Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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Fumaça intensa advinda da Latina Têxtil prejudica moradores do São Pedro

De acordo com relatos e registros, fato ocorre há cerca de cinco anos.

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Moradores do bairro São Pedro, principalmente da rua São Leopoldo, vêm relatando uma liberação de fumaça intensa advinda da empresa Latina Têxtil. Segundo eles, o problema já é registrado há cerca de cinco anos. Abaixo-assinados com mais de 200 assinaturas e reuniões com a empresa na presença da Fundação do Meio Ambiente (Fundema) já foram realizadas. Mas de acordo com os moradores o problema continua, prejudicando e irritando cada vez mais. 

Segundo os relatos, os moradores têm dificuldades até para pendurar as roupas no varal. Pois, caso isso seja feito, o forte odor da fumaça fica impregnado na roupa. “Têm dias que não dá para deixar a casa aberta. O cheiro é forte e é muita fumaça”, diz a moradora da rua São Leopoldo. 

Após passar um pano no chão. Foto: Reprodução

De acordo com a superintendente da Fundema, Ana Helena Boos, a fundação está há cerca de três anos trabalhando com a Latina na busca da solução do problema. Ela disse também que um ultimato já foi dado para a empresa resolver a situação. “No final do ano passado a Fundema notificou novamente a Latina, para que tomassem providências, dando um prazo final para que eles fizessem algo mais efetivo. Eles ainda estão dentro do prazo desta notificação e nós estamos aguardando”, esclarece. 

Ana Helena admitiu que as chamadas e reclamações são recorrentes. Afirmou também que, enquanto vereadora de Brusque, já tinha conhecido dos registros dos moradores da rua São Leopoldo. “A Fundema vem, desde 2018, junto com a empresa fazendo trabalhos de melhorias para essa questão da fumaça”, afirma a superintendente. 

Em 2017 o ex-vereador Marcos Deichmann (Patriota) disse em discurso na tribuna da Câmara de Brusque que havia recebido, segundo ele, “em peso”, reclamações dos moradores do São Pedro, principalmente da rua São Leopoldo, em relação a uma suposta poluição no ar por parte de empresas da região. 

“Tem uma empresa que solta fumaça das chaminés. Estão ocorrendo vários problemas de saúde, principalmente respiratórios, a maioria deles em crianças e idosos. Isso também está tirando a tranquilidade dos lares. Imagina, vem aquela fumaça e você não fica confortável nem dentro da própria casa”, disse o então parlamentar à época, na tribuna do legislativo. Ele cobrou, também, medidas da Fundema para solucionar o problema.

 Segundo os moradores, nas reuniões já realizadas com a Latina, a empresa teria afirmado que um investimento financeiro havia sido feito para que o problema começasse a ser sanado. Porém, os moradores afirmam que não puderam notar diferença, sendo que as reclamações acontecem até os dias atuais. “Já foram feitas várias reuniões com a empresa, que diz ter feito melhorias e diz ter investido mais de R$ 800 mil tentando solucionar o problema. Mas a situação continua”, conta a moradora. 

Por fim, a moradora que fez a denúncia afirmou que a Latina teria prometido que daria total atenção para resolver a questão da intensa liberação de fumaça, que tanto irrita e prejudica os moradores da São Leopoldo e adjacências. “Eles falaram que ano passado iriam focar nessa questão, que a prioridade da empresa seria resolver esse problema. Mas, enfim, iniciamos 2021 e o problema continua”, afirma. 

O que diz a Latina 

Procurada pela reportagem, a Latina Têxtil divulgou uma nota sobre o assunto. No documento, a empresa diz que se comprometeu em buscar soluções para sanar o problema. Porém escreve também que o crescimento da comunidade na região é uma particularidade que precisam se adaptar, além de afirmar que não é a única empresa do ramo que possui essa dificuldade em acabar com a excessiva liberação de fumaça. 

A empresa esclarece que busca investir e trabalhar em melhorias, na tentativa de solucionar o problema e melhorar a qualidade de vida dos moradores. Ainda segundo a nota, nem mesmo a pandemia foi capaz de frear o projeto que a Latina está realizando para sanar o problema. 

“Nestes últimos dois anos a empresa tem trabalhado em um projeto exclusivo para redução dos efluentes atmosféricos. A Fase 1 deste projeto consiste em coletar os efluentes atmosféricos por um duto central, realizando um processo de filtragem e resfriamento, e já está na etapa final de ajustes. Com isso, já foram iniciados trabalhos paralelos da Fase 2, que consistem em estudo para o tratamento final desses efluentes já coletados”, escreve a nota. 

Por fim, a Latina disse que reforça o compromisso de seguir os esforços para manter um ambiente equilibrado entre a empresa e a comunidade da região. 

Nota na íntegra 

A empresa Latina Têxtil está estabelecida na rua São Leopoldo há mais de 30 anos, enfrentando todas as adversidades relativas ao setor e mesmo assim se mantendo ativa e contribuindo com o município, oportunizando emprego a centenas de colaboradores. 

Em um passado recente, o mercado têxtil teve um aumento de demanda por artigos sintéticos, cujo processamento emite uma maior quantidade de efluentes atmosférico. Esse ônus produtivo, infelizmente, não é enfrentado apenas pela Latina Têxtil, mas por todas as empresas que beneficiam esse tipo de material específico. A particularidade da Latina é que, nesses mais de 30 anos de existência, houve um aumento considerável de residências, estabelecendo-se uma comunidade no entorno da fábrica. 

Em reuniões com a Fundema e a comunidade, a Latina se comprometeu a buscar soluções ainda mais ambientais e sociais, uma vez que já é legalmente licenciada pelo IMA (Fatma) e já responde a todas as condicionantes ambientais do órgão estadual. Iniciou-se então uma pesquisa intensa e foi identificado o fato de que não haviam equipamentos prontos para solucionar a questão, sendo necessário começar do zero e buscar respostas com pesquisadores, universidades e especialistas da área. 

Nestes últimos dois anos a empresa tem trabalhado em um projeto exclusivo para redução dos efluentes atmosféricos. A Fase 1 deste projeto consiste em coletar os efluentes atmosféricos por um duto central, realizando um processo de filtragem e resfriamento, e já está na etapa final de ajustes. Com isso, já foram iniciados trabalhos paralelos da Fase 2, que consistem em estudo para o tratamento final desses efluentes já coletados. 

O ano de 2020 foi um ano atípico para todos os setores em função da pandemia, mas mesmo por momentos os trabalhos na Latina terem sido interrompidos de forma momentânea, continuamos tocando o projeto. Empresas e assessorias foram contatadas e as soluções que estamos encontrando precisam ser personalizadas, algumas exigindo adaptações e até mesmo importações, o que demanda investimentos e, principalmente, tempo. 

Com esse esclarecimento, queremos firmar novamente nosso compromisso de seguirmos com os esforços para trazer o melhor equilíbrio possível entre a empresa e a comunidade.

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