Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

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Chenut, diretor-geral da Lacoste, planeja ampliar as vendas de itens como calçados, acessórios e perfumes no país

Elodie Gregoire/Divulgação / Elodie Gregoire/Divulgação

Não é à toa que Christophe Chenut, diretor-geral da Lacoste, desfilou na quinta-feira pelo badalado torneio de tênis de Roland Garros usando uma camisa polo da marca com a estampa da bandeira do Brasil. O lançamento recente - criado para os grandes eventos esportivos do ano, como as Olimpíadas de Londres - só chegará às lojas brasileiras em julho.

Mas além de "adorar o Brasil" e de ter almoçado naquele dia em Roland Garros com o ex-tenista Gustavo Kuerten, escolhido como novo "embaixador" mundial da grife francesa, Chenut tem ainda outros motivos para vestir as cores do Brasil: as vendas da Lacoste no país, de R$ 150 milhões, cresceram 40% em 2011, a melhor performance da marca no mundo no ano passado, ao lado da Coreia do Sul, disse o diretor-geral ao Valor. A grife está presente em 114 países.

Em apenas dois anos, o Brasil dobrou sua participação nas vendas globais da marca do jacarezinho, passando de 2% em 2009 para 4% em 2011, a mesma participação registrada pela Alemanha e Espanha. O Brasil já é o sexto no ranking da grife em relação ao volume de peças vendidas: quase 2 milhões em 2011, um aumento de 46% em relação ao ano anterior.

Desde 2008, quando foi iniciada uma nova licença para distribuir os produtos da Lacoste no país, com a criação da joint-venture Devanlay do Brasil, o número de peças vendidas foi multiplicado por cinco e a receita quase triplicou. "Continuamos crescendo neste ano de forma bastante expressiva", contou ao Valor Ricardo Palmari, presidente da Lacoste no Brasil.

Ele prevê que o número de peças vendidas chegará a 2,3 milhões de unidades em 2012 e que o faturamento deverá crescer novamente 40%, atingindo cerca de R$ 210 milhões.

O aumento nas vendas tem sido acompanhado pela expansão no número de lojas. A grife passou de 54 butiques em 2009 para 80 atualmente, a grande maioria franquias. Após duas unidades próprias em São Paulo, a terceira será inaugurada no Rio de Janeiro em novembro, no Village Mall. Uma loja da Lacoste L!VE (coleção para o público jovem, de 15 a 25 anos), no shopping JK, em São Paulo, aguarda as emperradas discussões sobre a abertura do empreendimento para começar a operar.

A previsão, afirma Palmari, é atingir cem lojas até 2014, sendo dez delas próprias (a maioria da Lacoste e algumas unidades da bandeira L!VE). A grife também está presente em 950 lojas multimarcas em todo o país. Esse número mais do que dobrou nos últimos três anos. E continuará sendo ampliado, já que a meta é totalizar 1,2 mil multimarcas em 2014.

A presença cada vez maior da Lacoste no Brasil não poderia deixar de incluir um site de vendas. A marca se lançou no comércio on-line globalmente com certo atraso, somente em 2010. Atualmente, França, Inglaterra, Alemanha, Coreia do Sul e Japão possuem lojas virtuais da marca. Em breve, a China também terá. "No Brasil, em razão dos resultados das vendas, não há motivos para não termos um site de vendas on-line. O prazo para que isso ocorra depende apenas de questões operacionais", afirma o diretor-geral.

"O Brasil reúne todas as características positivas para a Lacoste. É um mercado em pleno crescimento, onde ser uma marca francesa representa um trunfo", diz Chenut. "Além disso, o estilo de vida dos brasileiros e o clima são propícios aos nossos produtos", comenta o diretor-geral para explicar a forte expansão das atividades da grife no país.

O objetivo nos próximos anos é ampliar as vendas no Brasil de outros produtos da Lacoste, como calçados, acessórios e perfumes. "O Brasil é muito forte no segmento têxtil", diz Chenut. Ele representa 85% do volume total das vendas da grife no país. "Temos um grande potencial de desenvolvimento com os acessórios. A ideia é ampliar o número de produtos em geral e oferecer as linhas completas da Lacoste", afirma.

Com mais de 1,1 mil lojas em 114 países, as vendas globais da Lacoste no atacado atingiram € 1,6 bilhão em 2011 (se for considerada a venda para o consumidor final, o faturamento da marca, segundo a empresa, sobe para € 3,7 bilhões). As vendas cresceram 11% na comparação anual, segundo Chenut. Nos Estados Unidos, na América do Sul e na Ásia o crescimento foi na faixa de "bons dois dígitos", diz ele. Na Europa em crise, o desempenho ficou estável, com leve aumento de 1%.

A previsão é de que este ano as vendas globais cresçam 13%. A marca, que há cinco anos "havia perdido sua atratividade", diz Chenut, pôs em prática uma estratégia para voltar a "ser desejada". Para isso, o foco foi concentrado no público jovem e no feminino, que hoje representa 20% das vendas (o objetivo é que a moda feminina atinja 25% do faturamento mundial nos próximos três anos).

A marca, que contratou o estilista português Felipe Oliveira Baptista, começou a criar coleções femininas que não eram mais simplesmente adaptações das masculinas, afirma Chenut. Pela primeira vez, a grife fez uma campanha publicitária voltada diretamente para essa clientela. A nova estratégia voltada para esse público foi lançada no início deste ano. As coleções de acessórios se tornaram mais femininas, com sapatos de salto alto, licenças para a fabricação de bijuterias e óculos mais estilizados.

"Para a clientela masculina, faz tempo que a marca deixou de ser ligada apenas à prática esportiva para se tornar um estilo que pode ser usado todos os dias, no escritório ou em um evento noturno. Nosso objetivo é fazer o mesmo com as mulheres", diz Chenut.

A primeira coleção de Baptista, lançada na França em fevereiro, chegará às lojas brasileiras em agosto. No Brasil, a moda feminina já representa 25% das vendas. A meta é atingir entre 35% e 40% nos próximos três anos, diz Palmari.

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"Adora o Brasil" até a página 3, apenas como mercado consumidor. Apesar da importância do Brasil como consumidor desta marca, fazem alguns anos, toda a operação de fabricação foi encerrada e os investimentos industriais foram canalizados para o Peru e mais alguns outros países.

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