Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano X

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A jornalista Marie Ottavi se dedica à vida do amante disputado por Karl Lagerfeld e Yves Saint Laurent em seu livro "Jacques de Bascher, dandy de l’ombre".

Se você assistiu aos filmes que saíram em 2014 sobre a vida de Yves Saint Laurent (Saint Laurent de Bertrand Bonello e Yves Saint Laurent de Jalil Lespert), deve se lembrar de um personagem muito importante na vida do estilista chamado Jacques de Bascher. O gigolô parisiense ganhou recentemente uma biografia que pretende colocar luz sobre a história que, até então, vivia à margem dos homens que o desejavam.

A jornalista francesa responsável pela reconstituição de sua trajetória (que perpassa históricos bares e boates de Paris bem como as festas regadas à luxúria em seu apartamento) chama-se Marie Ottavi que, à princípio, até chegou a pensar que Jacques seria, na verdade, um mito do círculo fashion.

“Como contar a história de uma pessoa que passou por sua vida sem deixar rastros, que não fez nada da vida?”, indaga a francesa à versão local da revista i-D. “Foi um desafio enorme porque, de cara, ninguém queria falar sobre ele por medo de que Karl Lagerfeld ou Pierre Bergé pudessem reagir mal.

Ele era tudo que eu não podia, não deveria ser e não seria – Karl Lagerfeld

O receio existe porque Jacques, quando vivo, foi disputado por ninguém menos que o atual diretor criativo da Chanel e o próprio Yves Saint Laurent (que, na verdade, tinha um relacionamento de longa data com Pierre Bergé, o homem que o ajudou a construir e administrar o seu império na moda).

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Que tal os ternos floridos à la Alessandro Michele que ele já usava em seu tempo? (Alex Chatelain/Reprodução)

“Ele era o homem mais chic que eu já conheci”, diz Karl Lagerfeld no livro, em raríssima conversa sobre o assunto. “Ninguém se vestia como ele, estava à frente de seu tempo. Era capaz de me fazer rir por horas ao mesmo tempo que era o meu oposto exato. Ele era perfeito e, não à toa, gerava casos inacreditáveis de ciúmes.”

Com o kaiser, Jacques teve um relacionamento de 18 anos que, segundo Lagerfeld, não envolvia sexo. “Ele era tudo que eu não podia, não seria e não deveria ser.” Fascinado por sexo, o gigolô — reconhecido por seu estilo dândi que foi ficando cada vez mais refinado com o passar dos anos — não tinha medo de nada: S&M, drogas e sex clubs faziam parte do seu dia a dia. Até porque, diferente da maioria dos gays da época, o francês não escondia a sua homossexualidade. Pelo contrário, usava seu tesão para desafiar o establishment. “O jogo da conquista era o que ele mais gostava. Quanto mais difícil fosse seduzir alguém, mais ele se sentia intuído a realizar suas fantasias”, relembra seu amigo, o fotógrafo Philippe Heurtault.

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Jacques de Bacher clicado pelo seu irmão Xavier. (Xavier de Bascher/Reprodução)

Em 1989, Jacques foi um dos primeiros a morrer em decorrência do vírus HIV. Deixou para trás dois homens alucinadamente apaixonados, um mundo da moda dividido entre os grupinhos de Lagerfeld e Saint Laurent e um rancor dolorido engasgado no coração de Pierre Bergé. Sua história está no livro Jacques de Bascher, dandy de l’ombre publicado pela editora Séguier, na França, custando € 21. Leitura (sedutora) e indispensável.

Por Pedro Camargo

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