Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

A tendência da vez é trazer o fashion unido a ações que visam o consumo consciente. Conheça algumas delas

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The Street Store em São Paulo , quando aconteceu em maio de 2014

As estampas com o divertido “mascote lula” e a predominância de tons de azul são assinatura da Raw for the Oceans, uma linha de roupas elaborada pela grife G-Star Raw, em parceria com o astro Pharrell Williams, que esteve no Brasil no último fim de semana (27 e 28 de março) para se apresentar no festival Lollapalooza, em São Paulo. Os motivos marítimos presentes em jaquetas, jeans, camisetas e bonés, no entanto, não são apenas fruto da imaginação dos designers. A lula e a cor, bem como outros elementos, fazem referência à matéria-prima que dá origem a cada uma das peças: o plástico retirado dos oceanos.

“Raw for the Oceans”, que acaba de lançar sua segunda coleção com peças para a primavera/verão do Hemisfério Norte, utiliza um fio ecológico, derivado de garrafas PET como forma de contribuir para a despoluição das águas salgadas. Afinal, como informa a página oficial da grife, “hoje, nossos oceanos contêm seis vezes mais plástico que vida marinha”. O dado, aterrador, foi um dos motivos que levaram Pharrell Williams a se mexer para transformar a realidade, mas, felizmente, esta não se trata da uma iniciativa isolada na moda.

A chamada “moda ética” já pode ser considerada um movimento. Segundo a designer e pesquisadora do assunto Luciana Duarte, ela engloba tanto aspectos da moda sustentável, que diz respeito à relação, à utilização de tecidos ecológicos e às produções mais limpas, quanto ao aspecto sociais, como a garantia de direitos trabalhistas, a redução de desigualdade social e a valorização dos produtos e mãos de obra regionais.

Para ela, em um momento em que se fala tanto sobre escassez de recursos naturais e más condições de trabalho, até escravidão, dentro de empresas que produzem roupas para gigantes do mercado que tanto estamos acostumados a comprar e admirar, a moda ética chama a atenção sobre as consequências do consumo.

“Quando você compra alguma peça da moda ecológica, por exemplo, você está consumindo uma outra coisa chamada informação. Então, mesmo se o produto for um pouco mais caro, isso vai justificar um preço. Afinal, as pessoas precisaram consumir a informação sobre a origem dos produtos, sobre a mão de obra justa, sobre o impacto no meio ambiente, sobre a utilização, ou não, de testes em animais, o que é muito valioso”, comenta.

Então, para mostrar que o mundo glamouroso das tendências também pode, e deve, ser lugar de ética e sustentabilidade, o Pandora reuniu algumas iniciativas do Brasil, e inclusive, de Belo Horizonte que lidam com as mais variadas matérias-primas, põem em prática relações de trabalho diferentes e se preocupam com o bem-estar do ser humano e do planeta.

Circulando

No próximo sábado (11), a avenida Afonso Pena vai se transformar numa verdadeira loja de rua, mas visando uma “clientela” bem especial. Organizada por Luciana Duarte e mais de cem voluntários, o evento vai oferecer roupas e acessórios para moradores de rua. Batizada de “The Street Store”, a iniciativa, que surgiu na África do Sul e já rodou por diversos países, recebe doações e expõe os produtos na rua, em cabides e suportes, como se fosse uma loja a céu aberto.

Lá, os “compradores” podem escolher o que quiserem, motivados pelos seus próprios gostos e necessidades. (Saiba mais sobre pontos de doação e sobre o dia do evento acessando modaetica.com.br/the-street-store-bh-contexto-como-doar-e-como-ser-voluntario/). Além da conscientização sobre as pessoas que habitam as ruas e da solidariedade que o projeto propõe, ele também questiona o consumo excessivo e ajuda na diminuição da produção de lixo. “É legal colocar as roupas pra circular mais tempo na sociedade”, destaca Luciana, indo de encontro à “fast fashion”, termo em inglês para “moda rápida”, que designa uma relação com as peças praticamente descartáveis, dada a constante transformação das vitrines a partir da chegada de novas tendências.

Devagar

Ao contrário da moda rápida, a “slow fashion” (algo como “moda lenta”), procura questionar o consumo desenfreado e desnecessário sempre em busca de novidades. Por meio do conceito é que a designer Celina Hissa deu vida à Catarina Mina, uma marca nascida no Ceará que tem como carro-chefe o crochê e que valoriza, sobretudo, o trabalho manual.

A ideia, segundo a idealizadora, é oferecer algo durável para os clientes e que respeite também o tempo das crocheteiras, que têm participação importantíssima no produto que chega às lojas. São aproximadamente sete fixas, que trabalham em casa, participam da concepção estética das peças e no lucro das vendas e possuem carteira assinada.

“No meu trabalho como designer, eu via que na cadeia de produção como um todo, quem produz era sempre o último a ser reconhecido. Os interesses estavam voltados para a imagem do produto. Então, comecei a questionar isso, afinal, a criação só de um designer, ninguém faz nada sozinho”, comenta Hissa, que não desvaloriza a preocupação com a apresentação do produto.

“Claro que queremos oferecer algo bonito, nos preocupamos, e muito, com a imagem. O que fazemos é balancear um pouco mais essa cadeia, que é muito desequilibrada pra quem produz”.

É bonito sim

A Tiê Moda Ecológica, que inaugurou uma loja em Belo Horizonte em novembro passado, compartilha da preocupação com a beleza das peças. Oferecendo sapatos, roupas masculinas e femininas e acessórios feitos de matérias-primas como pneus, cápsulas de café, couro de tilápia e fibra de bambu, a ideia, de acordo com a proprietária Emanuelle Matoso, é desmistificar a qualidade dos produtos reciclados.

“Quando trabalhamos as peças, não é só pegar o produto in natura e colocar de qualquer jeito. Há todo um trabalho em torno dele. É como se lapidássemos o material que vai ser utilizado. Você vê um lacre de latinha de refrigerante, por exemplo, mas não é só isso. Todo o trabalho que é realizado em cima dele faz com que vire algo bonito e que você pensa: ‘Nossa, eu usaria isso!’ A moda ecológica pode ser usada com orgulho”.

Deu o que falar

No início do ano, um reality show norueguês deu o que falar nas redes sociais pelos absurdos expostos com relação ao bastidores do mundo da moda. Em cinco capítulos, o "Sweatshop Deadly Fashion" levou três blogueiras de moda para viver durante um mês como típicas trabalhadoras têxteis no Camboja. O objetivo do programa era mostrar a rotina dos trabalhadores nas “sweatshops”, fábricas têxteis com baixos salários e péssimas condições de trabalho, contrastando com a realidade das meninas, acostumadas a gastar até 600 euros em uma única peça de roupa e ganhar algumas para mostrar em seus blogs. Todos os episódios estão disponíveis no site da emissora Aftenposten (aftenposten.no/webtv/#!/video/21031/sweatshop-ep-5-what-kind-of-life-is-this).


Outras iniciativas perto de você 

A designer de moda Iáskara Isadora desenvolveu como trabalho de conclusão de curso uma coleção de rendas que utilizava como matéria-prima sacos de cimento. Ela também já criou peças que levam fibras de bananeira.


Ar do Brasil: ateliê que trabalha a cerâmica produzindo bijuterias inspiradas na natureza brasileira. O processo é todo artesanal.

Green Co. desenvolve roupas, calçados e acessórios utilizando matérias-primas sustentáveis e tecnológicas. Há lojas na Savassi e no Boulevard Shopping.

A Natura foi a primeira empresa a trazer frascos com vidro reciclado pós-consumo do mercado brasileiro. Na primeira etapa desta iniciativa foram utilizadas aproximadamente 472 toneladas de vidro reciclado, o que evita o descarte de material equivalente a 1,368 milhão de garrafas de 600 ml (com peso de 0,345 kg cada).

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