Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

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Um trabalho acadêmico realizado em 2002 está se transformando em um produto comercial sustentável e economicamente viável. Trata-se de um corante de algodão feito a partir de restos do processo de produção de óleo de eucalipto. A pesquisa foi iniciada pela engenheira florestal Ticiane Rossi, que na época cursava sua graduação na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). O orientador é o professor José Otávio Brito.

Divulgação Esalq

Divulgação Esalq


O corante natural desenvolvido pela pesquisa pode tingir o tecido com diferentes tonalidades

O estudo de Ticiane buscava obter corantes têxteis a partir da madeira. Depois de formada, ela trabalhou com a extração de corantes de plantas e, em 2008, retomou sua pesquisa com um mestrado na Esalq.

“Atualmente, os corantes naturais vêm ganhando maior interesse da sociedade, fazendo crescer um novo nicho de mercado”, avalia a engenheira florestal. O apelo desses produtos está na sustentabilidade, já que eles costumam ser mais amigáveis para o meio ambiente do que os corantes sintéticos.

No mestrado, foi identificado o potencial para a produção de corantes em um resíduo líquido gerado durante o processamento do eucalipto para a produção de óleo. O Brasil é um dos principais produtores mundiais de óleo de folhas de eucalipto, e esse resíduo não tinha utilidade até então.

Parceria privada

O projeto contou com o apoio da Stenville Têxtil, empresa de beneficiamento têxtil que colaborou para a análise do potencial desse extrato como corante de tecidos de algodão.
Depois de muitas análises e testes, chegou-se ao corante, que pode resultar em várias nuances de cor e tem alta qualidade, segundo a pesquisadora. “Eu não esperava que isso acontecesse. Nunca imaginei. Descobri não só que o corante dava resultado, mas que ele era de ótima qualidade!”, destaca Ticiane.

Os resultados do projeto incentivaram os pesquisadores do grupo capitaneado pelo professor Brito e executivos da Stenville a registrarem o pedido de patente junto à Agência USP de Inovação. Para George Tomic, executivo-chefe da Stenville, a aproximação com a USP agrega valor à sua linha de produtos e atende demandas de mercado. “Nós estamos há dois anos fazendo os testes para chegar nesse produto. Temos um mercado muito promissor”, acredita ele.

O orientador do projeto destaca que o estudo se conduziu na linha do conceito de integração universidade-empresa, que motiva ações empreendedoras, com retorno social. “Essa patente saiu de um tubo de ensaio para a aplicação em âmbito industrial, com oportunidades para a geração de emprego e renda, além de colocar nosso país em destaque no campo da aplicação de recursos naturais”, avalia Brito.

Agora, Ticiane cursa o doutorado no grupo de trabalho de Brito. O novo desafio é encontrar outras fontes de corantes naturais, além do resíduo de óleo de eucalipto.

Fonte:|http://souagro.com.br/residuo-de-oleo-de-eucalipto-vira-corante-de-...

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