Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Polícia Federal investiga festa de 40 anos realizada pela Têxtil Canatiba

Indústria de Santa Bárbara teria usado a captação de recursos em projetos culturais para poder bancar a comemoração


A indústria têxtil Canatiba, de Santa Bárbara, é suspeita de participar do esquema que fraudou recursos captados via Lei Rouanet, descoberto na Operação Boca Livre S/A. Para a Polícia Federal, há fortes indícios de que a empresa usou projetos patrocinados por ela, como apresentações de uma orquestra de violeiros e a edição de livros sobre arte e sobre a Copa do Mundo, para bancar, por exemplo, a festa de aniversário de 40 anos da empresa, em 2010, e shows sertanejos para convidados.

Criada em 1991, a Lei Rouanet é uma política de renúncia fiscal. Artistas e produtores culturais podem captar dinheiro com empresas privadas para o financiamento de projetos. Caso as propostas sejam aceitas, as empresas incentivadoras, como são chamadas, podem deduzir o dinheiro investido no imposto de renda do ano seguinte. Na Boca Livre, no entanto, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal descobriram que havia fraudes lideradas pelo grupo Bellini Cultural. A empresa, conhecida por atuar na promoção de eventos culturais, levava propostas ao Ministério da Cultura, que aprovava a captação de recursos junto a entidades privadas em busca de renúncia fiscal.

Foto: Dener Chimeli / O LiberalUm show da dupla sertaneja César Menotti & Fabiano na empresa, em dezembro de 2010, ainda é tido como suspeito

Após a captação, o grupo repassava de volta aos patrocinadores parte do valor “incentivado”. Os projetos, portanto, eram disfarces para que, ao mesmo tempo em que obtinham a dedução no imposto, os recursos fossem direcionados a interesses particulares das incentivadoras, como eventos corporativos.
Na primeira etapa da operação, deflagrada em junho, investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão relacionados ao grupo Bellini. Documentos apreendidos na época levaram à segunda fase da Boca Livre, que levou policiais às ruas no dia 27 de outubro. Nesta etapa, a Polícia Federal avançou contra 29 empresas que teriam sido beneficiadas pelo esquema.

No pedido de cumprimento de mandados apresentado à justiça pela operação, a Canatiba aparece em uma lista em que a delegada da Polícia Federal Melissa Maximino Pastor aponta como patrocinadoras recentemente identificadas que “atuaram em conjunto com o grupo Bellini Cultural associando-se aos seus integrantes com o fim exclusivo de desviar recursos, devendo responder nesses casos por associação criminosa voltada para a prática de estelionato contra a União”.

Segundo a Polícia Federal, quatro projetos da Canatiba, no valor de R$ 1,9 milhão, são suspeitos de terem sido fraudados em benefício da empresa têxtil. Um deles previa a edição de livros sobre arte moderna, meio ambiente e arquitetura para serem distribuídos a turistas de Campos do Jordão e bibliotecas municipais. Outro, um livro temático sobre a Copa do Mundo da Alemanha. Um terceiro projeto deveria realizar sete apresentações de uma orquestra de viola.

De acordo com a investigação, no entanto, os valores teriam sido utilizados para bancar “2 mil livros personalizados ‘edição luxo’ intitulado ‘Canatiba 40 anos’. Também, para pagar a festa de 40 anos da empresa com a participação do cantor Leonardo, em 18 de dezembro de 2009. Um show da dupla sertaneja César Menotti & Fabiano, em dezembro de 2010, ainda é tido como suspeito.

Os quatro projetos em que a Canatiba aparece como incentivadora tiveram como autoras das propostas empresas e pessoas vinculadas ao grupo Bellini Cultural. Nos sistemas do Ministério da Cultura, a edição de livros sobre arte teve como proponente Antônio Carlos Bellini Amorim. Controlador do grupo Bellini, preso e solto durante a operação, Antônio Carlos é sócio de outras duas empresas vinculadas às propostas de projetos em que a Canatiba participou – a Amazon Books & Arts Ltda., que propôs o livro sobre a Copa do Mundo, e a Solução Cultural Consultoria em Projetos Culturais Ltda., autora dos projetos de orquestras.

Procurada pelo LIBERAL, a diretoria da Canatiba informou que não comentaria o assunto.

http://liberal.com.br/cidades/s-barbara/policia-federal-investiga-f...

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Fiasco.

   Segundo a Polícia Federal, quatro projetos da Canatiba, no valor de R$ 1,9 milhão, são suspeitos de terem sido fraudados em benefício da empresa têxtil.

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