Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XV

Em breve as empresas do setor têxtil e de confecção brasileiras devem adotar uma nova tecnologia já aplicada em outros países e que permite a rápida identificação de produtos sem a necessidade da leitura direta do usual chip. Também será possível passar as compras no caixa de uma só vez, sem precisar registrar uma a uma. Com ela, também existirá a possibilidade de ser mais competitivo, uma vez que a novidade poderá trazer redução de custos, aumento da produção, um ágil controle do estoque e de reposição de produtos. Pode até parecer coisa do futuro, mas tudo isso e muito mais já é possível graças à tecnologia RFID (identificação por radiofrequência ou do inglês "Radio Frequency IDentification). 

A aplicação prática da nova tecnologia é simples: o segredo está na etiqueta ou tag RFID, um pequeno objeto (transponder) que pode ser colocado em uma pessoa, animal, equipamento, embalagem ou produto, dentre outros. Ela contém chips de silício e antenas que lhe permite responder aos sinais de ondas de rádio enviados por uma base transmissora. Pode ser usada como alternativa aos códigos de barras, permitindo a identificação do produto a alguma distância do scanner. A tecnologia viabiliza, assim, a comunicação de dados através de transponders que transmitem a informação a partir da passagem por um campo de indução, como o que é usado em pedágio "sem parar", por exemplo.

O Japão e os Estados Unidos são os países que mais usam a tecnologia RFID no segmento de vestuário no mundo, ambos com 23%. Na sequência, vem Alemanha (14%), Itália (7%), China (6%), França (5%), Reino Unido (4%), Espanha, Holanda e Suécia (2%). Os dados são de 2011 e apurados pela empresa ID TechEx. Agora, a identificação por radiofrequência começa a dar tímidos sinais no Brasil. Alguns hospitais, casas noturnas, shopping centers e empresas do setor têxtil e de confecção já adotaram o sistema com o intuito de automatizar e virtualizar suas vendas.

No Brasil, a Vip-Systems Informática e Consultoria é pioneira no desenvolvimento de projetos para o varejo têxtil com a tecnologia e criou a primeira loja inteligente da América Latina. Regiane Romano, CIO da Vip-Systems, é especialista em transmissão por radio frequência e fez parceria com a Billabong (rede de franquias de moda surf), em 2011. A loja modelo da marca, localizada na Grande São Paulo, conta com 15 dos 18 itens tecnológicos oferecidos para melhorar a gestão do negócio. A Billabong etiqueta as peças de roupas na própria loja e oferece experiências de interatividade ao consumidor final, como um espelho que permite experimentar peças virtualmente.

A Memove, marca do Grupo Valdac, também implantou a tecnologia em sua logística. A empresa distribui as etiquetas RFID aos seus fornecedores que as aplicam nas roupas. Assim, a marca pode fazer controle de estoque, como tamanho e cores das peças, por meio das informações das tags, além de ter facilidade na distribuição e reposição.

“Poucas confecções brasileiras usam a rádio frequência, mas esse é um hábito que deve mudar nos próximos anos”, declara Romano, que também é doutora no assunto e acaba de lançar o livro sobre o assunto. “À medida que os empresários tomam conhecimento dos benefícios do RFID, eles se interessam em saber mais a respeito da implementação da tecnologia”, acrescenta. Segundo Regiane Romano, o custo médio de uma tag RFID é de R$ 0,40 e o kit básico de implantação, que inclui um leitor e quatro antenas, gira em torno de US$ 5 mil. Os valores também podem  variar de acordo com o porte e as necessidades de cada empresa. “Temos informação de que grandes empresas de varejo já estudam a tecnologia”,

De acordo com Flávia Ponte Bandeira S. Costa, Marketing e Relações Institucionais da GS1- Associação Brasileira de Automação, o uso do RFID é uma tendência mundial, que aumenta o valor agregado dos produtos. “Temos o exemplo da rede americana Macy’s  que implantou a tecnologia desde seus processos de logística até a experiência para o público final”, cita. “Para a indústria de confecção a tecnologia é importante na reposição de estoque, na logística de expedição de produtos e no inventário, que pode ser feito online. Além disso, a adoção do sistema reduz o custo da operação, pois diminui em 20% o trabalho da equipe de estoque”, destaca. Recentemente a GS1 participou de um workshop sobre a tecnologia RFID, na sede da Abit, em São Paulo.

O grupo Aion Jeans, de Campo Mourão (PR), produz 200 mil peças por mês, sendo que todas já contam com as etiquetas RFID. A empresa adotou a tecnologia há pouco mais de um ano. De lá pra cá ganhou agilidade nos processos de expedição e está mais competitiva. “Nossa produção aumentou, pois com os portais de RFID passamos lotes de até 80 peças de uma vez pelo equipamento para dar entrada ou acusar a saída da mercadoria. Isso faz com que possamos aceitar mais pedido, pois estamos mais ágeis”, comenta Josimar Loch, responsável pela área de estrutura e tecnologia do grupo Aion Jeans. Ele acrescenta que se o lojista também tiver a tecnologia RFID em seu comércio, pode utilizar a mesma etiqueta implantada na fábrica da Aion para fazer seu próprio controle de estoques.

Entre outras vantagens, Loch também ressalta a segurança que a nova tecnologia proporciona. Cada peça com a tag RFID possui um código único no mundo, o que evita transtornos no caso de uma possível troca, por exemplo. “Se um cliente quiser trocar a calça jeans que tiver RFID e  entregar outra peça, podemos identificar que a peça que o consumidor levou para a troca não é a mesma que comprou anteriormente”, enfatiza.

O RFID Research Center, na Universidade de Arkansas (EUA), é referência mundial de tecnologia RFID. 
http://www.abit.org.br/Imprensa.aspx#565|ND|C

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