Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Depois de um ano de altos e baixos, os preços do algodão parecem ter oferecido tréguas ao final de 2019. O índice A do grupo Cotlook aponta para uma estabilização do preço global numa média de 0,75 dólares por libra – ainda que esta fase de equilíbrio seja precária.

No final da semana que terminou a 19 de dezembro, os preços do algodão americano apresentaram uma média de 62,46 cêntimos de dólar por libra (55,79 cêntimos de euro por libra), revela o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla original). Estes dados significam uma subida de 0,86 cêntimos de dólar relativamente à média semanal anterior, mas uma queda de 10,66 cêntimos de dólar comparativamente ao período homólogo de 2018/2019.

A análise mensal da Cotton Incorporated, publicada em meados de dezembro, indica que a maioria dos preços de referência estava estável quando comparados com o mês anterior – o estudo índice A do grupo Cotlook situa a média de preços globais nos 0,75 dólares por libra. A organização aponta ainda para uma média de 0,84 dólares por libra na China, 0,71 dólares por libra na Índia e 0,69 dólares por libra no Paquistão – três países que constam na lista dos cinco maiores produtores desta matéria-prima, a nível mundial, a par dos EUA e do Brasil.

Em rota descendente

A instabilidade provocada pela guerra comercial EUA-China contribuiu para os distúrbios nos padrões de importação e exportação mundiais, cujos efeitos se prolongarão no longo prazo, sustenta o Sourcing Journal.

De facto, a Cotton Inc refere que as importações de algodão a partir da China já sofreram uma queda de 32% a 43%, entre agosto e outubro da época de 2019/2020, relativamente ao período homólogo anterior. «Em 2018/2019, a China importou mais 70% de algodão do que em 2017/2018. Vários fatores contribuíram provavelmente para a inversão [do peso das importações face a 2019/2020]. Um deles é a desaceleração [do crescimento] da economia nacional e o enfraquecimento da procura doméstica a jusante. Outro é o abrandamento da procura externa a jusante, devido às tarifas e à desaceleração da economia global. E o terceiro fator prende-se com o facto de os preços do algodão doméstico serem mais atrativos relativamente às importações», aponta.

O Conselho Consultivo Internacional de Algodão (ICAC, na sigla original) descreve que a época 2018/2019 «apresentava preços em montanha russa, com quedas da produção, da área [cultivada] e dos rendimentos». Após um nível de 99,5 cêntimos de dólar por libra no início de 2018/2019, os preços caíram ao longo da época, atingindo os 50 cêntimos de dólar por libra no verão. O total de área cultivada diminuiu 1% para 32,6 milhões de hectares, enquanto os rendimentos globais desceram 2%, mantendo-se, apesar de tudo, acima da média dos últimos 10 anos. Como consequência, a produção global desceu 3% para 25,7 milhões de toneladas.

«O abrandamento do crescimento económico, a par dos conflitos comerciais, definiu um ambiente para uma baixa no consumo, com uma perda de quase 1%, para 26,2 milhões de toneladas», explica o ICAC. «Com o consumo a exceder a produção, os stocks finais globais para a época [2018/2019] diminuíram 2% para 18,3 milhões de toneladas», indica.

«Surgiram novas incerteza, além dos riscos comuns que a agricultura normalmente enfrenta», explica o ICAC. «Após vários anos de condições comerciais relativamente estáveis, o mercado agrícola global enfrenta riscos crescentes, incluindo a incerteza política das tensões comerciais. O comércio aberto, transparente e previsível é importante para o mercado do algodão e para o seu papel enquanto commodity essencial na economia global», conclui.


FONTESourcing Journal
https://www.portugaltextil.com/preco-do-algodao-na-corda-bamba/

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