Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano X

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O impacto do compliance na competitividade da cadeia têxtil

Ante a necessidade de aumentarmos a competitividade sistêmica do Brasil e da indústria nacional, há todo um trabalho que deve continuar a ser realizado no âmbito do compliance. Exemplo do que devemos e podemos fazer encontra-se na indústria têxtil e de confecção. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), entidade representante do setor, vem trabalhando em uma série de iniciativas para discussão e disseminação das melhores práticas, em âmbito nacional e internacional. É signatária do InPacto (Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo), participa ativamente de comissões municipais, estaduais e federais de combate ao trabalho infantil e forçado e desempenha papel relevante em parcerias com indústrias, institutos, varejistas e organismos internacionais, para adoção de modelos sustentáveis em toda a cadeia produtiva.

Também criou a Certificação de Qualidade e Sustentabilidade da Indústria Têxtil e de Confecção – Selo QUAL, juntamente com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Texbrasil – Programa de Internacionalização da Indústria da Moda Brasileira, desenvolvido em parceria com a Apex-Brasil e com participação de empresas e instituições de ensino e pesquisa. Outros avanços estão sendo trilhados no campo da tecnologia, com estudos, missões e parcerias para implementação de meios de produção e gestão mais modernos e eficientes, que seguem princípios sustentáveis como uma das formas de tornar as empresas prósperas e preparadas para o futuro. Exemplo mais evidente foi o estudo conduzido em parceria da Abit com o Senai Cetiqt, ABDI, empresários e trabalhadores para construção da visão de futuro do setor. Também merece destaque, em São Paulo, ação que o Sinditêxtil-SP realiza em parceria com a prefeitura: projeto Retalho Fashion, que recolherá 20 toneladas diárias de resíduos têxteis, principalmente no Bom Retiro e no Brás. A coleta e separação serão feitas por catadores. Os retalhos, transformados em outros produtos têxteis, terão total reaproveitamento.

Tudo isso evidencia ser impossível responder aos desafios da sustentabilidade sem inovação. Tradicionalmente identificada pela OCDE como setor de baixa intensidade tecnológica, a indústria têxtil e de confecção já deu início a um grande salto qualitativo em direção às categorias de maior emprego de ciência e tecnologia, capacitando-se para desenvolver sistemas ciberfísicos, internet das coisas e dos serviços e automação modular, inserindo-se no novo universo da manufatura avançada e da economia digital. A diversidade de produtos com tecnologias vestíveis e o emprego de biotecnologias e materiais inovadores criarão demandas por têxteis inteligentes e funcionais, aumentando exponencialmente a diversidade e a intensidade tecnológica de fios, tecidos, aviamentos e produtos auxiliares.  

 Representantes de 60 nações conhecerão os novos caminhos da indústria têxtil e de confecção do Brasil, de 16 a 18 de outubro, quando nosso país sediará, pela primeira vez, a Convenção de Moda Mundial da International Apparel Federation (IAF), no Rio de Janeiro. O tema do encontro será “Conformidade e Tecnologia – fatores-chave para a indústria e varejo”. A Abit será a correalizadora do evento. O Brasil é o quarto maior produtor de confeccionados do mundo, além de ser o quinto fabricante têxtil e detentor da maior cadeia produtiva integrada do Ocidente. Produz 9,8 bilhões de peças confeccionadas por ano, sendo 5,5 bilhões de vestuário. A cadeia produtiva, desde o cultivo do algodão até as tecelagens e confecções, é totalmente integrada, o que multiplica os efeitos das ações de compliance. Por isso, o varejo brasileiro, ao trabalhar com a moda nacional, já pode oferecer aos consumidores roupas confeccionadas sob premissas éticas e ambientalmente corretas, ao passo que, quando importadas, podem estar sendo produzidas em condições que não podemos e não queremos reproduzir aqui.

O Brasil, por suas características e pelo trabalho que vem sendo realizado pelos diversos elos da cadeia de produção e distribuição de têxteis e confeccionados, em cooperação com autoridades, universidades, centros de pesquisa, sindicatos, ongs e  institutos, tem tudo para se tornar um grande paradigma mundial para o setor.

*Fernando Valente Pimentel é presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

https://www.saopaulopretaporter.com/noticias/ler/o-impacto-do-compl...

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