Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano X

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Consultor fala na Fiesp sobre futuro do setor têxtil e de confecção

Laurent Aucouturier apresenta resumo de estudo sobre aumento de competitividade para o Brasil

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Laurent Aucouturier, consultor de gestão de parceriais da Gherzi, empresa especializada em pesquisas sobre o setor têxtil, fez apresentação na reunião desta terça-feira do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário da Fiesp (Comtêxtil).

Aucouturier apresentou um resumo de estudo, em processo de elaboração, sobre como tornar o Brasil mais competitivo no setor, feito para a Abit e Senai Cetiqt.

Da apresentação de Aucouturier, o vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comtêxtil, Elias Miguel Haddad, destacou a importância de conhecer as fraquezas do Brasil e saber como o país é visto lá fora. O Brasil é complexo, é difícil, é burocrático, mas supera seus problemas, e vamos retomar o crescimento, afirmou Haddad.

Pela estimativa da Gherzi, em 2020 o mercado de têxteis e confecção deve atingir US$ 1,7 trilhão, contra US$ 1,5 trilhão em 2014. A população vai crescer, e o mercado de têxteis também. No mundo a tendência não é declinante. A projeção mostra aumento do consumo per capita de fibras têxteis e de roupas, especialmente nos países emergentes, e crescimento importante na cadeia de valor do segmento sintético, devido às limitações de expansão do algodão e outras fibras naturais.

Há correlação clara entre crescimento do PIB e do consumo de fibras têxteis desde a década de 70, explicou Aucouturier.

Nos materiais crus, o algodão vai perder participação, caindo para menos de 20% em 2030, mas sua produção não vai declinar. Deve até crescer, mas não chegar a 30 milhões de toneladas por ano.

No poliéster, que tem crescido continuamente, a tendência deve continuar.

A demanda global para equipamento têxtil atingiu estimados US$ 32 bilhões em 2014. Em muitos segmentos a China conseguiu ameaçar a liderança da União Europeia e do Japão no fornecimento de máquinas têxteis. E tem presença em todos.

Em fios e fibras, a Gherzi vê oportunidades para diversificação, com crescimento importantes em nonwoven, fios originados em polímeros renováveis e no conceito de biodegradabilidade.

Em fiação, deve haver desenvolvimento de processo por jato de ar, diversificação para extrusão, compósitos e não tecidos.

Nas superfícies têxteis, possibilidades como a impressão digital para o acabamento. Fusão é algo a ter em vista no processamento. Tecnologia disruptiva pode surgir em acabamento/tingimento, como bioenzimas.

No varejo o ambiente é vibrante, disse Aucouturier. As empresas mais sofisticadas do setor no Brasil entenderam a revolução do setor, afirmou. Entre as tecnologias em alta, cita a realidade aumentada.

O mercado intra-Ásia ganha importância graças à mudança da indústria de vestuário e mais opções de fornecimento.

Cai participação da China na importação feita pelos EUA de vestuário devido ao surgimento de outros fornecedores, com acordos de livre comércio com os EUA. Entre eles o Vietnã é o que tem crescimento mais acentuado –sem, destacou Aucouturier, nenhum privilégio comercial.

Apesar da importância de acordos de livre comércio, não são tão necessários, destacou. Não tornam necessariamente o país competitivo nos EUA.

Mesmo assim, os acordos podem criar fluxos de importação ou exportação e afetar positivamente o cenário para o comércio internacional de vestuário. A realocação de fábricas para países com condições mais competitivas tem impacto médio previsto para o período de 2016 a 2025 e daí até 2035, segundo o estudo da Gherzi. Impacto médio também virá do crescimento da população mundial, especialmente em países em desenvolvimento. E o consumo na China deve aumentar enquanto sua competitividade diminui.

Entre os fatores que podem afetar negativamente o setor está a redução do consumo em países desenvolvidos. Há também uma megatendência das grandes marcas de procurar o fornecimento perto do local de consumo. A automação deve cada vez menos depender de trabalho humano, em impacto difícil de avaliar, disse Aucouturier.

E o impacto também será médio caso fracassem, não sejam renovados ou cancelados acordos de livre comércio. O acordo entre Mercosul e União Europeia é necessário para ela mostrar que se mantém forte.

Reunião do Comtêxtil, da Fiesp, com a participação de Laurent Aucouturier, da Gherzi. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Reunião do Comtêxtil, da Fiesp, com a participação de Laurent Aucouturier, da Gherzi. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

O relatório da Gherzi mostrou os fatores analisados pela Adidas para escolher seus fornecedores, com a liderança do Vietnã, que é visto como promissor. O país é bom em qualidade, velocidade, disponibilidade, custo e risco, e médio em tarifas. O Brasil tem uma miríade de empresas de porte menor. Faltam as de grande escala.

As grandes marcas procuram alternativa à China, diminuindo seu risco. Varejistas tendem a se concentrar cada vez mais no marketing, reduzindo seu risco em outras atividades, como logística.

Das 33 tendências que impactam o mercado de têxteis e vestuário, a Gherzi selecionou algumas para destacar, como o crescimento da personalização em massa, no design. Na produção deve ser necessária a capacidade de produzir lotes pequenos, haver plantas flexíveis, o que as fábricas atuais, voltadas ao volume, não podem fazer. Deu como exemplos o site NikeiD e a Adidas Speedfactory – nesse caso, uma fábrica quase sem trabalho humano, na Alemanha.

Na produção, o destaque é o acabamento e impressão digital. Há vantagens como a sustentabilidade, com menos uso de água e tinta. No varejo, novas experiências de compra, como sites europeus e norte-americanos. Aucouturier não vê –ressalva que não é especialista- no Brasil muitas novas iniciativas online. No consumo, a importância do “made in”. Por exemplo, 75% dos norte-americanos se dispõem a pagar em média 16% a mais por produtos feitos no país.

O fim do ciclo de vida tem como destaque os têxteis orgânicos biodegradáveis. Aucouturier disse que muitas marcas já cuidam da reciclagem dos produtos que vendem. E a transparência, afirmou, é cada vez mais valorizada pelos consumidores. O grande exemplo é a Marks & Spencer, com seu mapa online mostrando sua cadeia de produção.

Em relação a recursos, um complicador para o Brasil é a tendência ao crescimento dos fios mistos, o que pode requerer importação de matéria-prima.

A pesquisa da Gherzi mostra que para muitas empresas líderes no setor, industriais e varejistas, o Brasil está fora do radar, o que Aucouturier recebeu com surpresa. Elas não sabem nada sobre o mercado do país. Aucouturier comentou 10 frases ditas por empresas formadoras de opinião.

Como o Brasil é visto

A Triumph, de lingerie, saiu do país por não conseguir concorrer, pela presença de muitas marcas boas, mas não vê o país como possível fornecedor.

Li&Fung não tem fornecedores brasileiros, e o país não é meta importante no momento.

H&M considera que o Brasil não é competitivo em preço em vários itens e não consegue fornecer uma cesta completa de produtos, o que a empresa busca num fornecedor, para reduzir a complexidade do fornecimento.

Vardhman vê o Brasil como mercado importante.

Anonimamente vários entrevistados disseram que o país é muito complexo em legislação, por exemplo. Também mencionaram o crescimento de barreiras não tarifárias, contrabando e outros problemas que afetam a competitividade do Brasil.

A Efi Reggiani Macchine viu uma redução nas compras pelo Brasil de equipamentos de acabamento e de impressão digital. A empresa vê como obstáculo a falta de financiamento para a modernização e expansão de projetos.

A Gherzi

Fundada em 1929, atua puramente como consultoria para o setor têxtil e a cadeia varejista. Atua em mais de 80 países, com 115 profissionais.

http://www.fiesp.com.br/noticias/consultor-fala-na-fiesp-sobre-futu...

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Respostas a este tópico

Muito importante a pesquisa e traz conclusões que devem ser utilizadas no Brasil. Pena que parou na área têxtil e pouco fala de fabricação do vestuário. 

O segmento de confecção no Brasil é uma atividade em extinção, pelo fato de que em 10 anos no máximo, não teremos costureiras. A faixa etária média é de 35 anos. As grandes fábricas não empregam costureiras, utilizam facções. As facções pagam mal e não registram suas funcionárias. Isso não desperta interesse de jovens irem para esse mercado de trabalho, sem atrativos salariais e benefícios, com boa dose de insalubridade (ambiente quente, mal iluminado, com excesso de poeira e ruído). A faixa jovem, ainda relaciona a responsabilidade e  as metas de produção como outra agravante, contra outras atividades como lojas de shopping, onde por salário igual, trabalham bem vestidas e perfumadas num ambiente refrigerado. Empresários também não investem em treinamento e várias máquinas eletrônicas ficam sem operação por falta de pessoas qualificadas, ou são usadas como máquina comum com cortador de linha. Uma costureira hoje, recebe R$ 1.100,00 e dá 45% de produtividade, logo, o custo para a empresa é de R$ 2.444,44. Se implantar treinamento e aumentar salários registrados para R$ 1.600,00 vai obter 80% de produtividade e custará para a empresa R$ 2.000,00. Ganham todos e a confecção continua no Brasil

Comentários pertinentes, porém a análise deve ser feita com maior profundidade e com o conhecimento integral do relatório da consultoria.

A Triumph, de lingerie, saiu do país por não conseguir concorrer, pela presença de muitas marcas boas, mas não vê o país como possível fornecedor.

    Também mencionaram o crescimento de barreiras não tarifárias, contrabando e outros problemas que afetam a competitividade do Brasil.

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