Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano IX

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Leilão da Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, frustra expectativas de trabalhadores

Coluna do Pedro Machado: Leilão da Fábrica de Tecidos Cônsul Carlos Renaux, em Brusque, frustra expectativas de trabalhadores Charles Guerra/Agencia RBS

Fábrica de Tecidos Cônsul Carlos Renaux, em Brusque: um dos imóveis que foi a leilão

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

A esperança dos trabalhadores da antiga Fábrica de Tecidos Cônsul Carlos Renaux, de Brusque, acumulada durante os últimos três anos, foi derrubada em duas sessões de leilão decepcionantes. Desde que as portas da centenária empresa foram fechadas definitivamente em julho de 2013 após a decretação da falência, depois de 121 anosde atuação, cerca de 600 trabalhadores esperam para receber os valores rescisórios, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Malharia, Tinturaria, Tecelagem e Assemelhados (Sintrafite) de Brusque, Aníbal Boettger. Somando as ações trabalhistas que já tramitavam antes da falência, seriammais de mil.

Em junho a Justiça determinou o leilão dos bens da empresa, que incluem as edificações da matriz e da tecelagem, no bairro Primeiro de Maio, com todos os equipamentos e móveis _ há um lote só com o mobiliário antigo que era usado na empresa _, além de outros terrenos em Brusque, Balneário Camboriú, Itajaí e Blumenau. 

Os lotes ainda contam com diversos equipamentos e máquinas da fábrica e o valor total dos bens em leilão é de R$ 70,6 milhões. Mas, deste valor, foram arrematados apenasR$ 67,6 mil correspondentes a um lote de fios e a brigada de incêndio. O valor, que equivale a menos de 0,1% dos bens em leilão, também não chega nem perto do que é necessário para quitar as dívidas trabalhistas, que segundo o Sintrafite estariam na casa dos R$ 22 milhões

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Aníbal Boettger, que como presidente do Sintrafite representa os trabalhadores, conta que o sentimento é de frustração diante da dificuldade na venda do patrimônio da fábrica Renaux:

— Tem gente que trabalhou ali a vida inteira, alguns perto de se aposentar ou até já aposentados, e ficam nessa incerteza. Agora a nossa expectativa é da possibilidade de venda direta dos bens, que dá a possibilidade de parcelar, já que mesmo na segunda praça do leilão, que tinha uma redução de 25% do valor, o pagamento tinha que ser à vista, e isso dificulta. Já ouvimos algumas coisas, de que há interessados nessa venda direta, então vamos esperar. 

O administrador judicial do processo de falência, Gilson Amilton Sgrott, diz que agora será necessário fazer a informação do resultado do leilão à Justiça para buscar outras alternativas de venda do patrimônio. Ele também acredita que a venda direta é a melhor solução para concluir todos os processos. 

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Outa centenária catarinense, a Buettner S/A, também terá bens leiloados este mês. No dia 17, um terreno em Brusque avaliado em cerca de R$ 2 milhões será colocado à venda que, caso se concretize, pagará salários em atraso dos últimos três meses. A empresa, que teve a falência decretada em abril e recebeu autorização para continuar funcionando até o dia 31 de julho para concluir produtos que já estavam vendidos, também encerrou definitivamente as atividades. 

Apesar do leilão já previsto, a solução é para a questão pontual dos últimos salários e o processo vai continuar. São mais cerca de 800 funcionários, segundo o sindicato, que vão ter que esperar para receber tudo o que tem direito. Segundo Boettger, uma outra empresa têxtil já teria interesse em alugar o parque fabril da Buettner e contratar cerca de 230 funcionários da antiga fábrica, mas a mudança ainda está sendo negociada. 

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Somados, os trabalhadores da Renaux, Buettner e da Cia. Industrial Schlösser - que está em recuperação judicial desde 2011 e também aguarda a venda de bens para a quitação das dívidas trabalhistas - representam quase 2 mil trabalhadores do segmento têxtil da cidade que carrega o título de berço da fiação catarinense. São mulheres e homens que dedicaram as vidas a transformar as empresas, e por consequência a cidade e a região, em potências industriais, e terminaram vítimas da má gestão empresarial. 

A recolocação no mercado pode ser possível, já que segundo o presidente do Sintrafite "apesar da crise, em Brusque não trabalha quem não quer", mas a decepção de acompanhar o lento fim das têxteis brusquenses reside em cada profissional que nutre mais do que vínculos trabalhistas pelas centenárias.   

JORNAL DE SANTA CATARINA

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tive oportunidade de conhecer as 3 empresas...tradicionais...até que ponto realmente houve má gestão??? será que todas as empresas brasileiras estão com má gestão??? grande parte do incentivo as importaçoes...e da fraca economia deste PT de merda e demais que apoiaram!! estoura tudo hoje...BB...BNDES....copa...olimpíadas...saúde...educaçao...segurança...etc...etc..CORRUPÇAO......tudo às custas de um dinheiro que nao existe mas vamos pagar por estas aberrações!!! povo cego e ignorante!!! ainda falam em ""golpe"" !!! PQP !!! 

Tenho que concordar com você Adalberto.

ok, alguns problemas podem ter ocorrido internamente sim.

Mas está muito difícil uma empresa, principalmente do setor têxtil e confecção, conseguir passar por esta crise.

No setor de confecção milhares já fecharam. Mas como são menores, não tem apelo para a imprensa.

Enfim......quem viver verá.

Completando o que mencionou o Ronald:

- Quem viverá?

Sim, srs concordo com todos os relatos e opnões, sou técnico textil há mais de 20anos e já trabelhei em concorrentes das citadas acima, em uma época áurea em que foram muito fortes, sou da região do polo têxtil (Americana/ Sta Bárbara/Sumaré e Nova Odessa) e aqui não é diferente, a situação é corrente, empresas tradicionais em situação muito ruim, funcionários e patrões desesperados, e a melhora nunca chega.

Que viver, verá; quem viverá; acho que o termo correto é Quantos sobreviverão para ver o fim deste caos.

 Somados, os trabalhadores da Renaux, Buettner e da Cia. Industrial Schlösser - que está em recuperação judicial desde 2011 e também aguarda a venda de bens para a quitação das dívidas trabalhistas - representam quase 2 mil trabalhadores do segmento têxtil.

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