Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Debatedores reclamam de tributos em excesso e concorrência desleal no setor têxtil

Importações brasileiras de vestuário aumentaram 2.270%, de 2003 a 2013

Empresários e trabalhadores do setor têxtil afirmam que a crescente importação de peças de vestuário fabricadas com mão de obra barata e a alta carga tributária brasileira são dois dos principais desafios da indústria têxtil e de confecção.

Eles participaram de debate sobre a desindustrialização do segmento no Brasil, nesta quinta-feira (24), promovido pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados.

De acordo com a Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), as importações de vestuário subiram 2.270% entre 2003 e 2013, saindo de 100 milhões de dólares para 2,37 bilhões de dólares. 

“Estamos enfrentando a China, Índia, Bangladesh e Peru. Nenhum trabalhador nosso queria trabalhar lá, mas não olhamos a etiqueta ao comprar esses produtos”, disse o diretor superintende da Abit, Fernando Pimentel.

Para ele, porém, a solução não é fechar o mercado brasileiro às importações. “Ninguém quer banir o comércio; o Brasil já fez isso e se deu muito mal com reservas de mercado. Mas temos de discutir as questões de produção”, afirmou.

Excesso de trabalho
Já o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Setor Têxtil, Vestuário, Couro e Calçados, José Ricardo Leite, afirma que o setor precisa urgentemente de ajuda.

“Para fazer concorrência com produtos importados, estamos fazendo excesso de jornada de trabalho, para não aumentar os custos com novas contratações”, disse.

Carga tributária
O diretor do Departamento de Indústrias Intensivas em Mão de Obra, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Marcos Otávio Prates, reconheceu que a alta carga tributária é um dos principais entraves do setor têxtil.

“O Brasil precisa de uma reforma tributária. Isso não é um problema de governo, mas da sociedade”, afirmou. Segundo ele, “a questão é complexa, mas precisa ser enfrentada por toda a sociedade para se chegar a uma solução”.

E acrescentou: “O ministério está atento e convergente com a indústria para combater as taxas irreais de comércio”, disse, se referindo aos custos reduzidos das confecções asiáticas que chegam no Brasil.

Marcos Prates afirmou que a redução tributária sugerida pelo diretor superintendente da ABIT, Fernando Pimentel, de 17% para 5% sobre a receita bruta, é um “regime dos sonhos”, mas que precisa ser aceito pela área econômica do governo. “No MDIC apoiamos, mas tem de ver com a Fazenda”, disse.

Gargalo
A representante da Direção Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Francisca Trajano dos Santos, lembrou que a carga tributária não é o único gargalo do setor, que enfrenta problemas de infraestrutura, baixa qualificação da mão de obra e excesso de burocracia.

“Precisamos tirar uma agenda para destrinchar esses temas que são um entrave no setor”, disse, ao falar sobre a necessidade de empresários, trabalhadores e governo se unirem.

Subsídios
O presidente da comissão, deputado Augusto Coutinho (SDD-PE), que solicitou o debate, alertou que “o governo dá um subsídio grande para o setor automobilístico quando o têxtil emprega o triplo da mão de obra”.

Ele anunciou que haverá mais debates sobre a desindustrialização em outros setores da economia como o sucroenergético, produção de álcool como fonte de energia, e o metal-mecânico.

Quarto lugar
O Brasil é o quarto maior produtor mundial em vestuário, com 2,6% do total. Muito distante da China, que lidera o segmento com 47,2% do total, seguido por Índia (7,1%) e Paquistão (3,1%). O vestuário representa quase 5% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação e mais de 10% dos empregos nesta atividade econômica, de acordo com a Abit. O faturamento anual está em 56 bilhões de dólares.

No entanto, a indústria de vestuário teve queda significativa no volume de produção nos últimos meses, segundo o Sindivestuário (que reúne as entidades industriais de roupas e confecções). Apenas no período de janeiro a outubro de 2013 o setor teve retração de 10,63%, declínio atribuído ao aumento da entrada de importados no País.

Fonte: Agência Câmara

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Nada de novo nas reinvidicações.

Mas vejamos:

A cadeia automobilística é responsável por R$1 em cada R$10 movimentados na economia do Brasil, e é um dos maiores recolhedores de impostos. Portanto é um bom cliente para o governo. Lógico os governantes se preocupam mais com esse setor.

Pleitear o mesmo tratamento para a cadeia têxtil que nem aparece nas listagens de recolhimento de impostos do Ministério da Fazenda, é não ter noção do posicionamento macroeconômico.

Esperar que o governo faça algo contra a importação, uma vez que tributa 70% essa prática (e veja, esse recolhimento é mais real e factível ao governo do que os tributos recolhidos nas operações internas do setor).

Postular que os 1,7 milhões de empregos representam um ativo a ser considerado; é desconhecer que os outros 1,3 milhões já perdidos em 20 anos não fizeram falta a economia global do país que ainda enfrenta dificuldades na obtenção de mão de obra para o trabalho em todos setores da economia do país.

Pedir redução de impostos para a cadeia têxtil, possibilita uma equidade na concorrência interna, onde aqueles que recolhem seus impostos poderão concorrer com aqueles que sonegam; mas isso irá aumentar a atividade global ou apenas garantirá a equidade da concorrência interna?

Vejamos, um pouco mais: Se reduzirmos os impostos de 17% para 5%, ou mais ainda, se retirarmos todos os tributos na venda do vestuário trará competividade contra a importação? Considerando-se que fretes,lucros e custos financeiros não se alterem teremos uma redução de 60% nos preços finais. E considerando-se que esses 60% realmente sejam repassados para o consumidor, seriamos realmente competitivos com os importados?

Os importados  chegam tributados ao varejo com cerca de 83%, e estão fazendo o estrago que estão fazendo no mercado ; imaginem se por pressão de um varejo internacional crescente no país essa tributação seja zerada? Ficaríamos competitivos?

Ora senhores, falar em sobrevivência do setor sem falar em aumento de produtividade, qualificação da mão-de-obra, preparar a cadeia têxtil para a exportação, eliminação dos entraves sociais onde não-trabalhar é mais lucrativo que trabalhar, é uma prática populista, que infelizmente está contaminando as discussões.

Falar que o governo é culpado de tudo, que o empresário é um crápula é dizer o que todos querem ouvir , e isso não irá resolver a competitividade da cadeia têxtil.

Fazer propaganda em horário nobre da TV, não ajuda a qualificar melhor a mão de obra; afinal porque a propaganda? Fazer publicidade resolve apenas a satisfação política estatal ou institucional; não resolve o problema de uma politica industrial.

Enfim, na minha opinião essa discussão está manca, assim não ajudará a cadeia têxtil ir muito longe....

Concordo plenamente... em uma realidade onde encontrar mão-de-obra é difícil é complicado falar de competitividade sob qualquer ponto de vista. Por que falamos de perda de postos de trabalho enquanto os grandes polos têxteis brigam por cada costureira, cortador, modelista ou profissional de confecção disponível? O fato são dois: O primeiro é que a realidade do Brasil hoje é diferente. O setor têxtil concorre com outros setores bem mais atraentes ao trabalhador que tem opções à escolha. O segundo é que não há política de formação por parte da maior parte da indústria. O setor têxtil pode não ser importante para o país economicamente, mas o é socialmente. se querem cobrar algo do governo, que se cobre a educação, e a educação profissionalizante. Que se instale indústrias nos diversos bolsões de miséria existentes neste país, ensine o trabalhador a trabalhar e o empregue. Mas isso também é difícil, e por quê? Porque nestes casos compensa mais não trabalhar do que trabalhar, como disse o amigo acima... E neste ponto o governo é culpado, pois mantém uma massa de manobra às custas da competitividade da indústria e da dignidade pessoal de cada beneficiário de programas sociais, que de fato dão pão ao faminto, mas não dão futuro à ninguém....

Em suma: Empresários, mobilizem-se... se têm de cobrar algo sólido do governo, cobrem desburocratização, cobrem educação e parcerias na formação de profissionais onde hoje não há esperança de futuro. E ofereçam mais do que empregos: ofereçam futuro. Vocês não são responsáveis pelas pessoas que hoje padecem miséria, mas poderão vislumbrar um futuro próspero em troca da prosperidade destas pessoas. Basta agir com ética e profissionalismo e com certeza serão recompensados. Invistam em tecnologia e gestão. Na crise isso faz diferença, sem dúvida. Automatizem quantos processos puderem e sustentem seu crescimento com dados e projeções, persigam o futuro através de metas, estabelecidas com vigor através de indicadores confiáveis e não no "feeling". Quando a crise aperta se faz diferença entre os que se prepararam e os que hão de sucumbir.

Governo: Punam os sonegadores, os maus empregadores e empresários com rigor, para que haja igualdade de competição e o bom empregador e empresário não se veja tentado a abandonar as boas práticas ou fechar as portas. Fomentem o desenvolvimento onde não existe perspectiva à médio e longo prazo, a fim de que indústrias com poder de transformação econômica e social como a indústria têxtil e do vestuário possam se instalar. Equilibrem a balança de desigualdade através da possibilidade de crescimento digno ao cidadão e não às custas de um sustento que infantiliza e empobrece as pessoas na sua capacidade de lutar e prosperar que cada brasileiro tem. Talvez eles não votem mais em vocês na próxima eleição, mas este legado será ímpar na história de um Brasil tão acomodado às desculpas e lamentações...

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