Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

indústria têxtil brasileira está cada vez mais aderindo à sustentabilidade em seus processos e buscando envolvimento de seus clientes na causa ambiental. Um exemplo é a trajetória da head de sustentabilidade do Grupo Soma, Taciana Abreu. Ela entrou para o time da Farm em 2016 com objetivo de criar uma estratégia de sustentabilidade. “Esse assunto era minha paixão e começamos a trabalhar em várias frentes. Começou de um lugar muito genuíno de gerar impacto positivo e fomos evoluindo”, diz. Após a pandemia, ela foi convidada para implementar ações de sustentabilidade em todo o grupo, que reúne 15 marcas, como Hering e Maria Filó.

“O trabalho ganhou outra dimensão. O Grupo Soma abriu capital e acabou de conquistar a certificação B, que é uma grande vitória, e estamos batalhando por outros índices, mas com uma visão muito mais estruturada sobre qual é o nosso impacto, de como a gente reduz o impacto negativo e como a gente potencializa o impacto positivo”, explica.

Taciana contou a sua trajetória para o público do Focus Fashion Summit, em uma mesa sobre sustentabilidade na prática, ao lado de Lívia Lopes, gerente de sustentabilidade das Pernambucanas; Valesca Magalhães, diretora de sustentabilidade da Riachuelo; Eduardo Ferlauto, head de sustentabilidade da Lojas Renner; e Paulo Cristelli, gerente de sustentabilidade da Focus Têxtil. Os executivos compartilharam casos de sucesso e estratégias que têm usado para lidar com a inquietação em relação ao futuro da moda em um mundo que caminha para uma economia de baixo carbono.

Um dos pilares no qual a indústria da moda tem se apoiado é o da economia circular. A Riachuelo, por exemplo, elaborou uma coleção com intuito de inovar em circularidade. “Descobrimos um núcleo de biomanufatura para desenvolvimento de tecido por meio de reciclagem têxtil. Então, a ideia não é só doar o resíduo têxtil, mas fazer com que ele se torne matéria-prima e volte para o ciclo produtivo. São 4,5 mil toneladas de resíduos pré-consumo que podem ter essa destinação”, explica Valesca Magalhães. A ideia é que o protótipo desse novo fio seja anunciado no próximo ano, com possibilidade de produção em larga escala.

“O desafio é imenso. O Brasil ainda é carente de tecnologia para reciclagem têxtil, mas estamos orgulhosos por saber que no futuro próximo esse tipo de produto já estará incorporado dentro dos produtos mais sustentáveis que a gente vende em nossas lojas. Nossa ideia é testar, ver se vai dar certo e compartilhar a solução”, completa.

Economia Circular

Economia circular é um dos itens de destaques do Mapa Estratégico da Indústria, elaborado pela Confederação Nacional de Indústria (CNI). O documento destaca a estratégia como “o caminho para a consolidação de uma economia de baixo carbono no país, otimizando o uso dos recursos naturais ao longo de toda a cadeia de valor, por meio de fluxos circulares”.

A CNI aponta que a economia circular “representa uma grande oportunidade para ampliar o potencial de manufatura no país, traz benefícios operacionais e estratégicos e contribui para o crescimento econômico, a geração de emprego, a redução do uso de recursos primários e a inovação nos modelos de negócios e nas cadeias de valor”.

Metas e desafios

As Pernambucanas e a Focus Têxtil se uniram para capacitar estudantes de moda para trabalhar com resíduos de tecidos e a fomentar a circularidade desde a formaçào dos novos designers. “A gente recebe estudantes de moda desde 2017 do Brasil inteiro para criar soluções colaborativas. O que a gente quer é que mais pessoas e mais artistas possam ter acesso a essa construção. Nós precisamos do coletivo. A gente precisa de pessoas, de parceiros que topem fazer as coisas com a gente porque a sustentabilidade tem um pouquinho de loucura também”, diz Lívia Lopes, das Pernambucanas.

A executiva reforça que sustentabilidade é sobre gente. “Por mais que se fale de emergência climática, sustentabilidade sempre vai ser como a gente se porta e como a gente sobrevive nesse planeta e oferece para outras gerações a possibilidade de viver o que a gente viveu”. Ela ressalta que o debate é sobre tudo. “É sobre o que a gente come, o jeito que a gente convive em sociedade. O mundo vai mudar se a gente não tomar uma atitude real. A sustentabilidade traz a certeza de que a gente precisa construir de forma coletiva”.

Eduardo Ferlauto, da Renner, acrescenta que a sustentabilidade tem como essência mais processos do que produtos. Para ele, é preciso incluir o tema na espinha dorsal da empresa, com governança, métricas, análise de riscos e também desafios. “Em 2018, colocamos para 2022 atingir 80% de produtos menos impactantes; certificar 100% da cadeia de fornecimento nacional e internacional; reduzir as nossas emissões em 20% e fazer a transição energética; obter a energia a partir de fontes renováveis e de baixa emissão. O primeiro ano foi de frio na barriga, não conseguimos escalar, mas estabelecemos uma meta de engajamento para criar uma cultura e, em seguida, conseguimos superar as metas nos ciclos seguintes”, relata.

Sobre o Projeto Indústria Verde

O Indústria Verde é uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para apresentar as contribuições da indústria brasileira à agenda ambiental. A indústria é parte da solução no desenvolvimento sustentável. O setor produtivo é um dos pioneiros a assumir a responsabilidade de estimular a implementação dos compromissos climáticos no país.

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