Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Empresa de Barbacena ameaça fechar e funcionários protestam

Companhia Têxtil Ferreira Guimarães conta com 220 funcionários.
Empresa enfrenta dificuldades desde 1996, segundo gestor.

Ferreira Guimarães Barbacena (Foto: Arquivo Pessoal/José Ferreira)Manifestantes lutam por seus empregos
(Foto: Arquivo Pessoal/José Ferreira)

Funcionários da Companhia Têxtil Ferreira Guimarães, em Barbacena, se reuniram no pátio da empresa, na manhã desta quinta-feira (19), para protestarem sobre o possível fechamento do local em outubro. De acordo com o gestor da companhia, José Antônio Reis Ferreira, cerca de 200 funcionários e familiares se mobilizaram em torno da causa.

Segundo ele, a empresa vem enfrentando dificuldades desde 1996, com a entrada de tecidos chineses no Brasil. “Nessa época muitas indústrias não conseguiram se manter e acabaram fechando. Nós conseguimos devido à qualidade do nosso produto. Porém, também passamos por problemas”, comentou.  Em 2007, a administração do local entrou com um pedido de recuperação judicial. “A companhia apresentou um plano para o pagamento das dívidas, que não foi aceito pelos credores. Isso culminou com a falência em 2009”, disse.

Porém, de acordo com ele, apesar da falência ter sido decretada, os negócios tiveram continuidade nas sedes de Barbacena e Juiz de Fora. “A intenção era vender o negócio para outra empresa do ramo têxtil em um leilão. No entanto, não houve nenhum interessado. Em seguida, nós tivemos uma reunião com a juíza da Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Márcia Cunha, na qual foi dito que o Ministério Público se manifestou favorável ao fechamento da empresa. Desta forma, o imóvel será vendido e os credores serão pagos. A provável data para que isso aconteça é o dia 30 de outubro, mas não é nada confirmado ainda”, destacou.

Empregos em risco
Atualmente a Ferreira Guimarães conta com 220 funcionários em Barbacena e produz 330 mil metros de tecido por mês. Já na unidade de Juiz de Fora, que também enfrenta a possibilidade do fechamento, são 30 trabalhadores atuantes.

Marli Teixeira Ferreira Guimarães Barbacena (Foto: Arquivo Pessoal/Marli Teixeira)Marli está preocupada com o seu futuro
(Foto: Arquivo Pessoal/Marli Teixeira)

A funcionária Marli Teixeira Faustino tem 42 anos, 24 deles dedicados à companhia. “É muito triste. Isso é, além do nosso trabalho, nossa casa, nossa vida. Quando recebi a notícia passei mal e chorei o dia inteiro. Nós precisamos muito disso aqui. É como se a gente perdesse alguma pessoa da nossa família. Precisamos de socorro”, lamentou.

Caso o fechamento se concretize, Marli Teixeira não sabe como será o futuro dela. “Em junho do ano passado tirei um ano de licença, pois tive um acidente vascular cerebral (AVC). Tenho dificuldades de locomoção e me mudei para perto da fábrica por causa disso. Se eu perder meu emprego não sei onde vou trabalhar. Qual empresa vai me dar um trabalho sabendo que eu fiquei afastada um ano por motivo de saúde?”, questionou a funcionária.

Para o presidente do Sindicato de Fiação e Tecelagem de Barbacena, Luiz Carlos Condé, essa é a realidade de praticamente todos os funcionários. “Mais de 80% dos trabalhadores se dedica exclusivamente ao setor têxtil, e não tiveram a oportunidade de aprender outro ofício. Além disso, muitos estão quase aposentando. Se a empresa fechar, todo esse processo também será prejudicado”, destacou.

Segundo o gestor da companhia, José Antônio Ferreira, a manifestação desta quarta-feira (19) já trouxe alguns resultados. “O nosso objetivo foi mostrar a situação das famílias dos trabalhadores às autoridades e pedir alguma providência. Queremos preservar o emprego dessas 220 pessoas”, garantiu. A reunião com a Câmara Municipal de Barbacena que estava programada para a tarde desta quinta-feira (19) foi adiada para esta sexta-feira (20). No momento, está sendo reunida a documentação sobre a situação para ser apresentada à Câmara, que, segundo José Antônio Ferreira, montou uma comissão para tratar do assunto e definir estratégias.

Protesto Ferreira Guimarães (Foto: Arquivo Pessoal/José Ferreira)Protesto reuniu mais de 200  pessoas, entre funcionários e familiares  (Foto: Arquivo Pessoal/José Ferreira)
Rafaela Borges

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Respostas a este tópico

A empresa encontra-se com alguns bens tomados pela justiça para venda e o dinheiro será usado para acerto de outro funcionários mais antigos. Será uma perda enorme pra nossa cidade.

Esta funcionária que teve o AVC e ficou um ano encostada, também faz parte do agravamento deste quadro, pois o INSS vira as costas para o problema e devolve totalmente para a empresa que é obrigada a arcar com tudo, tudo mesmo, inclusive a estabilidade, infelizmente é assim, este é mais um dos infinitos ¨CUSTO BRASIL¨. Tem funcionários que estão com cartazes na mão, mas na hora do retorno em produtividade estão se lixando para a empresa e tem muitos assim. Portanto trabalhadores do nosso Brasil, vamos arregaçar as mangas e devolver todo nosso salario em PRODUTIVIDADE, SERIEDADE e HONESTIDADE, pois só assim evitaremos que outras empresas cheguem a este ponto e tem certeza, o empresário está sentindo mais que vocês.

 O empresário ñ está preocupado com a situação dos operários....cada um por sim  

Muito Bom Antonio...é isso ai..falar até papagaio fala...na hora de produzir não querem...eu tambem estou fechando minha empresa e são 30 pessoas a serem demitidas. Temos espaço para quintuplicar isso mas devido a falta de vontade e os malditos sindicatos que sacaneios funcionarios bons em detrimento de uma corja que não desenvolve nada vamos fechar aqui e abrir no paraguai. dane-se o brasil.



antonio Nogueira de Lucena disse:

Esta funcionária que teve o AVC e ficou um ano encostada, também faz parte do agravamento deste quadro, pois o INSS vira as costas para o problema e devolve totalmente para a empresa que é obrigada a arcar com tudo, tudo mesmo, inclusive a estabilidade, infelizmente é assim, este é mais um dos infinitos ¨CUSTO BRASIL¨. Tem funcionários que estão com cartazes na mão, mas na hora do retorno em produtividade estão se lixando para a empresa e tem muitos assim. Portanto trabalhadores do nosso Brasil, vamos arregaçar as mangas e devolver todo nosso salario em PRODUTIVIDADE, SERIEDADE e HONESTIDADE, pois só assim evitaremos que outras empresas cheguem a este ponto e tem certeza, o empresário está sentindo mais que vocês.

Engano seu amigo, o empresário, normalmente é um sonhador que dedica tudo ao seu sonho, mas infelizmente não encontra contrapartida da maioria dos funcionários, que esperam está situação para refletir sobre o que deixou de fazer no dia a dia... alguns enxergam muito tarde e mudam, outros continuam no mesmo erro e achando que tem só que receber salários, sem entregar o que foi combinado que é a tão sonhada PRODUTIVIDADE.

josé tavares da silva disse:

 O empresário ñ está preocupado com a situação dos operários....cada um por sim  

Bom dia! Sou confeccionista de roupas femininas e infantis no RJ. Tenho Empresa Há 21 anos e nunca vivi um momento tão ruim qto este. 

No meu Estado não tem mais ninguém querendo ser costureira. Logo falta mão de obra.

E os funcionários não tem qquer comprometimento com o trabalho. Está praticamente impossível continuar.

As coisas não são como foi dito:"O empresário não está nem aí para os funcionários". Isto na realidade reflete o modo de pensar do empregado, que apenas quer bater o cartão e garantir seus benefícios, sem pensar que os salários são resultados de trabalhos contratados. 

As Leis  obrigam a empresa a dar café da manhã, vale transporte, FGTS, INSS, 13o., Férias com +1/3, 10% de multa sobre FGTS para os cofres públicos, etc..

E que resguardo tem o empresário para demitir em justa causa qdo o funcionário falta sem justificativa, atrasando entregas e gerando prejuízo?

Que  a Lei nos faculta como resguardo o empregado estraga peças, estraga máquinas por não seguir a forma correta de trabalhar?

Parece que só um lado tem direitos e o outro só deveres.

Realmente existem maus empresários, mas, os que precisam de emprego estão necessitando ganhar consciencia de seus deveres.

Lamento ver mais uma industria ligada à área texteil e  confecção fechando as portas no Brasil.

Regina, 

você descreveu muito bem o atual quadro... mas faltou muito, principalmente do lado dos empregados, hoje eles não tem nenhuma obrigação de contrapartida e pasmem, uma empresa aqui na cidade, perdeu uma causa de indenização no MT por colocar no salão de costura um quadro com as metas de produção por hora, o funcionário alegou ¨PRESSÃO PSICOLÓGICA¨o juiz deu ganho de causa mas a empresa recorreu. Agora pergunto: onde este juiz tirou este parecer? Não podemos ter metas? Afinal pagamos prémios de produção e o RIDÍCULO PREMIO DE FREQUENCIA e não podemos ter metas? Endoidou de vez...

É isto que estou falando! Como pode ser então que vamos conseguir a produção necessária para efetuar os pagamentos todos?

Será que a Justiça Trabalhista não está instituindo a "ESCRAVIDÃO NO PAÍS PARA OS EMPREGADORES?"

Não temos nenhum apoio! A denúncia do trabalho escravo na China, não impede a compra dos produtos deles. 

Aqui, nenhuma obrigação cabe ao empregado! Parece que desejam realmente criar no país um grupo de dependentes de bolsas...sem trabalho, desocupados, ...

Onde estão os idealistas?

Trabalho escravo na China?  Estive ano passado na China e visitei 32 fabricas texteis pequenas  e grandes e não vi nada de trabalho escravo. isso é conversa pra boi dormir de nosso governo que sabe que nem todos irão lá verificar e acreditam na propaganda. A China esta indo muito bem obrigado. Eles tem tudo lá..carros bons, transporte, lazer e gente que deseja trabalhar...sabe o valor do trabalho diferente daqui onde somos propriOTARIOS  de empresas. Escaravos somos nós de uma legislação que defende vagabundo, defende o funcionario safado e não premia o bom.

eu estou tirando minha confecção desse pais e aconselho a fazer o mesmo...tem gente la fora trabalho por que aqui só querem salario.

Regina Ramos disse:

É isto que estou falando! Como pode ser então que vamos conseguir a produção necessária para efetuar os pagamentos todos?

Será que a Justiça Trabalhista não está instituindo a "ESCRAVIDÃO NO PAÍS PARA OS EMPREGADORES?"

Não temos nenhum apoio! A denúncia do trabalho escravo na China, não impede a compra dos produtos deles. 

Aqui, nenhuma obrigação cabe ao empregado! Parece que desejam realmente criar no país um grupo de dependentes de bolsas...sem trabalho, desocupados, ...

Onde estão os idealistas?

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