Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI
Durante palestra no Minas Trend, a publicitária e designer de joias Márcia Croce, fundadora da DGNG, e o joalheiro Manoel Bernardes discutiram o novo cenário de expansão de canais na moda. O tema, intitulado “Expansão de canais: como marcas de moda estão reinventando seu mercado”, abordou como o setor tem ido além da passarela e do e-commerce, criando experiências imersivas — em cafés, hotéis e espaços culturais — para fortalecer a conexão emocional com o consumidor.
Segundo Márcia Croce, a digitalização transformou a forma como o público se relaciona com as marcas. O avanço do e-commerce afastou o consumidor do ponto de venda físico, reduzindo o feedback direto sobre produtos e experiências. “Hoje, o cliente compra online, em pop-ups e lojas físicas, e volta ao digital. As marcas entenderam que precisavam se reconectar com esse consumidor em momentos de lazer, fora do ambiente de compra”, explicou. Essa necessidade impulsionou o surgimento de novos espaços de interação, como cafés e hotéis de grifes, pensados para gerar experiências memoráveis e reforçar o senso de pertencimento à marca.
Manoel Bernardes destacou que essas estratégias não são apenas ações de marketing, mas movimentos de branding profundo, voltados à construção de comunidade e valor simbólico. “O custo de aquisição de cliente está muito alto. Por isso, manter esse consumidor dentro do universo da marca é essencial. As grandes grifes criam espaços de convivência, arte e hospitalidade que ampliam o relacionamento e fazem o cliente viver a marca em diferentes dimensões da vida”, afirmou. O empresário citou o exemplo da Tiffany, que criou cafés com louças exclusivas, e da Hermès, que realiza experiências artísticas sem foco direto em vendas, mas em relacionamento.
Márcia reforçou que marcas como Dior e Miu Miu vêm investindo em projetos culturais e educativos para se conectar com novas gerações. O museu da Dior, por exemplo, apresenta a história da maison a jovens consumidores, enquanto a Miu Miu realizou uma ação literária voltada à geração Z, com reedições de clássicos feministas distribuídos em universidades. “Foi uma campanha pensada a partir de dados do TikTok, onde descobriram comunidades de leitura entre jovens mulheres. A partir dessa escuta ativa, a marca conquistou um crescimento de 32% entre consumidoras da geração Z”, contou.
A dupla também refletiu sobre o papel da arte como ponte entre tradição e contemporaneidade. Para eles, associar moda e arte eleva a narrativa de marca, gera exclusividade e confere longevidade. “O luxo hoje está na experiência, não apenas no produto. A arte dá profundidade, cria história e afasta a marca da superficialidade das redes sociais”, observou Manoel. Márcia completou dizendo que o storytelling artístico é uma ferramenta poderosa para construir uma marca sólida, capaz de atravessar gerações.
Encerrando a palestra, os especialistas ressaltaram que o futuro da moda passa pela integração entre físico, digital e emocional. O desafio das marcas, afirmaram, é planejar com antecedência, compreender o comportamento do novo consumidor e investir em experiências que traduzam seus valores. “A marca precisa emocionar. Quando ela se torna parte de uma memória afetiva, ela deixa de ser apenas uma etiqueta e passa a ocupar um espaço na vida das pessoas”, concluiu Márcia Croce.
Fonte: Ana Gimonski | Foto: Divulgação
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