Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

Alheia a sindicatos e ao aumento de 22,8% do salário mínimo no último ano em seu país , indústria têxtil chinesa busca mão de obra barata na África

Newcastle (África do Sul) - Dezenas de empresas chinesas abriram unidades de produção na África do Sul e em outros países do continente africano nos últimos anos atraídas pelo custo de mão de obra mais barata do que na grande potência asiática.

Todos os dias, às 6h30 da manhã, cerca de 6 mil funcionários se dirigem ao polígono industrial de Newcastle, leste da África do Sul, para trabalhar nas 70 fábricas chinesas estabelecidas em um dos principais pólos têxteis do país.

São nove horas de trabalho costurando, passando, fazendo moldes, dobrando peças e embalando. Durante esse tempo, não podem nem se levantar para ir ao banheiro nem comer, e tudo isso pelo salário de R$ 15 por dia.

Fábricas de montagem em Camarões, indústrias plásticas na Nigéria, minas no Zimbábue, sapatos no Egito, couro na Etiópia e montadoras automotivas e oficinas têxteis na África do Sul são alguns dos negócios das companhias chinesas espalhados pelo continente mais pobre do mundo.

Patrick Vundla, responsável pelo sindicato têxtil em Newcastle (Sactwu), explica por que as empresas chinesas estão se deslocando à África do Sul: "elas vêm porque obtêm maior rentabilidade".

O salário mínimo na China aumentou 22,8% no último ano, segundo a empresa de consultoria Aon Hewitt, e o salário médio de um profissional qualificado varia entre 20 mil iuanes por ano (R$ 5 mil) nas áreas mais pobres e 23,5 mil iuanes (R$ 5,8 mil) em Xangai e Hong Kong.

Diante das novas aspirações consumistas da juventude chinesa, o país asiático encontrou na África Subsaariana uma região que monopoliza os últimos lugares em desenvolvimento humano das Nações Unidas, uma massa laboral ávida por oportunidades de trabalho.

A maior parte dos funcionários de Newcastle cobra no máximo R$ 3,8 mil por ano e o primeiro contrato de trabalho não chega a superar R$ 2,2 mil.

Às portas do polígono industrial, os trabalhadores informaram que seus patrões chineses não pagam férias, não preparam folha de pagamento e descontam de seus salários os defeitos das peças que produzem.

Zanele Sithole, de 28 anos, vive em uma casa de blocos de concreto com três quartos e sem banheiro, em um assentamento improvisado a dez quilômetros do polígono industrial.

Ela trabalha em uma fábrica chinesa de Newcastle, cobra 800 randes por mês (R$ 185) e, com esse dinheiro, sustenta uma família de 11 pessoas, em um país onde o quilo de arroz custa R$ 1,80.

"Tenho de sustentar toda a família. Meus pais são idosos, tenho de pagar o transporte das crianças e também comprar comida. É muito difícil, é muito pouco, tenho de pedir emprestado para poder pagar as contas no final do mês", lamenta Zanele.

Há duas semanas, as autoridades sul-africanas fecharam cinco fábricas por não pagarem 70% do salário mínimo, que se situa na indústria têxtil de Newcastle em torno de R$ 455 por mês.

"Das 70 fábricas chinesas de Newcastle, praticamente nenhuma paga um salário mínimo, que é de 489 randes por semana (R$ 113), e algumas chegam a pagar 200 randes (R$ 46)", denuncia o sindicalista Patrick Vundla.

Os empresários chineses, em resposta, ameaçam fechar as fábricas e se mudar para outros países da região com mão de obra ainda mais barata, como Moçambique, Lesoto e Suazilândia.

"Estou aqui para fazer dinheiro, não amendoins", diz o gerente de uma fábrica chinesa, que não quis se identificar por receio de perder o emprego. Seus chefes coordenam as atividades nas ilhas Maurício, um paraíso fiscal a 800 quilômetros de Madagáscar onde muitas dessas empresas têm sua base de operações.

Ele afirma que representantes governamentais de vários países africanos - como Zimbábue, Moçambique, Madagáscar e Lesoto - vão a Newscastle para tentar copiar o modelo que tanto atrai empresas chinesas.

"São oferecidos aos chineses terrenos de graça para que construam as fábricas com contrato de 100 anos, mas eles não vão a outros países africanos porque na África do Sul há uma coisa que não há em outros lugares: trabalhadores qualificados", explica o gerente.

O sindicalista Vundla reconhece que vários países tentam copiar o modelo sul-africano. "Não queremos fechar as fábricas, mas achamos que os nossos trabalhadores têm o direito de serem tratados de forma justa".

 

 

FONTE: EFE

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Respostas a este tópico

welcome to hell...

 

concorrencia entre pobres nunca tem fim .....

produzem na africa com trabalhadores escravizados,depois exportam para o brasil.

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