Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Custos e burocracia comprometem competitividade da indústria brasileira

Produto nacional é 33,7% mais caro do que o fabricado pelos principais parceiros do País

Agência Estado

Indústria de calçado encontra entraves para ter preços competitivos Célio Messias/ Estadão Conteúdo

A via-crúcis da indústria, o Brasil já perde na largada. Ainda na fase da construção, o investidor que decide levantar uma fábrica em território nacional gasta até 8,75% mais comparado a outra nação. Quando chega a hora de produzir, os problemas se avolumam, a burocracia aumenta e os custos na operação se multiplicam. Se quiser exportar, terá de superar até 17 processos alfandegários diferentes e uma infraestrutura precária para conseguir inserir o produto no mercado internacional. No final, o resultado dessa equação perversa é um produto 33,7% mais caro do que o fabricado pelos principais parceiros do País.

Nesse ritmo, a indústria nacional vai ficando para trás. Na semana passada, um novo indício de que algo está errado no Brasil. O País perdeu mais uma posição no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial. Em 2012, o País ocupava o 48.º lugar; caiu para 56.º em 2013; e agora está no 57.º. O resultado deixou a economia brasileira atrás de nações como Chile, Panamá, Costa Rica e Barbados.

A lista de problemas que atrapalham a competitividade nacional é extensa. Inclui a carência da infraestrutura, falta de produtividade, elevada carga de impostos, mão de obra deficiente e uma base tecnológica defasada. Junta-se aí a alta taxa de juros e a moeda valorizada. Está formado o chamado custo Brasil, que sufoca as empresas.

O reflexo desses obstáculos fica evidente na escalada do déficit comercial da indústria de transformação, que fechou o ano passado em US$ 59,7 bilhões. Até 2007, o saldo estava positivo em US$ 18,7 bilhões.

O ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Julio Sérgio Gomes de Almeida, afirma que nos "últimos 25 anos, o Brasil foi perdendo intensidade na sua indústria, foi se voltando cada vez mais para dentro, para o seu mercado interno, sem aquela oxigenação que uma projeção externa é capaz de dar".

A balança comercial da indústria piorou sobretudo depois da crise internacional de 2008. Com a economia mundial em recessão e pouco disposta a consumir, houve um excedente de produtos no mercado. Economias emergentes em expansão, como a brasileira, se tornaram, então, alvo de uma enxurrada de produtos importados.

Na avaliação do diretor-superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Fernando Pimentel, "a indústria é o elo mais exposto às assimetrias entre o mercado nacional e os concorrentes. Disputamos aqui e lá fora"

A situação se agravou porque o real também se valorizou em relação a moedas dos principais parceiros comerciais. Com produtos mais caros, a indústria brasileira perdeu espaço no exterior e também no mercado interno. José Augusto de Castro, presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), afirma que "não é função da taxa de câmbio compensar a defasagem de custos em outros segmentos"

— Mas, cada vez que o real se valorizava, o preço de exportação se tornava mais elevado e o de importação mais barato.

Um exemplo clássico de como o País ficou caro é o aumento das viagens dos brasileiros para fazer compras no exterior. O destino preferido tem sido os outlets dos Estados Unidos. Por ano, os turistas trazem do exterior mais de 50 mil toneladas de roupas nas malas. Hoje, diz Pimentel, uma mesma peça no Brasil custa 30% mais que no exterior. A valorização da moeda brasileira também criou um descompasso entre o preço do produto brasileiro e o importado no setor de calçados.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, Heitor Klein, explica as dificuldades para concorrer com o mercado internacional.

— A grande maioria dos insumos é nacional e foi pago com moeda forte. Tudo isso causou uma dificuldade de formar preços competitivos para concorrer no mercado internacional com outros países produtores, notadamente os asiáticos.

Esta dificuldade de competir fica evidente sobretudo com o produto chinês. Em julho deste ano, o preço médio do calçado brasileiro estava em US$ 8,47, enquanto o calçado chinês variava de US$ 5 a US$ 6.

A grande diferença fez com que o Brasil perdesse espaço nos Estados Unidos, a maior economia do mundo. Em 1993, no melhor ano nas exportações para os americanos, a fatia da importação dos produtos brasileiros respondia por 13%, e a China tinha 7%. Hoje, os asiáticos respondem por 80% das compras dos EUA.

Entre os produtores de máquinas e equipamentos, o custo adicional para fabricar no Brasil é ainda mais devastador. Hoje, onera em 37% a produção nacional comparada com a fabricação na Alemanha e nos Estados Unidos. Além do custo do insumo, os três principais vilões são a elevada taxa de juros, os impostos não recuperáveis e a logística.

Com essa diferença nos preços, não só os empresários do setor de bens de capital têm sido atingidos pelas importações como também os produtores de matéria-prima. No setor de aço, as importações indiretas (aço embutido na compra de bens) aumentaram 73,6% entre 2008 e 2013. No ano passado, a produção do setor caiu 1% e manteve o mesmo ritmo até julho.

O presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Mello Lopes, enfatiza que "não se pode ter uma economia forte com uma indústria fraca. É preciso haver uma correção das assimetrias de custos em relação aos concorrentes".

Na avaliação de Carlos Braga, professor de política econômica internacional do International IMD (Institute for Management Development), a indústria tem razão de reclamar. Além do custo Brasil, a taxa de câmbio ainda teria de se depreciar entre 10% e 15% para dar mais fôlego para as empresas. Por outro lado, o professor afirma que a baixa competitividade da indústria também é reflexo do elevado grau de protecionismo da economia brasileira. Mas ele alerta: promover a abertura econômica requer redução dos custos internos e uma série de ajustes.

http://noticias.r7.com/economia/custos-e-burocracia-comprometem-com...

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TUDO ISTO E MUITO MAIS E AQUI NO NORDESTE ENTAO, A LOGISTICA E MUITO PIOR E OS ORGAOS PUBLICOS ABUSAM DO PODER DE NAO FAZEREM NADA, APENAS DIZ E ASSIM MESMO E VOCE VAI TER QUE ACEITAR, POREM NAO ACEITO CORRO ATRAS E VOU ATE OS CABEÇAS, PORQUE O NOSSO TRABALHO E DESTRUIDO TODO DIA PELOS ORGAOS PUBLICOS JA PERDI VARIOS CLIENTE DEVIDO A MERCADORIA RETIDA NA RECEITA FEDERAL, TER A ORDEM DE PAGAMENTO DEVOLVIDA PELA INOPERANCIA DO BANCO DO BRASIL, MOSTRUARIO EXTRAVIADO  PELO EXPORTA FACIL E AULTIMA QUE DESCOBRI E QUE EXPORTAR VIA MARITIMA E PIOR AINDA TIVE UMA CARGA DEIXADA NO CHAO POR TRES VEZES, DETELHE: NUNCA ENTREGUEI UMA MERCADORIA COM UMA DIA DE ATRASO, SEMPRE ENTREGO ADIANTADO

Sra Francisca Gomes, a senhora, infelizmente está certissima, não temos politica industrial governamental nenhuma, a CNI faz um trabalho hercúleo e não consegue muito coisa diante do emaranhado que são os órgãos governamentais, com isto somos totalmente atrasados, temos o maior custo do mundo no famoso custo Brasil e esta turma que está ai, do PT não vai mudar nada, afinal estão a 12 anos e só conseguiram piorar. Investir, ser empresário no Brasil é uma loucura, é coisa para maluco... vide a legislação trabalhista que nos cria um passivo incalculável e uma total e plena insegurança jurídica, não sei onde eles querem chegar com este modelo de politica industrial. Vamos rezar, é isto que nos resta. Amém. 

PREZADO ANTONIO, NAO É SOMENTE O PT, PELO MENOS ELES CRIARAM A LEI GERAL DA MICROEMPRESA QUE REDUZIU NOSSOS IMPOSTOS DE 17 PARA 3%, COISA QUE NEM UM OUTRO GOVERNO FEZ, A CNI NAO CONSEGUE NADA PORQUE NAO LUTA PELAS PEQUENAS INDUSTRIAS, ELES ESTAO LA PARA TER BENEFICIOS DIFERENCIADOS PARA UMA ELITE INDUSTRIAL,  VAI UM DE NOS MICRO EMPRESARIO AQUI DO NORDESTE OU DO SUL DO PAIS TENTAR SE UNIR A CNI, ELES OLHAM PARA VOCE DE CIMA PARA BAIXO E TEM NOJO, QUANDO NA VERDADE QUEM GERA 60% DOS POSTOS DE TRABALHO NESTE PAIS SOMOS NÓS, POREM NOS NAO USAMOS UM TERNO ARMANI, NAO ANDAMOS DE BMW, AS MULHERES NAO USAM BOLSA louis vuitton E AINDA TEMOS UM PESSIMO HABITO DE LITERALMENTE COLOCARMOS AS MAOS NA MASSA, AGORA QUANDO OS MAGNATAS BURROS DA CNI OLHAR PARA ESTE EMPRESARIO SEM PRECONCEITO E SIM COMO UM PARCEIRO AI SIM PODE SER QUE ELES CONSIGAM ALGUMA COISA, PORQUE COMO UMA PEQUENA REPRESENTANTE DO SETOR TEXTIL DESTE ESTADO ESTOU SOLICITANDO UMA REUNIAO EM BRASILIA COM ALGUNS ORGAOS QUE COMPLICAM NOSSA VIDA E ESTRAGAM NOSSO TRABALHO COMO A RECEITA FEDERAL E OUTROS, AGORA PERGUNTA SE A CNI VAI QUERER ESTAR PRESENTE, IMAGINA SE A CNI VAI SENTAR COM UMA MICRO EMPRESRIA QUE FATURA ABAIXO DE UM MILHAO POR ANO, CERTAMENTE ELES NEM ME ATENDE NO TELEFONE, ENTAO MEU AMIGO ENQUANTO O SETOR INDUSTRIAL ESTIVER DIVIDIDO PELOS CIFROES, NINGUEM VAI CONSEGUIR ABSOLUTAMENTE NADA.

Concordo em partes, procure a Federação das Industrias, preferencialmente através do seu sindicato e verá que eles a tratarão sem olhar seu faturamento, digo isto porque também sou pequeno e toda vez que precisei da FIEMG - Federação das Industrias de Minas Gerais, sempre fui atendido e a demanda, geralmente solucionada. Também pensava assim, mas tenho certeza que a CNI, atenderá e muito bem. Faça um teste, procure, solicite o apoio e depois me fale.

QUE BOM QUE AI EM MINAS FUNCIONA, O DAQUI DA PARAIBA SO SERVE PARA UMA EMPRESADA CUNHADA DO PRESIDENTE QUE E A PRESIDENTE DO SINDICATO DA QUAL VIVE SENDO ACUSADA DE PRATICAS MUITO CORRETAS EM RELAÇAO AOS AGRICULTORES DO ALGODAO COLORIDO, PODE TER CERTEZA QUE AQUI NO MEU ESTADO NAO VALE A PENA, ELES SEQUER ATUALIZAM OS TELEFONES DAS EMPRESAS, NO CADASTRO DELES TEM  OS CNPJ DE EMPRESAS QUE NEM EXISTEM MAIS, ME DESCULPE ANTONIO, MAS NOSSA REALIDADE É MUIIIIIIIIIIIIIIITO DIFERENTE DE VOCES, AQUI O PEQUENO E SOMENTE UM NUMERO, SOLICITEI UMA AUDIENCIA COM O PRESIDENTE DA FIEP A UM ANO, SEQUER TIVEMOS RESPOSTA, MANDEI UM EMAIL  COM COPIA PARA A DIRETORA REGIONAL, CONFORME VOCE VER ABAIXO E NUNCA OBTIVE RESPOSTA, ENTAO ANTONIO COM ESTAS REALIDADES TAO DIFERENTES E COM OS NOSSOS ORGAOS QUE TEORICAMENTE SERIAM PARA NOS PROTEGER E PARA ESTES NOS NEM EXISTIMOS, VOCE ACHA QUE GOVERNO VAI ATENDE-LOS SABENDO QUE POR TRAS DELES EXISTE ESTA DISCRIMINAÇÃO E DESUNIAO E DESCASO COM OS PEQUENOS?

Prezado Sávio, estou copiando Senhora  Sonia, a Senhora Patricia Gonçalves e a Coordenação Interina do Comitê Gestor do Algodão Colorido da Paraíba, pois já solicitamos que seja preparada a reunião deste referido Comitê logo após o término da copa.
Até o momento não recebemos nenhuma resposta sobre as consultorias que solicitamos todo ano por exigência da APEX, para termos o subsídio na compra dos stands internacionais, alem do mais o prazo esta se esgotando e a consultora credenciada do TEXBRASIL/APEX, ainda não pode agendar nada, para nós não tem problema em solicitar tudo direto ao Sebrae, porem seria bom lembrar que o SENAI se comprometeu perante este Comitê que não iam nos tirar o apoio porem até agora tivemos apenas a oferta de duas passagens em janeiro, que só  recebemos uma e a outra nos foi negada depois de quase um mês esperando.
Então Senhor Sávio, espero que não demore mais do que esta semana para nos responder, porque nós temos prazos a cumprir e que devido a esta Instituição estamos todos com todas as nossas ações atrasadas, apesar de termos enviado nosso planejamento em agosto do ano passado.
Também peço a gentileza de que se o SENAI não vai mais nos apoiar que faça isto oficialmente, pois nós salvamos a cadeia produtiva da sêca, fica a cargo dos Órgãos competentes deste Estado dar continuidade a este trabalho ou não, porem preciso que seja oficializado para convocarmos as empresas e avisar, para que não seja nos causado mais transtornos do que já vem causando.
Antes de concluir quero lembrá-los que foi usando o argumento a produção do Algodão Colorido neste Estado que este Órgão conseguiu atrair os investimentos para o Instituto Tecnológico.
Aguardo resposta
Atenciosamente
Francisca Vieira
Presidente da AIVEST-PB
83 3241 6197 
9640 4584 tim 
8863 0945 oi

Peço desculpas... como se fala por aqui, matou a cobra e mostrou o pau. Infelizmente o setor textil, confecção e afins, anda agonizando em todo país e quase nada é feito para reverter o atual quadro.

se voce fosse presidente voce ia olhar para um setor totalmente desorganizado como é o nosso ou ia olhar para quem chega la unido, falando a mesma lingua como é o caso do agrobusiness, das montadoras, construção civil....? 

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