, é a preocupação do setor privado fluminense com a deterioração das relações entre Bolsonaro e o governador do Rio, Wilson Witzel.

"É um governo absolutamente liberal na questão da economia. É o sonho dourado de qualquer empresário ter liberdade de empreender", disse Vieira ao Valor após o encontro. "E, ao mesmo tempo, saber que o Estado brasileiro vai proteger o empresário verdadeiro, contra os malfeitos, a corrupção e dar um jeitinho. Nenhuma empresa consegue competir em um mercado bichado."

Vieira elogiou também a equipe econômica, especialmente Paulo Guedes, que já lhe pediu que trouxesse demandas do setor.Diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, também elogia a abertura do governo às pautas do setor privado. E, embora reconheça dificuldades na relação do Executivo com o Congresso, diz que a disposição do governo em impulsionar reformas é o que as torna possíveis. "O governo agora está disposto a fazer essas reformas estruturantes. E essas reformas são estruturantes", afirma. Dentre as medidas de agrado da indústria, além das reformas, ele cita os planos de privatizações e concessões e as políticas para reduzir o preço do gás.

"As medidas do governo estão bastante adequadas ao momento em que estamos vivendo", afirmou. "Vamos ganhar competitividade e isso está ligado a ações que estão sendo implementadas."

Termômetro do otimismo do setor é o resultado do Índice de Confiança do Empresário Industrial, que fechou novembro em 62,5 pontos ante uma média histórica de 54,6 pontos. É o segundo melhor resultado desde 2003, superado apenas pelos 63,2 pontos de novembro de 2018, logo após a eleição.

"A relação melhorou à medida que os interlocutores se conheceram. É natural que o governo chegue e tenha que se ajustar. Mas, ao fim deste ano, o contato está fluindo", relata o presidente Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel.

O presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, entende que a criação de secretarias especiais no guarda-chuva do Ministério da Economia facilitou a interlocução. Também destaca como positiva a postura de Guedes de dar preferência à resolução de pleitos coletivos.

"A gente entende que este governo não é daquele tipo que tínhamos no passado que atendiam pleitos individuais, de empresas ou de setores. Um governo liberal olha para um todo", argumenta.

O dirigente elogia uma série de propostas e medidas já adotadas pela área econômica, como as reformas da Previdência, tributária e do pacto federativo. Também pesa para a avaliação o recuo de Guedes na ideia de promover uma abertura comercial unilateral, que poderia atingir a indústria brasileira."O ministro Guedes nos garantiu que a abertura comercial só vai ocorrer lá na frente, quando a indústria [nacional] recuperar a sua competitividade. Tinha uma ideia de baixar unilateralmente as alíquotas de importação, mas o governo retrocedeu", relatou Velloso.

Fonte: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2019/11/29/afini...

http://revistaferroviaria.com.br/detalhe-noticias.asp?InCdEditoria=...

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