Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

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Cientistas Portugueses Criam Repelente de Mosquitos Activado Pela Luz do Sol

A nova microcápsula pode ser aplicada a vários materiais, como o tecido de uma tenda Parivartan

Malária, febre de dengue e outras doenças transmitidas por mosquitos podem ter a propagação mais dificultada com um novo material desenvolvido em Portugal. Uma equipa de cientistas, liderada pela Universidade do Minho (UM), criou um material que liberta repelentes e insecticidas por acção da luz solar. Já mereceu atenção no Brasil e é visto como uma forma de combater epidemias nos países em desenvolvimento.

Os cientistas desenvolveram minúsculas cápsulas no interior das quais pode colocar-se praticamente qualquer composto: em contacto com a luz do Sol, libertam-se os repelentes ou insecticidas, de forma controlada. "Deixamos de precisar de electricidade, que é normalmente utilizada para libertar os repelentes", explica o físico Carlos Tavares, da UM, que coordena o projecto.

A tecnologia pode ser usada em zonas remotas, onde não exista rede eléctrica, sobretudo em países em desenvolvimento. O material pode depois ser aplicado a qualquer superfície, seja um vidro de uma casa ou o tecido de uma tenda. As potencialidades desta microcápsula motivaram o interesse de alguns países, nomeadamente do Brasil, onde serão feitos testes aos materiais no terreno (Carlos Tavares prefere não avançar o nome dos interessados, dizendo que o acordo ainda não é concreto).

Desodorizante nas cortinas

No centro desta investigação estão materiais fotocatalíticos, que são activados pela luz solar, provocando várias reacções. Um composto é colocado numa cápsula polimérica, que o sol faz abrir os poros e o químico é libertado. Mas tudo é feito à escala de mícrones (milésimos de milímetro) e os materiais dentro das cápsulas são ainda mais pequenos.

Desde 2004 que a investigação de Carlos Tavares está concentrada nos materiais fotocatalíticos, o que lhe permitiu desenvolver revestimentos que podem aplicar-se a um vidro, para se limpar sozinho. Expostos à luz solar, estes materiais, bastante finos para não interferirem na transparência do vidro, entram em contacto com os poluentes e degradam-nos.

A partir desta inovação, Carlos Tavares começou a pensar noutros usos que poderia dar a estes materiais. Durante uma palestra de um colega da sua universidade, ouviu falar de aromas e pensou em usar a tecnologia que tinha desenvolvido na libertação controlada de aromas.

O projecto integra também cientistas das universidades do Porto e Coimbra e do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa, onde serão feitos os últimos testes ao insecticida, nas colónias de mosquitos deste centro. Nos próximos três anos, os 15 cientistas da equipa vão aperfeiçoar as tecnologias já disponíveis para tornar os produtos mais eficazes, como por exemplo levar os materiais a absorver mais energia solar. Os fotocatalíticos desenvolvidos pela UM só absorvem a luz ultravioleta, que é três a cinco por cento da luz solar. A equipa também trabalha na espessura dos poros das cápsulas, para controlar melhor a quantidade libertada de substâncias.

Além das instituições académicas, há uma empresa no projecto, a Micropolis, nascida na incubadora da UM, que tem desenvolvido cápsulas libertadoras de repelentes para a indústria têxtil, activadas por acção mecânica, por exemplo através da fricção do corpo num tecido.

A cápsula activada pela luz solar permitirá reduzir a perda de efeito dos repelentes com as lavagens. Até porque não são só insecticidas e repelentes que podem ser introduzidos nas cápsulas. O composto pode ser aplicado a cortinas e servir como desodorizante de espaços interiores, o que, antecipa Carlos Tavares, até "pode ser mais atractivo do ponto de vista comercial".

Fonte:|http://www.publico.pt/Tecnologia/cientistas-portugueses-criam-repel...

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Muito bom, mas a incidência de mosquitos (fora poucas especies diurnas) se dá fora do horário da luz.

Para insetos diurnos parece perfeito.

O aprimoramento do sistema pode levar a celulas inteligentes que armazenam a informação ou energia solar para ter uma dispersão dos inseticidas por um período mais longo e após decair a luz solar.

Vamos esperar para ver.

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