Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XI

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XI

Por Juliana Zanettini
Consultora de tendências e consumo, e professora universitária

Grant McCracken, antropólogo do MIT (Massachusetts Institute of Technology), quando escreveu o livro Chief Culture Officer: How to Create a Living Breathing Corporation (no Brasil publicado pela editora Aleph) lançou um olhar sobre um novo perfil profissional: o Chief Culture Officer ou, numa adaptação para a língua portuguesa, o Diretor-executivo de Cultura. Mas, afinal, o que faz este profissional e qual é a sua importância para a moda? 

Antes de partirmos para as respostas, imaginemos o campo das tendências. Na moda, até pouco tempo, a atividade de coolhunter era inexistente (lembremos que ela ganhou status profissional somente no final da década de 1990). Hoje, o coolhunter, aquele pesquisador que sai às ruas à caça de imagens e informações relevantes de tendências, já é de conhecimento da maioria dos que atuam profissionalmente na área da moda. Para que o seu trabalho seja executado com sucesso, o coolhunter deve obedecer a um briefing, ou seja, seu trabalho de campo precisará ter um objetivo predefinido. “Fotografar imagens de indivíduos que frequentam tal lugar” ou “estar atento a tais repetições de padrões” são demandas geralmente solicitadas para o coolhunter por um tipo de profissional com um olhar mais aguçado, mais experiente e entendedor de mercado e da cultura organizacional: o Chief Culture Officer.

No mundo, e principalmente no Brasil, o cargo de Chief Culture Officer ainda é relativamente novo, contudo, alguns CEOs já o realizam há um bom tempo de forma instintiva. É o caso dos executivos de grandes corporações, a exemplo da Nike e da Starbucks. Quanto ao seu perfil, os Chief Culture Officers devem estar cientes das mudanças culturais como um todo, pois é a partir delas que oportunidades e inovações são conquistadas. Para McCracken, a cultura é a incubadora de mudanças cataclísmicas, ou seja, pode mudar por completo o rumo da forma de pensar das pessoas, gerar novas tendências e, consequentemente, levar às empresas a rumos até então desconhecidos. É o Chief Culture Officer quem dará os direcionamentos de tudo o que está acontecendo e de que forma o coolhunter deverá conduzir o seu trabalho de campo. 

Mas voltemos a uma de nossas perguntas iniciais. E a respeito da moda? Em suma, entender as mudanças de padrões culturais serve para interpretar o próprio comportamento humano e antecipar tendências, pois adiantar o que acontece nas feiras e nos desfiles do setor já não basta mais. Precisamos ir além. Se cada empresa de moda tiver um Chief Culture Officer com o olhar aguçado a tudo o que está acontecendo não somente nas ruas, mas nas política, na economia, no cinema, nas novelas, ou seja, no macro ambiente, estará hábil para materializar padrões culturais e melhor alinhavar sua linha de pensamento às reais necessidades de seus consumidores. 


Por Juliana Zanettini
Consultora de tendências e consumo, e professora universitária

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