Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

A alta costura só tem 200 clientes num planeta de quase 7 bilhões de pessoas. As grandes marcas que ainda se dedicam ao ofício não passam de sete (Armani Privé, Gaultier, Givenchy, Elie Saab, Dior, Chanel e Valentino) com alguns poucos novos nomes. Os preços das roupas são quase de um apartamento - não no caríssimo Rio de Janeiro, é claro -, entre 35 mil e 100 mil euros. Mas o fascínio dessa moda exercida por gênios da criação e artesãos altamente qualificados continua de pé.

A couture funciona diferentemente do prêt-à-porter; logo depois do desfile, as interessadas vão aos ateliês das marcas, encomendam suas roupas para a estação seguinte (no caso da Europa, o inverno), e passam cerca de um mês em Paris para fazer as três provas de roupa no corpo, porque nenhum detalhe pode ser sonegado e a modelagem tem que estar perfeita nas madames.

Duas "novas" marcas injetaram frescor à temporada: o italiano Giambattista Valli, com seu excelente desfile de estreia na couture, e o veterano Azzedine Alaïa, que encerrou as apresentações. Todas as coleções apostaram no glamour máximo, com peças cheias de brilho, bordados e até joias, como as pérolas nos vestidos de Valentino e os botões de ouro dos tailleurs da Chanel. Três tendências ficaram bem claras: os brilhos, o uso de capas como antigamente e os vestidos longos com saias justíssimas.

A moda vive, mais do que nunca, um momento de superstar, levando multidões a museus de todo o mundo, que expõem criações de estilistas com status de obras de arte. Em Nova York, a exposição do inglês Alexander McQueen, morto no ano passado, foi prorrogada até agosto por conta do sucesso; na China, Dior e Louis Vuitton contam suas histórias tentando formar o maior mercado consumidor do planeta; em Paris, há nada menos que quatro exposições fashion em cartaz: Madame Grès, Yves Saint Laurent, Hussein Chalayan e a novíssima "O século 18 no gosto de hoje", mostrando como a moda dos anos 1700 influenciou designers do século 20. Estreou quinta-feira, no Grand Trianon, de Versalhes, e vai até outubro. Para os aficionados, uma verdadeira aula de História e elegância.

A volta do glamour
As coleções que mais me falaram ao coração foram as que não caíram na roubada de apresentar roupas inacessíveis sob a máscara do invencionismo. Giambattista Valli, o italiano que criou os vestidos de casamento mais lindos dos últimos tempos - das brasileiras Charlotte Dellal e Antonia Galdeano -, estreou na alta costura com peças deslumbrantes, como os modelos de estampa de onça com capas esvoaçantes, musselinas drapeadas em cima e fluidas embaixo e flores de organza em saiões volumosos.

A dupla Pier Paolo e Maria Grazia mais uma vez se confirmou como discípula do mestre Valentino, desfilando a melhor coleção da temporada: vestidos bordados com pérolas e fios de ouro, contraste de pesos com transparências em tule e organza e bordados maravilhosos, casacos com tranças de veludo negro e notas românticas nos tons de nude e cinza pálido e nas flores em devoré - uma aula de romantismo e elegância.

O libanês Elie Saab, um dos preferidos das atrizes de Hollywood no tapete vermelho, parece ter ficado com a mão mais leve e carregou menos nos adereços de seus vestidos, que vieram com as mangas compridas (outra tendência do momento), uma dosagem menos exagerada de cristais e transparências que deixavam as manecas com jeito de fada.

Procura-se um estilista
Tempos duros na Dior, depois da demissão do estilista John Galliano, que foi flagrado fazendo ofensas racistas num café de Paris. A grife está oferecendo o cargo para Deus e o mundo, mas ainda não encontrou um substituto à altura, por isso deu ao ex-assistente do designer, Bill Gaytten, a tarefa de assinar a coleção que foi apresentada segunda-feira, no Museu Rodin. As peças foram detonadas pela imprensa internacional e eu, que estava lá, posso atestar que com razão. Faltou um norte na coleção que se dizia inspirar no trabalho de arquitetos e acabou misturando new looks exagerados, prints de girafa azul e zebra, fantasias de colombina e pierrô, perucas crespas altíssimas à la Maria Antonieta, maquiagens de paetês e, last but not least, um série de Barbarellas com caftãs deslumbrantes e esvoaçantes, sem dúvida a melhor parte do desfile. Bill disse textualmente que queria o emprego, o que pegou mal e será bem difícil de acontecer.

O novo vestido
As saias longas e amplas estão com tudo no Brasil e nas ruas da Europa, mas a próxima onda são os vestidos compridos com saias justíssimas, daquelas que obrigam as mulheres a andarem bem devagarinho para não tropeçar. A proposta é para quem não tem as obrigações do corre-corre da vida moderna, um convite a se submeter mais ao tempo e à contemplação das delícias da vida.

Salve o Japão
Giorgio Armani desfilou sua coleção com os aplausos dignos de um estilista que emplacou o vestido de noiva da nova princesa Charlene de Mônaco no sábado passado. Mas as peças evocaram outro tipo de casamento, o do italiano com o Japão, onde ele adotou escolas em regiões atingidas pelo tsunami de março. O resultado foram looks tradicionais do vestiário japonês: quimonos, obis, gigantescos enfeites de cabeça em origami, detalhes em drapeado, abuso de sedas estampadas, calças de canela curta e muito veludo.

Barrados no baile
Já que alta costura é coisa para poucos, dois estilistas resolveram fazer apresentações intimistas, proibindo blogueiros, twitteiros e restringindo ao máximo o número de convidados. Azzedine Alaïa contratou dois fotógrafos para clicar os looks da forma que queria e vetou qualquer flash que não viesse deles. Sem sua musa Lea T. - em temporada no Brasil e em Ibiza -, o estilista Riccardo Tisci, da Givenchy, deixou a androginia de lado e apresentou uma de suas mais femininas e delicadas coleções. Enxugando o acervo a apenas 10 looks, mostrados para pouquíssimas pessoas à beira do Rio Sena, e abrindo mão da passarela - as modelos ficavam paradas, como num museu -, ele focou na pureza do branco - única cor, salvo um modelo bege - e no exímio trabalho de seu ateliê. Vestidos com saias transparentes, plumas bordadas, cristais em degradê, flores esculpidas à mão e franjas longuíssimas que pendem do umbigo ao chão criaram a atmosfera de diáfanas frágeis e sexy.
Fonte:|http://moda.terra.com.br/noticias/0%2C%2COI5232131-EI1119%2C00.html

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