Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Renato Kherlakian, da RK Jeans, diz que grifes de fora enfrentam hoje mais concorrência de fabricantes nacionais
O anúncio recente do fechamento das lojas da grife italiana Diesel pegou o mercado de surpresa. Como entender o recuo de uma empresa que, pelo menos aparentemente, era uma das mais bem sucedidas no mercado brasileiro de jeans premium? Sem uma justificativa oficial da companhia, que no Brasil era comandada pelo empresário Esber Hajli, restam conjecturas e a suspeita de que o segmento de jeans "de luxo" talvez não seja mais tão promissor como se supunha.

A italiana Diesel estreou no mercado brasileiro em 2001. A butique aberta no shopping Iguatemi chegou a ser anunciada como uma das mais rentáveis por metro quadrado de todo o grupo. Em 2008, a marca abriu uma megastore na rua Haddock Lobo, região nobre de São Paulo, com 1.700 metros quadrados e investimento de US$ 7 milhões - uma prova da credibilidade no aumento de consumo de seus jeans, com preços que começavam na faixa dos R$ 600.

O caso da Diesel não é único, apesar de ser o mais comentado. Em 2001, a grife italiana de jeanswear Miss Sixty chegou ao Brasil com a promessa de fazer barulho no mercado de jeans premium. Na época, o diretor da Miss Sixty para a América do Sul, Vicenzo Depau, chegou a dizer que pretendia incomodar as marcas nacionais que, supostamente, copiavam os modelos criados pela italiana. Mas a presença no país foi breve. A loja aberta na esquina das ruas Consolação e Oscar Freire, nos Jardins - na qual foram investidos R$ 1,5 milhão - minguou por meses até liquidar suas peças e fechar as portas.

Outras que vieram para o país, mas não obtiveram o êxito esperado foram a Fornarina e a Replay - curiosamente outras duas marcas de jeans premium italianas. No momento, via assessoria de imprensa, a Diesel informa que não está encerrando sua história no Brasil - apenas a reestruturando.

Para algumas pessoas do setor, o marketing em cima do poder de gerar status de um jeans "de luxo" pode estar perdendo o efeito - principalmente depois da crise financeira mundial deflagrada no fim de 2008. "Após esse período o consumidor parece ter acordado para os preços muito altos. Nos Estados Unidos, por exemplo, as marcas premium tiveram de se virar para baixar custos e produzir calças por US$ 150, porque essa passou a ser a regra", diz o empresário Renato Kherlakian, fundador da Zoomp e hoje dono da RK Jeans.

Outro fator que abalou as estruturas das marcas consagradas foi a entrada de novos concorrentes no mercado - muitos oriundos da região do Brás, em São Paulo, que de fabricantes passaram a investir em grifes próprias. "Eles roubam consumidores, junto com as lojas de departamento", diz Kherlakian que em 2009 assinou com a varejista C&A para o desenvolvimento de uma marca de jeans, a Soul.

Apesar do sinal amarelo dado pelo consumidor e da concorrência acirrada, Kherlakian acredita que há sim espaço para um produto mais sofisticado - mesmo que não a qualquer preço. "Sempre busquei a excelência, desde os tempos da Zoomp", diz o empresário. "Acredito que o jeans esteja num momento espetacular e que estamos vivendo uma nova 'onda azul'."

Para Adriana Bozon, diretora criativa da marca Ellus, ficou evidente que o valor para uma calça jeans descobriu um novo limite. "O limite que acredito fica em torno dos R$ 500", diz Adriana. Na Ellus a maior parte das calças custa cerca de R$ 250. "São poucas as pessoas dispostas a pagar R$ 1 mil." Ainda mais, diz ela, quando estamos falando em um país que tem tradição na produção de denim de qualidade. Com matéria-prima de ponta à disposição, mais grifes conseguem oferecer produtos chamados de premium.

"Nosso jeans não deve nada a nenhum outro", diz Adriana. A marca procura investir em matérias-primas com algum diferencial, como o "leather denim", mas sabe que precisa ficar de olho nos custos. "Esse tipo de denim, com aparência de couro, é muito mais sofisticado e com cara de roupa para sair à noite. Ainda assim, conseguimos fazer calças por volta dos R$ 300."

Apesar do burburinho, há quem sinta os ventos soprando a favor. Aberta no país em 2008, a californiana Seven for All Mankind é uma das mais prestigiosas do mundo, quando o assunto é jeans. No Brasil, o cenário segue favorável, diz André Piedade, sócio-diretor da marca no País. "Em 2010, crescemos 20% em vendas, sem abrir mais lojas", diz o empresário. Atualmente, a Seven tem butiques no shopping Iguatemi e na Daslu. Havia planos de abrir outros pontos no ano passado, mas a ameaça de barreiras comerciais contra os Estados Unidos, que incluiriam os artigos de algodão, adiou o processo.

"Em outubro, abriremos no Fashion Mall, no Rio de Janeiro, e estamos em conversas para ter lojas em mais duas praças", diz Piedade, que segue acreditando na evolução da Seven por aqui. "Ela continua a ser uma marca desejada, afinal, foi a pioneira no segmento de jeans de luxo", diz ele. Para melhorar, o dólar mais baixo fez cair os preços dos jeans da Seven no Brasil. "Eles antes ficavam na faixa dos R$ 700 e passaram para os R$ 500."

A intenção, diz o empresário, é diminuir ainda mais o "gap" entre os preços cobrados pela Seven nos Estados Unidos e os cobrados aqui. Esperança na queda de impostos sobre os produtos importados? "Não contamos com isso, preferimos apostar em novas negociações", acrescenta ele.

De acordo com o consultor Luiz Alberto Marinho, da Brand Works, a crise que ronda o jeans premium, se houver, é um fenômeno localizado. "O Brasil continua a ser um mercado promissor para as marcas de luxo", afirma Marinho.

O Brasil é o segundo maior produtor e o terceiro maior consumidor de denim do mundo. Segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, o país produz acima de 25 milhões de metros de denim por mês. Desse total, 50 milhões de metros são exportados anualmente. Por ano, o segmento de jeanswear movimenta R$ 8 bilhões no Brasil.

Fonte:|http://www.valoronline.com.br/impresso/empresas/102/449265/jeans-de...

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Os comentários que ouvi sobre o assunto e achei bem coerente é que estas marcas são muito consumidas por pessoas de classe mais alta que viajam constantemente para o exterior e se recusam pagar uma calça aqui o dobro ou mais do que ela custa lá fora.

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