Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

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Luis Ushirobira/Valor/Luis Ushirobira/ValorCotações recordes do algodão afetaram o capital da têxteis, que vão consumir menos algodão em 2011, diz Pimentel

Os olhares do cotonicultor estarão voltados para o mercado externo no próximo ano. Impulsionadas pelas dificuldades da indústria têxtil nacional, que ainda sofre os impactos da forte alta atingida pelos preços do algodão, as exportações da commodity na safra 2011/12 podem alcançar 1 milhão de toneladas, crescimento de 42% sobre as 700 mil toneladas estimadas para o ciclo 2010/11.

Essa é a expectativa de Haroldo Cunha, presidente do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), para quem as cotações da pluma ficarão "estáveis ou um pouco abaixo do patamar atual".

As cotações recordes afetaram seriamente o capital de giro das empresas têxteis, afirmou Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). Ele estima perdas da ordem de R$ 100 milhões por conta da valorização da commodity. O executivo acrescenta que a produção da indústria têxtil nos primeiros oito meses desse ano caiu 11% em relação a 2010.

Por causa disso, o setor têxtil reduziu sua estimativa de consumo de algodão em 2011. Pimentel prevê que a demanda industrial atingirá 900 mil toneladas, ante as 1,065 milhão de toneladas consumidas em 2010. A previsão atual é um pouco mais otimista da feita há cerca de dois meses pela Abit, de 800 mil toneladas.

Ainda que o país tenha forte crescimento das exportações, Haroldo Cunha, do IBA, vê com preocupação o fraco desempenho interno. "O mercado doméstico dá liquidez imediata ao produtor", diz.

O grande incremento esperado para as exportações da fibra, porém, não será acompanhado pela produção brasileira total, que deve se manter estável, apesar dos ganhos de produtividade esperados. De acordo com o presidente do IBA, a área plantada com a pluma deve recuar 5% em relação à temporada anterior, que atingiu 1,4 milhão de hectares, segundo o último levantamento de safra divulgado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). "O aumento da produtividade e a redução da área plantada devem ser equivalentes", diz Cunha.

Depois de alcançarem recordes históricos - atingiu pico de alta de 148% entre agosto de 2010 e 7 de março de 2011 - os preços da fibra devem ter estabilidade na safra 2011/12. Para Ronaldo Spirlandelli de Oliveira, presidente da Associação Paulista de Produtores de Algodão (APPA), "o mercado vai andar de lado".

Os preços podem até recuar, na avaliação do presidente do IBA. "O algodão é uma cultura de ciclos. Como tivemos um período de alta, os preços, que já caíram, devem ficar estáveis ou pouco abaixo do patamar atual". Apesar da expectativa de baixa, Cunha diz que a recente desvalorização da moeda brasileira pode tornar os preços mais vantajosos ao produtor brasileiro. "O real cotado a 1,80 torna os preços muito competitivos", diz.

Apesar da expectativa de estabilidade dos preços, produtores mantêm cautela com as vendas antecipadas. "As vendas antecipadas devem atingir entre 40% a 50% da produção", estima Cunha.

Ontem, a forte alta do dólar fez com que as cotações do algodão recuassem 500 pontos na bolsa de Nova York com o contrato para dezembro a US$ 1,0552 a libra-peso.

Fonte:|http://www.valor.com.br/empresas/1011412/produtores-de-algodao-de-o...

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