Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Parte das reservas de algodão que o governo chinês esteve a reunir nos últimos anos está a leilão, mas a fraca qualidade da fibra e os preços elevados estão a espantar os compradores, que preferem importar dos EUA e de outros países para terem algodão de fibras longas e maior rentabilidade.  

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Algodão chinês desprezado

Tendo passado os últimos dois anos a construir enormes reservas de algodão que agora representam, segundo as estimativas, metade das reservas mundiais, o Governo da China vai vender algumas dessas mesmas reservas.

Não é a primeira vez que o Governo chinês liberta alguns dos seus stocks que, de acordo com as mais recentes previsões do International Cotton Advisory Committee (ICAC), representam cerca de 55% do total de 20,8 milhões de toneladas existentes em todo o mundo.

Em agosto anunciou que o programa de compra de algodão aos agricultores para a reserva nacional a 20.400 yuans (cerca de 2.478 euros) por tonelada iria prosseguir na época 2013/2014, o que implicaria aumentar a reserva nacional para 15 milhões de toneladas em março de 2014, embora os leilões reduzissem a reserva para cerca de 12 milhões de toneladas a meio do ano.

O preço do leilão foi estabelecido em 18 mil yuans por tonelada por qualidade standard, indicou uma nota do China National Cotton Information Center. Mas a cerca de 1,34 dólares (cerca de um euro) por libra, tem um preço 50% mais elevado do que o valor médio anual até à data, de 0,91 dólares por libra, significando que a venda dificilmente irá atrair uma forte procura.

Além disso, a qualidade do algodão chinês é muito inferior à do algodão importado, o que gera mais perdas na produção. O algodão que está em leilão deverá ser proveniente da colheita de 2011, o que significa que está armazenado há mais de um ano e pode ter-se deteriorado ainda mais.

Este leilão é o culminar de uma política lançada em setembro de 2011 quando, face ao aumento dos preços do algodão, o governo tentou trazer estabilidade ao mercado, encorajando os agricultores a plantar mais algodão. Comprometeu-se a comprar a 19.800 yuans por tonelada, aumentando para 20.400 yuans por tonelada nesta colheita.

Mas falhou a antecipar uma queda acentuada subsequente no preço da fibra, que minou a competitividade do algodão no país e levou a que as fábricas têxteis e de vestuário ficassem cheias de algodão doméstico a um preço substancialmente mais elevado do que nos mercados internacionais.

O algodão chinês estava cotado a 19.222 yuans a tonelada a 1 de agosto, em comparação com 15.919 yuans por tonelada de algodão americano importado.
 
Os preços artificialmente altos do algodão também encorajaram uma mudança significativa na utilização de fiações para outros países, com os utilizadores locais a voltarem-se cada vez mais para as importações de fios sem taxas da Índia e do Vietname, em vez do extremamente caro algodão doméstico.

Com efeito, segundo os números da China Customs, as importações de fio de algodão totalizaram 182.500 toneladas em outubro, 44,3% mais elevadas do que no ano anterior, e o maior volume de outubro em registo.

Tem vindo a público notícias que dão conta que os produtores têxteis chineses têm estado a competir para assegurar quotas de importação de algodão de alta qualidade e a bons preços, com o governo a pressioná-los para usar as reservas internas com menor qualidade e preços mais elevados. Em janeiro, o governo chinês impôs uma regra “três para um” sobre os produtores: têm de usar três toneladas de algodão chinês para assegurar as quotas de compra de uma tonelada de algodão importado.

Explicando como a política teve impacto na produtora de camisas de algodão de qualidade Esquel Group, sediada em Hong Kong, o CEO John Cheh afirmou em entrevista que os agricultores de algodão impulsionaram a produção de algodão mais básico à custa do algodão de fibra longa, que não estava incluído no projeto.

Historicamente, a Esquel compra cerca de 80% a 90% do seu algodão de fibra longa em Xinjiang, mas a produção caiu cerca de dois terços nos últimos três anos, forçando a empresa a aprovisionar o seu algodão de gama alta noutro local. Cerca de 50% do seu algodão é agora comprado aos EUA.

«Estamos a usar cada vez mais algodão Pima, enviado da Califórnia para Xinjiang e depois para Guangdong», revelou Cheh. «Isso aumentou os nossos custos logísticos, mas os preços do algodão de fibra longa chinesa também subiram cerca de 40% devido à redução na produção», esclareceu.
 http://www.portugaltextil.com/tabid/63/xmmid/407/xmid/42985/xmview/...

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CAROS AMIGOS, PODERIA ESTE "EMBROLHO" CHINÊS FAVORECER NOSSAS TÊXTEIS? 

«Estamos a usar cada vez mais algodão Pima, enviado da Califórnia para Xinjiang e depois para Guangdong», revelou Cheh. «Isso aumentou os nossos custos logísticos.

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