Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Lado obscuro: Confecções em Bangladesh reabrem em meio à pandemia mundial

O país é o segundo maior exportador de roupas do mundo. Fábricas voltam a funcionar para entregar pedidos atrasados e retomar contratos.

Confecção em BangladeshZABED HASNAIN CHOWDHURY/SOPA IMAGES/LIGHTROCKET VIA GETTY IMAGES
 Apesar de Bangladesh seguir em bloqueio total, no qual só é permitido sair de casa para atividades consideradas essenciais, as confecções retomaram as atividades no país asiático. Movida pela indústria têxtil, a região reabre com condições de trabalho precárias e sem saber se as marcas de moda irão pagar pelas produções solicitadas.

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MAMUNUR RASHID/NURPHOTO VIA GETTY IMAGESLado obscuro: confecções em Bangladesh reabrem em meio a pandemia mundial
Bangladesh reabre as confecções em meio ao caos do novo coronavírus

Cerca de 3.500 fábricas de roupas locais são operadas por mais de quatro milhões de pessoas, cuja força de trabalho é composta principalmente por mulheres. Apesar de enfrentar problemas como fome, pobreza e desigualdade social, o país ganha destaque no mercado por entregar produtos a preços inferiores aos da China.

Bangladesh é, portanto, importante no cenário têxtil mundial. É o segundo maior produtor de roupas, atrás apenas da China. Diante da pandemia, varejistas cobram encomendas e exportações do país.

“Nós temos que aceitar o coronavírus como parte da vida. Se não reabrirmos as fábricas, haverá crise econômica”, disse o vice-presidente da Associação de Fabricantes e Exportadores de Artigos Têxteis, Mohammad Hatem, em comunicado.

MAMUNUR RASHID/NURPHOTO VIA GETTY IMAGESConfecção em Bangladesh
Bangladesh ainda está em lockdown e o transporte público não retomou as atividades

 MEHEDI HASAN/NURPHOTO VIA GETTY IMAGESConfecção em Bangladesh
O território é o segundo maior produtor de roupas, atrás apenas da China

Como as confecções fecharam as portas e pausaram as produções, a economia já sente as consequências. Os danos à indústria chegam a US$ 3,18 bilhões, de acordo com a Associação de Fabricantes e Exportadores de Roupas de Bangladesh.

Cerca de mil confecções voltaram às operações na semana passada, desafiando as restrições impostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar o contágio do novo coronavírus. O retorno também está gerando temor entre funcionários com a exposição física à Covid-19 e o receio de perder o emprego, caso não cumpram com as obrigações.

No país, a doença evoluiu para 20.065 casos confirmados e 298 mortes, segundo o governo. Para evitar a contaminação dos funcionários, novas diretrizes foram implementadas pelos proprietários para a reabertura das fábricas.

ZABED HASNAIN CHOWDHURY/SOPA IMAGES/LIGHTROCKET VIA GETTY IMAGESConfecção em Bangladesh
Apesar de enfrentar problemas como a fome, pobreza e desigualdade social, o país ganha destaque no mercado por entregar produtos a preços inferiores aos da China

Peças de roupa compradas em grandes marcas de moda são produzidas em Bangladesh. As etiquetas dos produtos bengali são encontradas entre os itens de grandes marcas do fast fashion. Entre os principais nomes, estão H&M, Gap, Zara e Walmart (com a linha de vestuário). No ano passado, as exportações renderam US$ 35 bilhões em roupas.

Enquanto algumas marcas e varejistas se comprometeram a efetuar o pagamento referente aos pedidos feitos, existem outras grifes que estão atrasando os valores e cancelando as produções. Cerca de 26% da população de Bangladesh vive com menos de US$ 2 por dia e depende do trabalho nas confecções.

MEHEDI HASAN/NURPHOTO VIA GETTY IMAGESConfecção em Bangladesh
Os danos à indústria têxtil do país chegam a US$ 3,18 bilhões

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Cerca de mil confecções voltaram às operações na semana passada, desafiando as restrições impostas pela OMS para evitar o contágio do novo coronavírus

Os sindicatos globais observam a situação, que não está sendo fiscalizada. “Mesmo as fábricas tendo máscaras e álcool em gel disponíveis, é quase impossível garantir a segurança dos funcionários que estão indo ao trabalho em transportes lotados”, disse Alke Boessiger, a vice-secretária geral da UNI Global Union, ao WWD. “Achamos que é um enorme risco à saúde, mas nos preocupamos com a subsistência”, complementou.

As operações voltaram para atender com urgência os pedidos que estavam atrasados. Embora ainda existam riscos à saúde, o setor foi pressionado após as fábricas da China, Vietnã, Camboja e Jordânia abrirem.

O governo de Bangladesh está trabalhando para garantir a sobrevivência da indústria e liberou uma quantia de US$ 580 milhões para auxiliar os proprietários das confecções no pagamento dos funcionários. A área têxtil equivale a 80% da receita de exportação do país.

“Se a indústria não retomasse agora, o impacto na economia poderia ser pior do que o do desabamento do Prédio Rana Plaza”, afirmou a ativista Kalpona Akter, em entrevista ao WWD. A alusão feita pela diretora executiva do Bangladesh Centre for Worker Solidarity remete ao colapso do prédio incendiado em 2013.

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Os produtos bengali são vendidos a grandes marcas do fast fashion, como H&M, Gap, Zara e Walmart com a linha de vestuário

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Os sindicatos globais observam a situação, que não está sendo fiscalizada

Desabamento em Bangladesh

Em 2013, uma tragédia na capital do país, Dhaka, revelou o lado da indústria das roupas que poucos estavam dando atenção. Cerca de 1.300 pessoas morreram em um incêndio causado pelo desabamento do edifício Rana Plaza, de três andares, ocupado por uma confecção de moda.

A fábrica irregular descumpria as normas básicas de segurança impostas pelo país. Seis meses antes da catástrofe, no mesmo local, um incêndio matou 100 funcionários. Na época, o mundo conheceu a situação de Bangladesh e passou a refletir, com mais afinco, sobre o desejo insaciável por roupas mais baratas.

No entanto, atualmente, inúmeras confecções ilegais ainda operam no país e não cumprem as regras de segurança impostas pelo governo. Imigrantes e menores de idade estão entre os operários que se arriscam no trabalho. Todavia, existem fábricas regulares no país.


Colaborou Sabrina Pessoa

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