Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

Tão delicado e ao mesmo tempo tão controverso é o lugar, assim como a própria noção ou existência, de uma Crítica de Moda no mundo como um todo e no Brasil, em particular.

Hostilizados e estigmatizados nos meios universitários e jornalísticos, por exemplo, a Crítica de Moda e o Jornalismo de Moda ocupam um lugar em suspensão e alvo de incontáveis críticas, não só por sua recente existência, mas também por suas estreitas e, muitas vezes, indissociáveis relações com as marcas que os sustentam.

Diferentemente de outros tipos de jornalismo, as ligações entre patrocinador e aparição midiática são demasiado aparentes para que as ignoremos. Em seu livro Moda e Filosofia, Lars Svenden questiona a viabilidade de um tal jornalismo e, sobretudo, de uma tal Crítica.

Costanza Pascolato propõe uma reflexão em torno do tema na edição de julho da Vogue brasileira. Seus textos, que ganham densidade e pertinência incomuns a cada nova edição da revista onde mantém sua coluna, contribuem de maneira surpreendente para que, além de designers e marcas, haja igualmente um espaço dedicado à reflexão sobre a moda, uma vez que este esforço reflexivo contribuirá, caso o saibamos aproveitar, para fortalecer nossa moda, que recentemente sofreu baques dolorosos como a invasão das marcas estrangeiras no Brasil com todo o seu savoir-faire e poder promocional, por exemplo.

A empreitada em nome desta reflexão já possui uma história no país, capitaneada por teóricos como Kathia Castilho, autora de vários livros que se recusam à tarefa de determinar como e o quê as pessoas devem vestir e nome à frente da Estação das Letras e Cores, editora que, assim como a Senac SP e Anhembi-Morumbi, promovem diálogos entre a Moda e os mais diversos saberes com os quais possa manter alguma forma de aproximação ou tensão.

O texto de Pascolato, inspiração para este breve esboço de pensamento aqui, menciona Suzy Menkes, respeitada jornalista inglesa que mantém uma coluna no International Herald Tribune e Tim Blanks, que acaba de ser agraciado com um prêmio do CFDA (Council of Fashion Designers of America) pela importância de sua contribuição reflexiva para uma área em que, como bem lembra Costanza, o conhecimento balizado da História da Moda é um requisito mínimo, ainda que nem sempre presente nos textos que apresentam coleções sem qualquer embasamento teórico.

O tapa com luva da mais fina pelica da papisa da moda brasileira aponta para a assustadora inconsistência com que se assinam os blogs mais diversos nos quais a inteligência e o refinamento intelectuais inexistem. Superfícies midiáticas de onde se ausentaram tristemente toda e qualquer contribuição para novos rumos que a moda, como expressão cultural e mercadológica, possa vir a tomar.

A recente demanda por profissionalização na moda exigirá, tenho fé, que os mais variados postos de trabalho em um mercado crescentemente competitivo sejam ocupados por profissionais que terão lido textos tão ou mais instigantes que esta preciosa e delicada gema ofertada por uma das mulheres mais verdadeiramente elegantes que o mundo e este país, especialmente, já tiveram oportunidade de contemplar. Uma mulher descobre-se isto a cada dia, tão mais elegante, pois que mais sofisticada intelectualmente.

Novas auroras se anunciam no dobrar a esquina, assim como tudo o que pertence à moda, a busca pela excelência formativa, seja por meio de cursos ou livros, também contribuiu para a construção da majestade nobre e aristocrática de Costanza Pascolato.

http://finissimo.com.br/2013/07/15/costanza-pascolato-uma-vez-mais-...

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