Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Marcas internacionais como Adidas, Nike, Calvin Klein ou Lacoste estão a aprovisionar-se em fornecedores chineses que estão a poluir os rios do Império do Meio. Uma acusação presente no mais recente relatório da Greenpeace, que chama a atenção em particular para as descargas no delta do rio Yangtze e do rio das Pérolas.

Marcas manchadas pela poluição

 Algumas das principais marcas de vestuário mundiais dependem de fornecedores chineses que poluem rios com químicos venenosos proibidos na Europa e noutros locais, segundo afirma a Greenpeace no seu mais recente relatório. Adidas, Nike, Calvin Klein, Lacoste, Abercrombie & Fitch e a chinesa Li Ning estão entre as marcas mundiais identificadas após um ano de investigação que se centrou em dois grandes fornecedores chineses, a Youngor Textile Complex, em Ningbo, no delta do rio Yangtze, e a Well Dyeing Factory Ltd, no delta do rio das Pérolas, perto de Hong Kong.

Todas as marcas mencionadas no relatório confirmaram que aprovisionam produtos num destes dois fornecedores chineses, referiu a Greenpeace. Numa resposta publicada com o relatório, a Adidas considera que «a possibilidade de que elevadas concentrações de químicos… possam ocorrer é muito baixa». A Nike confirmou que comprou produtos a duas unidades pertencentes ao Youngor Group mas indica que nenhuma usou os químicos perigosos detectados nas descargas de águas residuais examinadas pela Greenpeace. Por seu lado, a Li Ning revelou que «pedimos-lhes para investigar imediatamente a sua descarga poluente e nos fizessem um relatório». As empresas mencionadas no relatório não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Li Yifang, da Greenpeace, diz que a China ainda tem de implementar uma política de gestão de químicos sistemática, mas que a responsabilidade está também com as empresas mundiais que fazem outsourcing na China numa tentativa de poupar custos. «Nenhuma das empresas mencionadas no nosso relatório tem uma política abrangente e disponível publicamente que assegure que os seus fornecedores estão a eliminar químicos perigosos da sua cadeia de aprovisionamento, por isso acreditamos que eles estão a perpetuar a poluição tóxica», afirmou aos jornalistas no almoço de apresentação do relatório.

Li Yifang explicou que as amostras colhidas das descargas de águas residuais das duas unidades revelaram a presença de metais pesados assim como substâncias perigosas como alquilfenóis e químicos perfluorados, que estão proibidos na União Europeia e nos EUA. Os químicos – que podem prejudicar os sistemas imunitário e endócrino, assim como o fígado – não são degradáveis e não podem ser removidos pelas unidades de tratamento de águas, motivo pelo qual foram proibidos, sublinhou Yifang.

Para marcar a divulgação do relatório, voluntários da associação colocaram banners à porta da maior loja da Adidas em Pequim antes de serem rapidamente enxotados pelos funcionários.

A China identificou a água como um dos seus problemas ambientais mais prementes, com muitos dos seus principais rios contaminados por descargas tóxicas das fábricas e explorações agrícolas do país. O Ministério do Ambiente chinês divulgou no início de Junho que 16,4% dos principais rios chineses não cumpriam sequer os requisitos exigidos para a irrigação de culturas. Após uma série de descargas de químicos não tratados na China, estão a ser implementadas novas políticas mais rigorosas para reduzir a poluição por metais pesados nos rios chineses em 15% nos próximos cinco anos.

Mas a China continua muito atrás do resto do mundo, considera Li Yifang. «Pensamos que o governo deve realmente agir rapidamente para desenvolver uma política. A China está mesmo a ficar para trás porque isto já era uma questão fulcral no mundo desenvolvido nos anos 70 e nós estamos apenas a começar a reconhecer o problema», concluiu.

Fonte:|http://www.portugaltextil.com/tabid/63/xmmid/407/xmid/39799/xmview/...

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