Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Contra fantasias padronizadas, folionas de SP criam peças do zero e apostam em trocas e reaproveitamento

Troca de acessórios entre amigas, conforto e libertação do corpo feminino ganham destaque na folia deste ano.

Oficina de produção de fantasias de carnaval aconteceu em São Paulo no sábado (8) — Foto: Renata Guimarães/SassaricandoOficina de produção de fantasias de carnaval aconteceu em São Paulo no sábado (8) — Foto: Renata Guimarães/Sassaricando

Em um carnaval com mais de 600 blocos de rua e expectativa de 15 milhões de foliões, como deve ser o de São Paulo em 2020, se destacar no look não é tarefa fácil. Produzir a própria fantasia, recuperando materiais das festas dos últimos anos e trocando acessórios com as amigas, é uma das soluções apontadas por fanáticas por carnaval ouvidas pelo G1.

Contra os figurinos padronizados, elas não dão bola para as fantasias prontas vendidas no comércio popular da Ladeira Porto Geral e por grandes redes, que agora apostam em coleções especiais para o carnaval.

As fantasias criadas à mão são feitas com materiais comprados em lojas de aviamentos da Rua 25 de Março e aliam conforto – tênis e pochetes são prioridade – aos já tradicionais brilhos e paetês.

Produção de fantasias garante figurinos mais criativos, dizem as folionas de São Paulo — Foto: Renata Guimarães/Sassaricando

Produção de fantasias garante figurinos mais criativos, dizem as folionas de São Paulo — Foto: Renata Guimarães/Sassaricando

As roupas fresquinhas, aliás, têm outra vantagem, segundo as folionas: celebrar a libertação do corpo da mulher.

“Nos últimos anos ganhou força esse movimento de empoderamento feminino, então a gente está se sentindo mais segura pra sair só de maiô, com tapa mamilo ou blusa de tule transparente, por exemplo”, afirma Renata Guimarães, criadora da marca de acessórios carnavalescos Sassaricando.

Faça você mesmo

Ladeira Porto Geral, na região central de São Paulo, concentra lojas de fantasias — Foto: Patrícia Figueiredo/G1Ladeira Porto Geral, na região central de São Paulo, concentra lojas de fantasias — Foto: Patrícia Figueiredo/G1

Ladeira Porto Geral, na região central de São Paulo, concentra lojas de fantasias — Foto: Patrícia Figueiredo/G1

Enquanto a Ladeira Porto Geral concentra as lojas de fantasias, que vendem tiaras e roupas prontas para a festa, é na própria Rua 25 de Março e nas pequenas travessas que estão os lojistas especializados em aviamentos. São essas as preferidas da fotógrafa Thay Rodrigues, que sempre faz suas próprias fantasias.

“Essa loja é um parque de diversão pra mim. Às vezes eu nem saio em alguns blocos, mas eu gosto muito de ficar fazendo as fantasias”, conta a fotógrafa Thay Rodrigues.

Thay Rodrigues, fotógrafa, escolhe materiais para fazer sua própria fantasia para o carnaval de SP — Foto: Patrícia Figueiredo/G1

Thay Rodrigues, fotógrafa, escolhe materiais para fazer sua própria fantasia para o carnaval de SP — Foto: Patrícia Figueiredo/G1

A tendência de criar o próprio figurino é relativamente recente em São Paulo, segundo a empresária Renata Guimarães.

"Eu vejo nesses cinco anos de kits de carnaval que, no início, a gente focava em fantasias mais simples, tipo uma tiara e uma saia, algo já pronto”, explica. “Hoje em dia a gente evoluiu para uma fantasia que tem mais elementos, mais autoral.”

Para a estudante universitária Giovana Ventura, o segredo é algum aproveitar peças que são, literalmente, de outros carnavais.

“Eu estou querendo ser o mais sustentável possível, então esse ano quis fazer a fantasia com alguns materiais reciclados de outras roupas minhas ou com materiais que eu possa usar depois para outras coisas”, afirma a estudante Giovana Ventura.

Pochetes coloridas são vendidas em loja da Rua 25 de Março — Foto: Renata Bitar/G1

Pochetes coloridas são vendidas em loja da Rua 25 de Março — Foto: Renata Bitar/G1

Uma das vantagens de fazer o próprio figurino é não precisar de um tema específico, explica a redatora publicitária Flávia Akemi. Além de reciclar coisas do ano anterior, ela também recomenda investir em peças que podem ser usadas fora do carnaval, como, pochetes biquínis e maiôs.

"Você não pensa tanto em temas, ir fantasiada de algo como sereia ou unicórnio, mas vai juntando o que você já tem e coisas que quer usar", explica Flávia.

Flavia Akemi aproveita materiais como guirlandas de papel para construir fantasias de carnaval — Foto: Arquivo pessoal

Flavia Akemi aproveita materiais como guirlandas de papel para construir fantasias de carnaval — Foto: Arquivo pessoal

Já para Elisa del Nero, educadora, a melhor parte é se juntar com as amigas para fazer trocas de itens já utilizados, comprar os materiais e confeccionar as peças, tudo em grupo.

"É a parte mais legal do carnaval, a confecção de fantasias. Eu venho com elas aqui na 25 de Março e a gente vai comentando e ajudando nas fantasias todas", conta Elisa Del Nero.

A educadora Elisa Del Nero escolhe tecidos para confeccionar sua fantasia de carnaval em São Paulo — Foto: Patrícia Figueiredo/G1

A educadora Elisa Del Nero escolhe tecidos para confeccionar sua fantasia de carnaval em São Paulo — Foto: Patrícia Figueiredo/G1

Fantasias criativas

Para fugir dos temas manjados, as frequentadoras mais dedicadas investem em figurinos com críticas políticas ou piadas que bombaram na internet.

“Neste ano a minha ideia é algo engraçado. Eu estou tentando pegar a referência de memes, então vou de dengue chateada, porque ninguém dá atenção para essa doença depois do coronavírus”, brinca a estudante universitária Geisa Grodin.

Para Geisa, a escolha da fantasia se baseia em um tema atual e a festa de carnaval é uma válvula de escape, um meio de criticar e se posicionar sobre temas de relevância social.

“Ninguém aguenta mais unicórnio, né? Então eu acho que o que deve bombar neste ano, em termos políticos, são três temas: o derramamento de óleo no Nordeste, os incêndios na Amazônia e as declarações mais recentes da ministra Damares Alves, sobre abstinência sexual, que já viraram até nome de bloco”, acredita Renata Guimarães.

Lojas de aviamentos são procuradas por foliões para buscar materiais de fantasias de carnaval em SP — Foto: Patrícia Figueiredo/G1

Lojas de aviamentos são procuradas por foliões para buscar materiais de fantasias de carnaval em SP — Foto: Patrícia Figueiredo/G1

As tendências

Vendedoras de lojas da 25 de março e amantes de carnaval acreditam que uma das tendências para este carnaval são as hotpants, uma peça de cintura alta que pode ser considerada intermediária entre o shorts e a calcinha. Para a publicitária Flávia Akemi, a peça favorece o conforto para ninguém passa calor nos blocos de rua.

“Tem o fato de a gente querer usar coisas e revelar o corpo, mas também tem o calor, e os homens já usam menos roupa. Você pula e fica muita gente junta, então você quer usar menos roupa mesmo”, afirma Flávia.

Hotpants e maiôs para fantasia de carnaval à venda na Rua 25 de Março, no Centro de SP — Foto: Renata Bitar/G1

Hotpants e maiôs para fantasia de carnaval à venda na Rua 25 de Março, no Centro de SP — Foto: Renata Bitar/G1

"Acho que isso é muito importante, porque o corpo feminino vem sendo censurado e sofrendo com as amarras da visão patriarcal há um longo tempo", afirma Elisa.

Outras tendências que estão crescendo em vendas, segundo vendedoras de lojas da 25 de Março, são brincos coloridos, adesivos para os seios, peças neon e pochetes com glitter.

Aprenda antes do carnaval: dicas para criar sua fantasia sem gastar muito

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A empresária Renata Guimarães aposta ainda em fantasias baseada no filme Bacurau, em looks com estrelas e constelações e também nos memes de Santa Ceciliers (moradores do bairro Santa Cecília e seu estilo de vida típico) e Faria Limers (pessoas que frequentam a Faria Lima, usam patinete elétrico, se vestem com roupas sociais e utilizam gírias em inglês a todo instante).

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