De acordo com o estudo “Cotton fibre prices, production and consumption forecasts” do Textile Outlook International, desenvolvido pela Textiles Intelligence, o preço do algodão deverá manter-se reduzido ao longo das épocas 2019/2020 e 2020/2021, devido aos níveis de oferta excedentários que ultrapassam a procura por esta matéria-prima.
De facto, desde o início da época de 2018/2019 que o preço médio do algodão tem vindo a descer e estima-se que mantenha a mesma tendência no final de 2019/2020 até chegar aos 0,76 dólares por libra (0,68 euros por libra) – 0,11 dólares abaixo relativamente à média registada em 2018/2019.
Motivos para a queda do preço
Um dos fatores que parece estar a exercer um maior impacto sobre o preço do algodão prende-se com a incerteza decorrente da guerra comercial entre os EUA e a China. A Textiles Intelligence argumenta que, até que a relação entre as duas potências se torne menos tensa, a procura por algodão «continuará a manter-se limitada, condicionando os níveis do preço – exceto se houver sinais de uma maior força impulsionadora da economia global.
A queda dos preços do algodão foi ainda reforçada por um aumento do stock global, que no final da época de 2019/2020 (isto é, a 31 de julho de 2020) deverá ser 1,3% maior do que o registado no início, a 1 de agosto de 2019.
Apesar disto, estima-se que consumo global desta matéria-prima suba em 2019/2020, acompanhando a estabilização da procura chinesa. No entanto, antecipa-se que este efeito seja atenuado pelo crescimento da produção global de algodão no mesmo período, à medida que a Índia recupera rendimentos e que os EUA assistem à expensão dos seus terrenos de cultivo. Deste modo, prevê-se que produção global ultrapasse, mais uma vez, a procura, potenciando um stock excedentário e, consequentemente, uma pressão para a redução do preço do algodão.
A Textiles Intelligence estima que este efeito “bola de neve” se prolongue ao longo da época 2020/2021, já que a procura se manterá fraca comparativamente a uma oferta excessiva, que beneficiará de maiores rendimentos como consequência das melhores condições climáticas. Aliás, na temporada de 2020/2021, a colheita mundial de algodão está prevista para atingir o segundo valor mais alto registado desde sempre.