Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

Conjectura atual do mercado textil: ótica de um representante comercial

Colegas,

 

Segue o link para acessar meu texto.

 

RELAT%C3%93RIO%20DA%20CONJECTURA%20ATUAL%20DO%20MERCADO%20TEXTIL.doc

 

No aguardo para que possamos discutí-lo.

 

Atenciosamente,

 

João Carlos

O mercado têxtil vem, há alguns anos, apresentando uma crescente aceleração de produção em todos seus ramos de atuação. Historicamente, é um mercado sazonal (períodos de alta e baixa durante o ano). Ocorre que este comportamento não é verificado nos últimos anos, em que o mercado se apresenta constantemente acelerado.
Justifica-se essa aceleração, a meu ver, a crescente melhora da economia brasileira, alavancada pelas políticas publicas econômicas, internas e externas, direcionadas ao crescimento do país e consequentemente, ao aumento da renda per capta do trabalhador brasileiro.
Esta política expansionista de mercado, observada principalmente no governo Lula, direcionou a política econômica para a expansão voraz mercadológica, com foco no mercado internacional (exportações), na busca de novas praças de comércio e de novos parceiros internacionais.
Esta política econômica vem dando certo até o presente, o Brasil vem, todos os meses, batendo recordes na balança comercial, e conseqüentemente no aumento de nossas reservas cambiais, impostos e do PIB (Produto Interno Bruto).
Neste cenário econômico mais geral, o mercado têxtil até recentemente vinha seguindo esta perspectiva de crescimento, ampliando, modernizando seu pátio industrial, para atender à demanda crescente e às expectativas futuras eminentes.
No ano de 2009, no entanto, ocorre uma ruptura deste movimento de crescimento: o mundo passa por uma crise econômica seríssima, liderada pelos Estados Unidos da América e Europa, provocando a retração desses mercados, que passaram a repensar suas estratégias mercadológicas, principalmente no âmbito das relações econômicas internacionais (exportação e importação).
Os países do bloco chamado (BRICS), até então preocupados com políticas expansionistas de mercado (exportação), tornam-se mercados altamente atraentes para investidores estrangeiros, que passam a direcionar seus investimentos para estes, a fim de garantir seus lucros.
Neste momento o Brasil, através do governo Lula, preocupado em que esta crise poderia afetar as suas políticas econômicas e ainda sabedoras das oportunidades que esta trazia em seu bojo, adota a política de expansionismo do consumo interno para assegurar o equilíbrio econômico e ao mesmo tempo ser um atrativo para os investidores estrangeiros, assegurando assim um fluxo mercadológico de produtos e investimentos.
Este é a meu ver o retrato macroeconômico das políticas e conjunturas existentes atualmente para o mercado interno e externo.

O MERCADO TÊXTIL
No momento, a situação do mercado têxtil no Brasil é preocupante, as políticas adotadas pelo governo, se por um lado se revelam assertivas em um primeiro momento, por outro expõem a grave situação resultante de sua implementação.
O pátio industrial brasileiro sofreu investimentos volumosos tanto em sua modernização quanto à expansão da capacidade produtiva das indústrias, com a perspectiva de atender á uma demanda crescente e contínua.
O que ocorre é que não se esperava que houvesse uma entrada de produtos têxteis importados na proporção como passou a ocorrer há cerca de um ano. Tal movimento de entrada de produtos de outros países (para não ficar nos chineses) até seria saudável caso seus preços finais não fossem tão menores que os praticados no mercado interno. Tal diferença de preço resulta de desigualdade de custos de produção e políticas econômicas, tais como: os encargos tributários e trabalhistas dos países de origem e políticas de equilíbrio de balança comercial, desvalorização cambial (valorização do real) e outros. A conseqüência é uma invasão devastadora do mercado nacional de produtos têxteis por produtos já confeccionados, prontos para serem vendidos no comércio, comprados pelos lojistas a preços impraticáveis pela indústria nacional, não fornecendo aos nossos clientes (fabricantes de tecidos) a menor chance de competir.
Assim, penso que nos resta aguardar por novos encaminhamentos governamentais em relação a atual política econômica. Esses encaminhamentos deveriam se direcionar à superação da situação presente, que a meu ver só será corrigida quando uma política econômica séria promover a igualdade de condições na produção e comercialização dos produtos dos diversos setores da indústria têxtil.

MERCADO TEXTIL NO BRASIL

Como já explicitado, o mercado têxtil brasileiro cresceu aceleradamente nos últimos anos em todos os seus setores, exportando mais e atendendo a forte demanda interna. Mas esta avalanche de demanda por produtos têxteis trouxe novas estratégias mercadológicas e comportamentais dos empresários brasileiros.
Em busca de avançar e conquistar novos mercados e diante do enfrentamento das novas condições competitivas do mercado globalizado, o empresariado brasileiro dos médios e grandes lojistas (magazines), tradicionalmente clientes de nossos clientes, atraído por preços e condições mais atraentes no mercado externo, passou a buscar nestes as soluções para obter um preço-lucro melhor com um custo menor. Desta forma, essas empresas (magazines) passaram a comprar suas coleções de outros países, abarrotando suas lojas de produtos importados (principalmente da China).
Hoje já se sente grandes dificuldades de encontrar em lojas brasileira produtos nacionais.
Este círculo de negócios já se transformou em um movimento contínuo no mercado brasileiro: o empresário sai do país para comprar tudo ou quase tudo em produtos industrializados em outros países para vender em suas lojas no mercado nacional.
Assim, se por um lado os empresários (lojistas) encontraram uma fórmula para aumentar suas vendas e manter seus lucros, por outro, na outra ponta da cadeia produtiva, um grupo de empresários brasileiros (malharistas, confeccionistas e outros do setor têxtil) estão passando por enormes dificuldades, sem saber até quando conseguirão manterem-se atuantes neste mercado.
Um fato que causa surpresa é a falta de reação deste grupo de empresários ou mesmo de entidades sindicais do setor em relação a política econômica que favorece a entrada destes produtos no Brasil. Esses empresários deveriam se fazer presentes e combatentes a essas condições, mas infelizmente, boa parte ainda pensa como no século passado, de modo individualista, vendo-se como proprietário e não gerenciador de uma pessoa jurídica com responsabilidade social.
O amadurecimento deste setor não é mais algo a ser estudado e planejado, mas uma obrigação imediata que não pode ser postergada, pois necessita de uma atitude emergencial, na qual repousa a sobrevivência do setor têxtil do Brasil, de seus trabalhadores, empresários e sindicatos.
João Carlos

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Concordo colega. Sou representante comercial e represento 06 empresas nacionais do segmento de aviamentos para confecção e nunca, em mais de 20 anos de atuação vi algo semelhante ao q esta ocorrendo neste 05 meses de 2011. O segmento esta parado, enquanto confecções chinesas e de outras praças externas abarrotam nosso mercado varejista de roupas, de boa ou ma qualidade. Afora o periodo do q chamamos de entresafra, q é a troca da coleção de inverno pela verao, onde ha queda nos negocios, naturalmente, neste ano ainda nao vimos  reação do segmento textil. Seja por q o calendario nao nos favoreceu, o carnaval foi tarde, a Pascoa logo em seguida, fevereiro voltado a volta as aulas, e o janeiro de ferias, estamos a mingua, ou por causa das importações. É preciso uniao de todas as cadeias do setor pela nossa sobrevivencia.

Prezados parceiros do segmento têxtil, concordo em gênero, número e grau com o que foi exposto neste post, e digo mais. Há vários semestres encontro missões (se assim podemos chamar) de empresários com destino a China, e com o seguinte titulo: China, ameaça ou oportunidade?

A minha resposta é direta: Por favor ACORDEM empresários !!! Estamos caindo numa armadilha gigante, onde ainda pensa-se que é um " negócio da China". Certamente este dizer mudou muito seu significado ultimamente. Já tenho discutido isso com vários colegas de estrada (sou vendedor técnico de químicos auxiliares), e muitos dizem algo que penso ter muito fundamento: A China tem potencial de venda para desindustrializar a Indústria têxtil Brasileira, e todos estão complacentes com isso ao importar essas mercadorias. Se é uma necessidade de sobrevivência atual para empresa, isto pode ser um verdadeiro tiro no pé.

Muito bem, e o que acontece depois que não tivermos mais indústrias têxteis, e somente revendermos produtos importados? Além do caus gerado pelo desemprego em massa, os Chineses SABENDO DISSO, poderão então praticar o preço que quiserem, ou melhor dizendo, chegar na realidade de preço de mercado. Precisamos de uma mobilização muito grande para frear estas políticas expansionistas (sem visão de futuro) de importação da China. E parece que isto está ficando ridículo, pois todos sabem, mas os nossos representantes lá do parlamento não se mexem. Será que adiantaria dizer que eles também vão perder uma parte do salário depois disso tudo? Acredito que os cérebros deles não conseguem processar tal informação.

Abraço a todos, vamos levar adiante o protesto do ACORDA (plágio daquele “chega” da antiga novela da Globo, rsrsrs)

Caros Amigos

Embora eu esteja só ha 10 anos no mercado textil, o que esta acontecendo aos empresários brasileiros do ramo textil é consequencia de uma séries de fatores que escrevo abaixo:

Fator 1 - Atendimento - o empresário textil brasileiro sempre achou que o cliente é que precisava dele, enquanto ele pensa assim os Chineses, os pakistaneses, agora os Iranianos, estam diariamente tentando fazer contato com os magazines brasileiros.

Fator 2 - parque fabril - o empresário brasileiro compra caminhonete, chacara, e sai as 17 e vai para o bar falar mal do governo - o empresário chines, dorme só 6 hrs por noite, vai de onibus a sua fabrica, e todo mes guarda o dinheiro para comprar um tear novo.

fator 4 - qualidade - o empresário usa o termo SPP - ou seja Se passar passou, enquanto os chineses, mandam os seus filhos estudar controle de qualidade nos EUA.

Bom ja até fiquei até injuriado com isso tudo, chega....

 

 

Não podemos fugir a realidade , porem acho que temos que dar tempo ao tempo , tenho certeza que o empresariado do ramo usará sua imensa criatividade , para podermos nos adequar aos poucos , em outubro de 2011 completarei 40 anos de profissão como representante, desafios fazem parte da nossa vida, e este momento

passará, e nos tornaremos mais fortes e mais experientes.

Antonio  Junior

Concordo plenamente ; empresarios precisam ter uma atitude ja ; precisa ser freada aos poucos esta loucura de produtos importados , vejo tambem que é saudavel ao mercado esta concorrencia , mas o governo precisa dar condições para tal , se não futuramente veremos nosso parque fabril deixado as moscas e muitos desempregados . O que nossos representantes , digo sindicatos , estão fazendo para criar um movimento para pressionar este governo ; que não da condições para competir e produzir devido a elevada carga tributaria , sufocando a todos . ACORDA BRASIL !!

Complementando as informações do honorável colega, lembremos que a premissa básica do capitalismo é o própio sistema se autoalimentar, quer dizer quando compramos produtos importados estamos gerando empregos no país de origem e renda no mesmo país, precisamos sem dúvida manter a relação de capital x emprego x consumo no nosso país, tomemos como exemplos a própia política de desenvolvimento no Brasil e mundo, se pararmos para analisar já temos tecnologia para substituir em 50% a mão de obra nas indústrias com a automatização, porém o custo social seria enorme, quando geramos emprego na nossa região , promovemos o desenvolvimento sócio econômico local,ainda mais agora com 50 milhões de pessoas na nova classe média temos que nos unir e através do voto elegermos governantes que pensem no desenvolvimento puro Brasileiro, na loja da minha esposa temos 95% de produtos made in Brazil , porém está ficando cada vez mais difícil manter esta proporção, por exemplo cobertores, por isso temos que promover cada vez mais a cultura e identidade Brasileira através do design, pois diga-se de passagem o design deste importados têxteis deixam muito a desejar!! Fotalecer a identidade Brasil através de criação de mais coleções e lançamentos seria uma saída e a outra evitar o dumping, através de políticas comerciais rígidas e que realmente defendam os interesses do Brasil!                         

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