Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIII

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“Não Precisamos de Alguém para Dizer o que está na Moda”, diz Redator-Chefe da "L'Officiel"

O São Paulo Fashion Week (SPFW), tradicional evento cultural e econômico de São Paulo, este ano recebeu 100 mil visitantes convidados no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, cartão-postal da capital paulista. Com novo calendário, copiado do modelo europeu, a semana de moda em sua 33ª edição apresentou as apostas de 26 marcas para o verão 2014 – no ano passado foram 32 desfiles, contra 42 em 2010.


A antecipação da data – tradicionalmente o SPFW de primavera/verão acontecia em junho – deixou grandes estilistas de fora e perdeu grandes celebridades dentro e fora das passarelas. O efeito foi sentido na mídia, que não cobriu o evento com a mesma intensidade das edições passadas. 


Luigi Torre, redator-chefe da revista "L´Officiel"

IMPRENSA conversou com Luigi Torre, redator-chefe de moda da revista L´Officiel, que analisou o momento que a moda e o jornalismo de moda vivem no Brasil. Formado em Jornalismo pela PUC de São Paulo, ele iniciou sua carreira como repórter do site FFW e há um ano cobre moda na versão brasileira da L´Officiel, publicação mensal que nasceu na França, em 1921, e chegou ao Brasil em junho do ano passado.  

Confira entrevista:

IMPRENSA - Qual o balanço da última edição do SPFW?
LUIGI TORRE - Foi um pouco fraco em termos de novidade e conteúdo, mais ao mesmo tempo foi uma temporada importante porque no centro estava a moda, a roupa, o que as pessoas realmente vão consumir. Com a chegada das marcas internacionais, a moda brasileira vive um momento delicado. Marcas pequenas acabaram sumindo, ficaram as grandes ou que pertencem a grandes grupos, e por isso houve foco não exclusivamente no comercial, mas uma preocupação com o que vai ser vendido. Essas marcas grandes também tem uma preocupação comercial, mais conseguiram manter uma narrativa, com imagens fortes que agradam as mídias especializadas, mas também o consumidor, que pensa “quero aquele vestido para mim”.
Em texto publicado na Folha de S.Paulo, a jornalista Vivian Whiteman sugere que já no próximo ano estilistas possam usar a Lei Rouanet para viabilizar suas coleções. Em contrapartida, o evento deixaria de ser exclusivo para convidados e passaria a contar com ingressos. Como você encara essa possibilidade?
Quanto mais pessoas puderem ter acesso, melhor. Mas depende do conteúdo na verdade, não de quem está assistindo. Não adianta você abrir o evento para o público se o que está lá dentro não tem a menor relevância, seja para mídia especializada como para o público em geral. 
Quais são os critérios para cobrir uma semana de moda? O que é importante?
Na verdade não muda muito de qualquer outra cobertura, como cobrir um show ou um evento de arte: é basicamente jornalismo. Na verdade, você precisa entender o que é relevante e o que é apenas pão e circo, notinha só para causar polêmica ou esquentar o evento. Os princípios são os mesmos. Hoje em dia tem uma loucura um pouco grande demais sobre o que acontece fora das passarelas, os blogs de estilo, os looks das pessoas, quem foi no desfile, e o que realmente importa, que são as roupas e as coleções, acabam ficando em segundo plano. Mas aos poucos começou a mudar, digamos, de uns seis meses para cá.
Então da penúltima edição para a última já foi diferente?
Aqui no Brasil nem tanto, esse movimento começou aos poucos acontecer internacionalmente, mas já teve certo reflexo na última edição do São Paulo Fashion Week (SPFW). As pessoas estão ficando cansadas um pouco dessa artificialidade das roupas muito complexas e montadas que são usadas por convidados fora dos desfiles.
Isso pode ser também um reflexo de que os consumidores já entendem mais de moda?
Com certeza. Acho que desde que começou a se falar de moda na internet as pessoas estão se informando muito mais sobre o assunto. Isso acabou eliminando aquela figura do mediador, que antigamente era exclusiva dos editores de moda. As pessoas não precisam mais de alguém para dizer “olha, isso é legal, isso está na moda”, já conseguem formar a própria opinião. 
Existe uma série de termos técnicos, assim como acontece com o “economês” da editoria de economia que pode afastar o leitor que não é iniciado. Como vocês lidam com isso na L'Officiel?
A gente tenta evitar ao máximo termos de nicho. Claro, não é sempre que conseguimos fugir, porque, às vezes, são temas muito específicos, e não temos tempo ou espaço para sermos totalmente didático como precisaria para conseguir explicar. Então a gente tentando encontrar um equilíbrio entre específico e generalizado.
Como está o jornalismo de moda hoje? Como estamos em comparação com outros países?
Acho que o país tem coberturas diferentes porque os públicos tem uma visão diferente de moda. O público que consome moda no Brasil tem aspirações diferentes do público que consome moda na França, por exemplo, que tem uma cultura de moda absurdamente mais antiga e rica que a nossa. Somos um país mais novo, aqui ainda tem um jeito de informar mais didático e educacional. Na França, as pessoas já crescem num meio em que a moda está consolidada. Ainda é nebuloso, ninguém sabe para quem está falando, quem está lendo, nem a gente conseguiu entender direito. 
Então o desenvolvimento do jornalismo de moda depende da moda em si?
São coisas que andam juntas, um depende do outro. Enquanto um não estiver totalmente formado, o outro também não vai estar. 
O que vai ser tendência nos próximos anos para jornalismo de moda? A onda dos blogs já passou?
Não, continua valendo e vai valer por um bom tempo. As pessoas vão continuar se informando em blogs, mas a tendência é que os leitores filtrem e só os realmente bons vão continuar. 
O que é mais importante para quem quer ser um jornalista de moda: fazer faculdade de jornalismo ou de moda?
Na L´Officiel nós valorizamos principalmente a parte jornalística, até para o repórter ter uma relação diferente com o assunto, um distanciamento, para tratar a moda com a mesma objetividade que qualquer cobertura jornalística, mantendo um olhar fresco.
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