Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Conheça detalhes sobre a fantástica fábrica de figurinos da TV Globo

Nos 50 anos de TV Globo e 15 de QUEM, pela primeira vez uma equipe de reportagem registra a incrível confecção de roupas e acervo do Projac. São mais de 150 mil peças usadas na programação, preservadas longe de ácaros e em ambiente preparado para resistir à ação do tempo

Fantástica fábrica de figurinos da TV Globo reúne acervo com mais de 150 mil peças (Foto: TV Globo)

 

Nina e Carminha de Avenida Brasil, a Viúva Porcina de Roque Santeiro, a vampira Natasha de Vamp, o Professor Raimundo, o costureiro Jacques Leclair de Ti-ti-ti, a Cuca e a Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo, a cadela Priscila da TV Colosso... Todos esses personagens, fundamentais na história da teledramaturgia brasileira, se encontram lado a lado no espaço mais limpo e silencioso que se possa imaginar. O acervo particular da Central Globo de Produções (Projac), no Rio, contabilizava 150 mil figurinos de novelas, minisséries, shows e programas até este mês. É, provavelmente, a maior variedade de coleção de roupas para televisão na América Latina.

No primeiro andar funciona a fábrica de figurinos. O termo “fábrica” é bem apropriado, pois o ritmo é frenético: de segunda a sábado, das 9h às 18h, cerca de 80 costureiros se revezam na missão de dar sentido aos croquis aprovados pelos figurinistas de cada programa. Um trabalho pode demorar algumas horas ou levar meses. O vestido de noiva que Tatá Werneck usou em uma das últimas cenas de  Amor à Vida (2013), por exemplo, foi confeccionado em 12 horas.

Após a gravação, a peça é fotografada para ser catalogada em um sistema informatizado. Tudo vai para um acervo digital. Há algumas regras internas: protagonista não repete roupas marcantes; calças jeans são doadas; peças secundárias são reutilizadas em outras produções. Nada se perde. “A gente consegue reciclar muita coisa, dependendo do tecido. Podemos tirar uma manga, pintar, trocar a peça. Posso reutilizar em um ator que tem menos visibilidade e ninguém vai notar. Por isso guardamos essa quantidade toda de roupas, até para figurantes e elenco de apoio”, conta um funcionário.

Os diferentes modelos de peruca da boneca Emília de 'Sítio do Picapau Amarelo' (Foto: TV Globo)

 

RECICLAR
No andar superior fica o acervo, em uma espécie de closet gigante para 150 mil peças históricas da emissora. As roupas ficam dispostas em cabides, organizados em diversos setores. Mas a pedido de QUEM alguns figurinos foram montados em manequins. As boas-vindas à reportagem foram dadas pelo traje usado por Lilia Cabral em Império (2014), na cena gravada em plena Marquês de Sapucaí.

Cada roupa tem uma etiqueta em código de barras. É o seu “DNA”, que conta sua história: a qual novela pertenceu, a que personagem, quando e se já foi reutilizada em outros trabalhos. “Se fôssemos guardar tudo o que produzimos, precisaríamos de um galpão maior. Então, doamos peças para ONGs parceiras”, conta Jorge Vieira, supervisor executivo de almoxarifado. “Somos acervo e não museu. A ideia é reciclar, não apenas guardar. Há itens que reservamos para exposição ou para refazer uma gravação. De cada novela tiramos duas ou três peças ícones e o restante do acervo é liberado para transformação”, continua. Uma curiosidade: o vestido de noiva que Nina (Débora ) usou em Avenida Brasil (2012) foi mantido sujo – com o sangue cenográfico usado na cena em que Carminha (Adriana Esteves) tenta cortar a rival com uma garrafa quebrada antes do casamento.

Figurinos usados por Débora Falabella na novela 'Avenida Brasil' (Foto: TV Globo)

 

No setor de shows, é impressionante a quantidade de fantasias de Papai-Noel. São centenas! No de novelas de época, as alas são divididas por décadas e séculos: de 1980 a 1910 e depois 1800 a 1500. A figurinista Marília Carneiro conta que a dificuldade está em ambientar produções a partir do século 18. “Não estamos na Europa, não temos  de aluguel. Fazemos tudo do zero”, diz.

Figurino de Natasha, vampira interpretada por Cláudia Ohana, na novela 'Vamp' (Foto: TV Globo)

 

Caracterizações de Cuca, do 'Sítio do Picapau Amarelo', e Priscila, da 'TV Colosso' (Foto: TV Globo)

 

SEM ÁCAROS
Esqueça aquele cheiro forte típico de brechós. Aqui não se espirra por causa de poeira, tudo é limpíssimo. A emissora patenteou uma máquina de lavar roupas que higieniza as peças, impedindo a ação de ácaros e fungos. Não é permitido que a engenhoca seja fotografada. Há sigilo total.

As salas do acervo são iluminadas com LED, já que a lâmpada fluorescente emite raios ultravioletas que deterioram a fibra das roupas ao longo do tempo. Mas não é só por causa disso. “A luz fluorescente deturpa a cor, não é a que se vê na TV. Com LED, é exatamente o que se enxerga na câmera. A iluminação neste ambiente é pensada no que o público vê em casa. A temperatura ambiente é de 25ºC. Há desumidificadores de ar em todas as salas.” Só assim para que vilãs e mocinhas permaneçam em paz, estáticas e na mais perfeita ordem. Sem levantar poeira.

Figurinos são ordenados por décadas em acervo da emissora (Foto: TV Globo)

 http://revistaquem.globo.com/QUEM-15-anos/noticia/2015/06/conheca-d...

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Respostas a este tópico

show

Não sou muito chegado na Globo, mas este é um verdadeiro acervo de moda, com classificação de época extraordinaria. Contudo, com o volume de novelas que esta emissora tem, de manhã de tarde, de noite e de madrugada, se não possuir estes lotes de acervo, socumbe no mercado ou vai comprar "LÀ NA CHINA". se houver, ou faz na propria casa.

A figurinista Marília Carneiro conta que a dificuldade está em ambientar produções a partir do século 18. “Não estamos na Europa, não temos  de aluguel. Fazemos tudo do zero”

  As salas do acervo são iluminadas com LED, já que a lâmpada fluorescente emite raios ultravioletas que deterioram a fibra das roupas ao longo do tempo. Mas não é só por causa disso. “A luz fluorescente deturpa a cor, não é a que se vê na TV.

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