Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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“Queremos uma peça nossa no guarda-roupa das brasileiras”, diz CEO da Karl Lagerfeld

Em meio ao lançamento de uma coleção com a Riachuelo, executivo fala do plano de tornar a grife mais acessível: “somos uma marca que quer incluir”
 

O estilista Karl Lagerfeld e Pier Paolo Righi, CEO de sua marca (Foto: Divulgação)

Óculos escuros. Colarinho da camisa alto, cobrindo o pescoço. E o cabelo branco preso no famoso rabo de cavalo. A imagem do alemãoKarl Lagerfeld fala por si. Um dos estilistas mais celebrados do mundo, ele é conhecido por sua irreverência e seu estilo inconfundível. Fez sucesso como designer-chefe e diretor-criativo das grifes Chanel e Fendi — cargos que ocupa há décadas e onde está até hoje. Mas ele não para por aí. É com a própria marca, que ganhou o nome do criador, que imprime sua personalidade. “É a marca dele, o DNA dele”, diz Pier Paolo Righi, CEO da empresa


Tal DNA chegou neste mês ao mercado brasileiro. Não em uma vitrine de luxo — mas em uma loja de departamento. Ou fast-fashion, como são chamadas as redes. Em abril, a Karl Lagerfeld se juntou à Riachuelopara lançar uma coleção sob a liderança artística do estilista. São 75 peças, com preços entre R$ 50 a R$ 400.

“Se uma marca entende que quer alcançar um público maior e ser acessível, que é o nosso caso, então a parceria faz todo o sentido”, afirma Righi.

O executivo veio ao Brasil na última semana para o lançamento oficial da coleção, no São Paulo Fashion Week. A Época NEGÓCIOS, ele falou da tentativa de alcançar um novo público, da importância do marketing digital na moda e da responsabilidade de representrar um ícone.

Karl Lagerfeld ainda não tinha atuação no mercado brasileiro. Como surgiu a ideia de fazer uma coleção em conjunto com uma companhia daqui?
Para ser bem honesto, não lembro quem procurou quem. Mas me lembro do nosso primeiro encontro, que aconteceu em Paris. Foi uma combinação muito natural desde o início. Sentimos que a equipe da Riachuelo entendia muito bem os valores e o design da Karl Lagerfeld. E nós também entendíamos o poder e o potencial da colaboração com a Riachuelo. O Brasil é um mercado muito importante — e nunca tínhamos desembarcado com a marca aqui. Então, para nós, fazer esse movimento é um primeiro passo a fim de entender o mercado e a consumidora. E se você faz um primeiro movimento em um mercado, recorre a uma grande empresa que pode alcançar uma vasta base de consumidores.

Como marca de luxo, qual a importância de se unir ao fast-fashion?
Se uma marca entende que quer alcançar um público maior e ser acessível, que é o nosso caso, então faz todo o sentido. Se uma marca decide que não quer ser acessível e prefere se restringir a um público menor, então uma parceria assim não faria sentido. Escolhemos o primeiro caminho.

Em parcerias assim, há quem questione o real valor e a real qualidade entregues ao consumidor. A coleção da Karl Lagerfeld acrescenta algo novo às vitrines, traz benefícios às consumidoras?
Não é uma resposta que eu ou qualquer pessoa nesta sala [membros de comunicação da empresa] deveríamos dar. Só uma pessoa pode responder: a consumidora. Se ela entra na loja, gosta do que vê, quer ter uma peça, sente-se inspirada a partir daquilo, sente o mundo de Karl Lagerfeld ganhando vida e diverte-se com isso, então fizemos o nosso trabalho. Trouxemos algo novo à consumidora. Agora, se é tudo um tédio e desinteressante, não fizemos o nosso trabalho. O que eu estou dizendo é: ela decide, ninguém mais. Eu gosto de acreditar que trazemos algo especial, trazemos uma parte do mundo do Karl Lagerfeld. Karl não está com a marca no Brasil, então é algo que não estava no mercado. Mas no fim, é a consumidora que decide.

Mas como esperam que a coleção será recebida?
A expectativa é que a gente traga algo especial, que a consumidora goste. Queremos ter uma peça no guarda-roupa dela. É o que eu espero.

Como a Karl Lagerfeld vê as consumidoras brasileiras? Pensaram especificamente nelas na hora de fazer a coleção?
Absolutamente. Era muito claro, desde o começo, que queríamos nos dirigir especificamente à mulher brasileira. O próprio Karl tinha insights a partir de suas visitas ao país, e a Riachuelo compartilhou conosco seu conhecimento sobre essa consumidora cheia de alegria, de cores, de vida. Uma consumidora muito consciente em relação ao próprio corpo. Autoconfiante. E esse foi o tipo de consumidora que tínhamos em mente quando estávamos criando a coleção. O processo criativo começou há nove meses, mais ou menos.

"Em termos de posicionamento,
a coleção de Karl
Lagerfeld não mira
itens de luxo que
exclui pessoas.
Somos uma marca
que quer incluir"

Essas características são muito diferentes no mercado europeu?
Não dá para dizer que sim e que não. Mesmo na Europa, há tipos de consumidoras muito diferentes. Diria que a brasileira é mais próxima da italiana ou da do sul da Europa. Não dá para dizer que existe um esteriótipo europeu — há diferenças, mas há também consumidoras parecidas com as brasileiras.

Li numa entrevista uma vez que a sua missão é “tornar o mundo de Karl Lagerfeld acessível a um público maior”. Gostaria de saber se essa coleção é também uma tentativa de alcançar esse objetivo.
Com certeza. Acredito que, em termos de posicionamento, a coleção de Karl Lagerfeld não mira itens de luxo que exclui pessoas. Somos uma marca que quer incluir. Uma marca com que as pessoas podem se divertir e conseguir comprar. Essa é a ideia por trás. Portanto, a parceria com a Riachuelo é muito boa, porque, como mencionei, pode levar a marca a um grande público de forma comercialmente acessível.

E não é a primeira vez que fazem algo assim, né?
Há exatamente dez anos, o próprio Karl fez uma parceria, como designer de moda, para a H&M. Foi uma grande mudança de paradigma na indústria. Porque nenhum estilista, principalmente um tão importante como Karl, tinha feito isso. Só serve para mostra quão inovador e irreverente foi e é Karl Lagerfeld. Estilistas hoje seguem o mesmo caminho.

Coleção da Kar Lagerfeld consiste em 75 peças para a Riachuelo (Foto: Divulgação)

Ele é bem popular na internet. Quão valiosos são o marketing digital e as redes sociais para vocês?
São superimportantes. Karl tem uma base de seguidores enorme no Instagram — são 2,5 milhões em só alguns anos desde que tem a conta. Ele é realmente relevante para um grande público. Não só para a consumidora mais madura da Chanel, mas também para uma mais jovem e conectada, em várias partes do mundo.

E não se trata só de moda. Ele compartilha seus interesses — arte, cultura... É muito maior. Por causa disso, as redes sociais são muito importantes para a gente. Permite comunicar sobre o mundo de Karl, sobre o que ele pensa, o que ele faz, permite engajar o consumidor. Além disso, o mundo digital é muito importante para nós do ponto de vista de negócios. A marca não tem representantes em todos os países.Temos 60 lojas, mas para cobrir o mundo todo precisaríamos provavelmente de 6 mil. Então, para nós, também é um jeito de levar nossas coleções a várias partes do mundo.

Qual o principal desafio de estar à frente de tudo isso?
De um lado, você tem uma oportunidade. Nossa oportunidade é termos um ícone de design único e globalmente reconhecido. O que precisamos fazer é oferecer uma marca. Só que ao mesmo tempo, é o desafio. Porque não somos só os guardiões da marca, mas dos valores da persona. É uma grande responsabilidade fazer jus ao que Karl quer que a marca seja e ao seu legado. Por isso é que é uma grande oportunidade, mas, ao mesmo tempo, um desafio. Exemplo: ele sabe o que estamos fazendo aqui no Brasil essa semana, sabe tudo que está acontecendo, em termos da apresentação e criação, ele está atrás do processo. Por isso, queremos que tudo seja perfeito.

O que faz a Karl Lagerfeld diferente de Chanel e Fendi?
Quando Karl trabalha para a Chanel ou a Fendi, o que ele tem de fazer é basicamente reproduzir o DNA de cada uma delas. Quando trabalha para sua própria marca, não é preciso interpretar. Ele só tem de dar vida ao que está em sua mente, seus valores, seus atributos. É uma situação diferente. Se você se engaja com a Karl Lagerfeld, se você compra uma peça de roupa, você definitivamente sabe que aqui é Karl Lagerfeld. É a marca dele, o DNA dele.

http://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2016/04/queremos-uma...

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ele quer mesmo é o dinheiro dos brasileiros, ele so nao sabe que o desfile da riachuelo foi um vexame, com aquelas araras entrando no final do desfile, ele tambem nao sabe que o ceo da riachuelo é defensor do golpe e que toda a esquerda brasileira esta fazendo boicote a marca nas redes sociais e que é exatamente esta esquerda que gosta de comprar em lojas mais populares, porque a direita corrupta gasta o dinheiro em paris

Sra Francisca. Respeitosamente pergunto: qual a razão de toda esta crítica destrutiva? Segundo seus comentários, a Hering é uma porcaria, a Riachuelo não serve, na SPFW só tem repetição (aliás a forma correta de escrever é "déjà vu"), todos do Sinditêxtil vão quebrar e assim por diante. Será que o mundo está errado e só a senhora está correta? Quando aqui falamos de marcas, produtos e tecnologia têxtil, o que nos importa a tendência política do CEO da Riachuelo, que tem o direito de se posicionar como bem entender? Dentro desta classificação antiquada que alguns ditos "intelectuais" ainda insistem em utilizar, eu seria uma pessoa de direita. Nem por isto gasto meu dinheiro em Paris e faço muitas compras em lojas populares e de departamentos. Isto não impede que eu aprecie alguns itens de grife. Desde sempre admirei processos alternativos como é o caso do algodão colorido da Paraíba, estado que conheço bem e tenho grande predileção. Espero que em breve não seja mais visto como um "processo alternativo" e sim um processo normal e de sucesso. Porém também não podemos deixar de fortalecer e defender o restante da cadeia produtiva têxtil brasileira. O Brasil ainda possui um dos maiores parques fabril têxtil do mundo e e sinceramente espero que as indústrias não quebrem como a senhora está prevendo. Espero que se atualizem e sejam cada dia mais competitivas.

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Sra Francisca. Respeitosamente pergunto: qual a razão de toda esta crítica destrutiva? Segundo seus comentários, a Hering é uma porcaria, a Riachuelo não serve, na SPFW só tem repetição (aliás a forma correta de escrever é "déjà vu"), todos do Sinditêxtil vão quebrar e assim por diante. Será que o mundo está errado e só a senhora está correta? Quando aqui falamos de marcas, produtos e tecnologia têxtil, o que nos importa a tendência política do CEO da Riachuelo, que tem o direito de se posicionar como bem entender? Dentro desta classificação antiquada que alguns ditos "intelectuais" ainda insistem em utilizar, eu seria uma pessoa de direita. Nem por isto gasto meu dinheiro em Paris e faço muitas compras em lojas populares e de departamentos. Isto não impede que eu aprecie alguns itens de grife. Desde sempre admirei processos alternativos como é o caso do algodão colorido da Paraíba, estado que conheço bem e tenho grande predileção. Espero que em breve não seja mais visto como um "processo alternativo" e sim um processo normal e de sucesso. Porém também não podemos deixar de fortalecer e defender o restante da cadeia produtiva têxtil brasileira. O Brasil ainda possui um dos maiores parques fabril têxtil do mundo e e sinceramente espero que as indústrias não quebrem como a senhora está prevendo. Espero que se atualizem e sejam cada dia mais competitivas.



francisca gomes vieira disse:

ele quer mesmo é o dinheiro dos brasileiros, ele so nao sabe que o desfile da riachuelo foi um vexame, com aquelas araras entrando no final do desfile, ele tambem nao sabe que o ceo da riachuelo é defensor do golpe e que toda a esquerda brasileira esta fazendo boicote a marca nas redes sociais e que é exatamente esta esquerda que gosta de comprar em lojas mais populares, porque a direita corrupta gasta o dinheiro em paris

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