Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XI

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O que levou uma empresa têxtil de SP a transferir para Itajaí uma fábrica de 500 funcionários


Delton Batista, vice-presidente executivo do Grupo Pasquini: mudança para SC foi "natural" (Foto: Raphael Günther, Divulgação)

Com direito a festão que reuniu empresários, autoridades, influenciadores digitais e o casal de atores da Globo Klebber Toledo e Camila Queiroz, o Grupo Pasquini lançou oficialmente nesta terça-feira à noite a sua nova fábrica em Itajaí.

A unidade de 25 mil metros quadrados recebeu investimentos de R$ 20 milhões. Ali trabalharão 500 pessoas, do desenvolvimento de produto à embalagem, mas a empresa estima que, só na cadeia têxtil da região, sejam gerados outros 3,5 mil empregos indiretos. Além de fornecedores locais de insumos, parte da produção, sobretudo a costura, é terceirizada e fica nas mãos de parceiros do Vale.

Dono da marca de roupas e acessórios de moda Acostamento, que já está em 3 mil pontos de venda do país e deve encerrar 2019 com R$ 250 milhões em vendas, o grupo decidiu trocar São José do Rio Preto (SP) pelo Litoral Norte de Santa Catarina pela proximidade com o polo têxtil da região. Aliado a isso, pesou a posição geográfica privilegiada: a unidade foi erguida na Rodovia Antônio Heil, perto da BR-101 duplicada e ao complexo portuário, o que facilita o escoamento da produção.

É a partir de Itajaí que a empresa quer dobrar de tamanho e avançar internacionalmente., segundo o vice-presidente do grupo, Delton Batista. Ele conversou com a coluna na tarde desta terça-feira.

Que motivos levaram o grupo a sair de São Paulo e vir para Itajaí?

A razão mais importante foi a atração com o segmento. É interessante que Santa Catarina tem sido reconhecida nacionalmente pelo seu ecossistema de inovação, com startups e tecnologia, mas a gente acredita que o Estado tem uma vocação têxtil e de moda. O berço da indústria catarinense é muito focado em confecção e vestuário. Quase todos os nossos principais fornecedores, de tecidos, aviamentos, etiquetas, lavanderias, tinturarias, bordados, maquinário e tecnologia de modelagem, já são de Santa Catarina. A gente até brincava: por que não estávamos aqui antes? Quando a empresa desenhou seu plano de expansão e viu que precisava dobrar a sua capacidade industrial, mudando de unidade física, já pensou em ir para um ecossistema com mais proximidade dessa logística e de mão de obra especializada.

A escolha pela cidade, que é um polo portuário, já foi pensando em escoamento de produção?

Exatamente. Comparando com o que existia em São José do Rio Preto (SP), Itajaí é próxima de BR (101). Tem também as questões de logística do porto. Como alguns materiais nossos são importados, isso favorece de maneira decisiva. Há toda uma logística geográfica muito mais favorável para despachar os produtos para todo o Brasil.

Chegaram a cogitar outras cidades em Santa Catarina?

O plano, desde o princípio, sempre foi o Vale do Itajaí. Chegamos a avaliar Blumenau, Brusque e Itajaí, principalmente esses três municípios. Em função da localização, a rodovia Antônio Heil, que liga Itajaí a Brusque, acabou se tornando um polo estratégico e combinou todas essas facilidades.

A empresa tem um plano agressivo de expansão e quer dobrar de tamanho em cinco anos. O que está previsto?

Nos últimos três anos, mesmo no auge da crise econômica, a empresa experimentou um crescimento da ordem de 30% ao ano. Isso tem muito a ver, na nossa visão, com uma sintonia com o novo consumidor, que quer um produto de alta qualidade, de grife, mas com uma brasilidade. Marcas de luxo abandonaram o Brasil porque não conseguiram ter essa sintonia, seja comercial ou de modelagem, com o nosso público. Com essa crença, tudo leva a crer que vamos manter o ritmo e dobrar de tamanho. Para isso, a gente tem essa planta industrial nova, abertura de pontos de venda em lojas multimarcas em todo o Brasil e um projeto Latino-América. Vamos abrir na China, no segundo semestre, uma empresa para ter mais proximidade com aquele mercado, especialmente para captar novos fornecedores e materiais, porque lá a diversidade é muito grande. Com essa internacionalização da marca, a gente acredita em um crescimento promissor.

O setor têxtil, no geral, acumulou resultados ruins no ano passado, com queda em praticamente todos os indicadores. O que o grupo fez de diferente?

O segmento de moda é um dos que mais sentem o ânimo do consumidor na ponta. Nos últimos anos, ele realmente tem andado de lado. O que a gente acredita que a Acostamento (marca do grupo) tem feito de diferente é conseguir ter um portfólio de produtos variados. Hoje temos 1,5 mil produtos por coleção, com quatro coleções por ano. Temos uma linha completa de masculino, feminino, infanto-juvenil, calçados, acessórios. Essa variedade cai muito ao gosto do brasileiro. Todo o nosso vestuário atende às diversas ocasiões de uso. Enquanto outras marcas têm um portfólio mais restrito e um posicionamento de ditar moda, procuramos estar em sintonia com o mercado e, de fora para dentro, influenciar e adaptar as nossas coleções a partir da demanda do consumidor. Isso tem nos garantido mais agilidade, acredito, do que a média do setor.

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Respostas a este tópico

Verdadeira razão foi o interesse dos donos em morar em Balneário Camboriu.

Sr.Doria, nao vai lutar pela permanência da empresa como fez com a Ford.

  O segmento de moda é um dos que mais sentem o ânimo do consumidor na ponta. Nos últimos anos, ele realmente tem andado de lado.

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