Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

Cerca de 30% das indústrias têxteis estão com a produção suspensa em Minas Gerais | Crédito: Divulgação

O setor têxtil de Minas Gerais acumula prejuízos em função da paralisação das atividades do comércio para o controle da disseminação do novo coronavírus.

Com o comércio fechado, incluindo os de vestuário, a demanda pelos produtos têxteis está menor e todas as indústrias do setor foram prejudicadas. A estimativa é de que cerca de 30% das indústrias estejam com as atividades suspensas e 70% trabalhando com capacidade bem reduzida.

A obrigatoriedade do uso de máscaras no Estado e a demanda por equipamentos de proteção individual (EPI) têm contribuído, porém, para um funcionamento mínimo do setor.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais (SIFT-MG), Rogério Mascarenhas Cezarini, explica que a cadeia têxtil mineira tem grande importância econômica uma vez que completa – envolvendo desde o produtor de matéria-prima, a indústria, a confecção e o comércio lojista – representa cerca de 15% da economia mineira. Ele ressalta que com o fechamento do comércio não essencial o impacto na demanda foi amplo.

“Levando em conta que comércio e as lojas dos shoppings estão fechadas e que nos malls 50% são lojas de vestuário, o impacto é muito forte na indústria têxtil, que tem um papel relevante na economia mineira e na geração de empregos. Se não tem comércio, não há demanda pelos produtos têxteis. Estimamos que 30% das indústrias mineiras do setor têxtil estão com as atividades paralisadas e 70% trabalhando com a produção bem menor”, disse.

Alternativa – Ainda segundo Cezarini, há cerca de 15 dias, a demanda proveniente do setor hospitalar e de tecido para a produção de máscaras ficou maior, porém, a alta não é muito relevante, mas é um caminho para ativar parte do parque industrial. Um dos projetos que tem contribuído para as vendas do setor têxtil é a rodada de negócios promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

“A Fiemg tem organizado rodadas de negócios apresentando, de um lado, a demanda de EPIs dos hospitais, de prefeituras e de empresas e, do outro lado, a oferta de tecidos e EPIs para atender a demanda. Isto tem contribuído, em Minas Gerais, para a reativação de algumas confecções e da indústria, que utiliza dessa demanda pequena, mas adicional, para ativar um pouco do parque”, explicou.

Com a procura reduzida, os empresários do setor estão preocupados. Sem faturar e precisando arcar com os custos, o setor vem gastando o capital de giro, que pode fazer falta na hora da retomada das empresas.

“Uma planta industrial têxtil tem que ter um ponto ótimo de produção que dê um equilíbrio entre custo, despesas e receita de no mínimo 80% de produção. Então, vamos ver se as autoridades federais, estaduais e municipais juntas com os técnicos da saúde adotem medidas que também viabilizem, de forma segura, o retorno das atividades para que o setor têxtil mineiro e do Brasil não seja tão penalizado. À medida que se estende esse fechamento do comércio, a indústria gasta o capital de giro e fica cada vez mais difícil o retorno. O governo, lá na frente, vai ter que pensar em medidas de suplementação de capital de giro para as empresas retomarem a atividade”.

Ainda conforme Cezarini, as medidas anunciadas pelos governos, como linhas de crédito especiais, suspensão e redução dos contratos de trabalho e suspensão ou postergação do pagamento de alguns impostos, por exemplo, têm sido essenciais e utilizadas pelos empresários para evitar demissões.

“São medidas muito importantes que evitam demissões. A indústria têxtil tem custo fixo muito alto e não consegue se manter com nível de produção baixo. Até o momento, não tivemos demissões no setor, mas isso também dependerá do tempo que durará a crise provocada pelo coronavírus”.

Grandes companhias – As medidas lançadas pelos governos ainda não abrangeram as empresas com faturamento anual superior a R$ 10 milhões e, que, segundo Cezarini, também precisam de políticas públicas.

“Falta assistência para as empresas maiores, além disso, as entidades bancárias estão exigindo garantias que os empresários estão encontrando dificuldades para acessar o crédito. O governo precisa adotar mecanismos, através do Tesouro, para atender a necessidade de capital de giro e de linhas de financiamento para as empresas médias e grandes. Isso é importante para evitar demissões e a desestruturação do parque fabril”, destacou.

Para a retomada do setor, após o controle do coronavírus, Cezarini acredita que a reforma tributária será essencial para a reestruturação do parque fabril e também para garantir a competitividade das indústrias no mercado externo.

Além disso, é esperado que o governo ganhe aprendizado com as dificuldades de abastecimento encontradas durante a crise do coronavírus e que as indústrias nacionais passem a ser valorizadas e estimuladas.

“Torcemos para que a pandemia passe rapidamente e que sirva de exemplo para que o governo dê prioridade maior aos produtos nacionais. Ao longo dos últimos anos, muito se incentivou a globalização e houve um grande desestímulo das indústrias nacionais. É preciso mudar essa visão. Paralelo a isso, é preciso rever a política tributária, que penaliza as empresas e reduz a competitividade frente às indústrias de outros países”, explicou.

CONSUMIDOR CONCENTRA CONSUMO EM BENS ESSENCIAIS

Desde que o vírus causador do Covid-19 começou a circular no mundo, governos da maior parte dos países adotaram a paralisação, total ou parcial, das atividades não essenciais.

A solução provocou impactos na rotina dos cidadãos, no comportamento de consumo e investimento e, consequentemente, na economia. A dúvida é sobre qual será o nível desse impacto e sua persistência.

Para compreender melhor os possíveis desdobramentos da crise, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) perguntou para consumidores e empresários como estão sendo afetados e suas percepções quanto à recuperação pós-pandemia.

O levantamento feito no âmbito das sondagens do FGV Ibre, em abril, apontou que 79,1% dos consumidores declararam estar comprando apenas produtos essenciais. Para cerca de 15% a crise não afetou os gastos da família, mas esse percentual é maior conforme aumenta o poder aquisitivo dos consumidores.

Sobre a retomada da economia, a percepção da maioria (67,8%) é de que só voltará ao normal após seis meses – análise parecida com as dos economistas, que apontam para uma recuperação lenta e gradual, como já vinha acontecendo.

“Mesmo que o final da quarentena seja definido nos próximos meses, a velocidade da retomada vai depender da velocidade da recuperação da demanda. É importante destacar que a alta taxa de desemprego e as incertezas associadas à pandemia vão contribuir para segurar o ritmo da volta ao consumo”, ponderou o economista do FGV Ibre Rodolpho Tobler, um dos responsáveis pela pesquisa.

De olho na demanda – Empresas de diferentes setores definem como negativo ou muito negativo os reflexos da pandemia.

O percentual de empresários com essa percepção chegou a 94,3% entre as empresas do setor da construção, sendo seguidos por serviços (91,7%), principalmente os segmentos de alojamento, serviços de transporte rodoviário e obras de acabamento, entre os quais mais de 75% consideraram que foram afetadas muito negativamente.

Os dois principais motivos apontados para o pessimismo foram: redução da demanda e paralisação parcial ou total por questões de saúde.

Em março, quando o FGV Ibre avaliou pela primeira vez os reflexos da paralisação de parte da economia, o setor de serviços foi o que menos projetava impacto em suas atividades, porém os resultados prévios da confiança de abril mostraram que eles são os que têm a maior queda no nível de confiança.

Já a indústria apontou dificuldades no fornecimento de insumos importados, afetando principalmente os segmentos de bens duráveis e de capital. Vestuário (87,8%), couros e calçados (81,8%) e veículos automotores (79,7%) são os que possuem maior proporção de empresas reportando impacto muito negativo em seus negócios.

Com a mudança de hábito de consumo, alguns empresários perceberam melhora em seus negócios, majoritariamente de empresas dos segmentos ligados a alimentos, fabricação de produtos alimentícios e comércio de hiper e supermercados, fabricação de produtos farmacêuticos, além de empresas de produtos de plástico e serviços da construção relacionadas à parte hidráulica, ventilação ou refrigeração.

Sobre a recuperação da economia após a quarentena, cerca de 70% das companhias consultadas concentram suas expectativas no período entre quatro e seis meses. Em todos os setores, a maior parte das empresas projeta que o coronavírus impactará suas atividades no 2º e no 3º trimestres de 2020.

Em alguns segmentos, como hiper e supermercados, há uma heterogeneidade na expectativa de recuperação, que fica entre 4 e 6 meses ou em mais de 9 meses, após o fim da crise. (Da Redação)

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Já a indústria apontou dificuldades no fornecimento de insumos importados, afetando principalmente os segmentos de bens duráveis e de capital. Vestuário (87,8%), couros e calçados (81,8%) e veículos automotores (79,7%) são os que possuem maior proporção de empresas reportando impacto muito negativo em seus negócios.

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