Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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Em PE, Comprador de Tecido que Pode ser Lixo Hospitalar Depõe à Policia Federal

Depoimento de Altair Teixeira de Moura durou cerca de três horas.
Segundo advogado, cliente teria sido enganado pela empresa exportadora.

Foi ouvido na tarde desta quarta-feira (19) pela Polícia Federal, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, Altair Teixeira de Moura, dono da empresa que importou dos Estados Unidos tecido suspeito de ser lixo hospitalar. O depoimento durou cerca de três horas e, na saída, ele não conversou com a imprensa, mas seu advogado, Gilberto Lima, atendeu os jornalistas, conforme mostra reportagem exibida no NETV 2ª Edição.

Segundo Lima, o empresário seria vítima da companhia exportadora. As peças teriam sido compradas pela empresa de Altair de Moura para serem aproveitadas na fabricação de forros de bolso, no Agreste do estado. "Foi constatado pelo importador que aquele lixo hospitalar não foi comprado por ele, ele não importou aquilo, aquilo não é dele. Na verdade, ele fez uma encomenda à empresa exportadora, mas de tecidos novos."

De acordo com o advogado, Altair Teixeira de Moura tem uma empresa no ramo de confecções e forros de bolso desde 2009, tendo feito regularmente, desde então, importações de tecidos, de material seguro e livre de irregularidades. Essa foi, segundo ele, a primeira vez que o cliente recebeu uma carga diferente da encomendada.

"Esperamos que esses laudos [do Instituto de Criminalística, que está analisando amostras do tecido retido em Suape] comprovem que a mercadoria é nova, que o tecido é novo e que não é contaminado, tal como já foi realizado em outras importações anteriores, quando o laboratório da Universidade Federal de Pernambuco colheu também amostras na alfândega do Porto de Suape e concluiu que os tecidos eram novos e não eram contaminados”, disse Gilberto Lima.

O advogado falou também por que razão o dono da empresa demorou a procurar a polícia. "Precisávamos conhecer o panorama completo do que estava acontecendo para nos posicionarmos, para termos o que dizer, tanto na própria defesa como também no pedido de apuração de responsabilidade", encerrou.

O delegado Humberto Freire explicou que o dono da empresa é, até o momento, considerado pela Polícia Federal apenas um investigado. "O proprietário dos estabelecimentos comerciais para onde se destinava aquela carga consta no inquérito, por enquanto, como investigado. Nós vamos, no curso da investigação, apurar as responsabilidades”, disse.

Mais flagrantes
Também nesta quarta-feira, uma loja no centro de Santa Cruz do Capibaribe, Agreste pernambucano, foi interditada pela Polícia Civil em cumprimento a uma ordem judicial. No local, agentes encontraram tecidos com caracteres em idioma estrangeiro, bem parecidos aos que estavam em outro depósito fechado na cidade, para onde iriam as cargas de lixo hospitalar apreendidas no Porto de Suape, no dia 11 de outubro.

De acordo com a polícia, o empresário suspeito de importar o material norte-americano retido em Suape - Altair Teixeira de Moura - seria ex-proprietário do estabelecimento. Amostras dos tecidos foram colhidas e enviadas para perícia.

Mais cedo, em Caruaru, também no Agreste, a reportagem do G1 encontrou outra loja que vendia tecidos com inscrições em inglês, semelhantes ao apreendidos pela Receita Federal, em Suape. Nos panos, comprados há pelo menos seis meses de um mesmo fornecedor de Santa Cruz do Capibaribe, é possível ler as inscrições "serviço de saúde" em inglês, como nos encontrados em um hotel em Timbaúba por uma equipe de reportagem da Globo Nordeste. Segundo o dono da empresa, Jorge Torres, eles servem para fazer fronhas, lençóis e forros.

Investigações
Ainda nesta quarta, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Wilson Damázio, disse que o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, já se dispôs a colaborar nas investigações sobre o lixo hospitalar que entrou de forma ilegal no Brasil. “Muitas diligências já estão sendo realizadas e há a possibilidade de vir para Recife um representante do FBI para acompanhar essas investigações e nos apoiar no que for possível."

Mais de 60 amostras de material suspeito foram coletadas até agora. A investigação tem interesse especial, segundo Damázio, no material bruto encontrado em contêineres de Suape. “A prioridade é detectar que manchas são aquelas. Se é sangue, algum tipo de excremento, algo que venha a prejudicar a saúde de quem manuseia”, questiona. O secretário diz que testemunhas já foram ouvidas e que o inquérito está bastante avançado.

No Brasil, a Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades pelo desembarque de contêineres com lixo hospitalar vindos dos Estados Unidos, que apontam para a prática de crimes de contrabando, ambiental e uso de documento falso. A investigação pretende rastrear a compra do material e saber se o produto foi distribuído em outras partes do Brasil.

Fonte:|http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2011/10/em-caruaru-pe-import...

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