Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Sem qualidade, setor têxtil do Brasil não consegue competir com a moderna indústria chinesa

O boletim informativo da Interface Engenharia Aduaneira destaca hoje valoroso depoimento do presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Matérias Primas Têxteis (Abitex), Jonatan Schmidt, criticando a falta de uma política de desenvolvimento produtivo no Brasil.

Para ele, a União tem ficado mais rica e com menos obrigações na prestação dos serviços públicos e, para piorar, vem falhando na transparência e na prestação de contas à população.

As indústrias chinesas, ressalta Schmidt, são bastante modernas, contrariando o pensamento daqueles que pensam ser os empreendimentos chineses locais "macabros". O presidente da Abitex é enfático ao apontar que o Brasil não consegue competir com a China por absoluta falta de qualidade.

Confira abaixo artigo do presidente da Abitex na íntegra.

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* por Jonatan Schmidt

O discurso “skafiano” da chamada desindustrialização brasileira, e que era encampado pelo Governo Federal como verdade absoluta, está sendo negado pelo atual titular do MDIC, Ministro FERNANDO PIMENTEL.

Em matéria divulgada pelo VALOR ECONÔMICO ONLINE (30/06/2011, 16:13h), PIMENTEL, considerado um dos Ministros mais próximos da Presidenta DILMA, foi taxativo: Há quem chegue a dizer que estamos correndo risco real de desindustrialização. Não é verdade.

Nesta mesma oportunidade, FERNANDO PIMENTEL disse que “a indústria sofre de perda de qualidade e de competitividade”, informando que o Governo “vai trazer soluções para esse problema ao anunciar o programa de desenvolvimento produtivo, em julho, com incentivos e desonerações, principalmente para empresas inovadoras”.

Enfim, parece que o Governo está descartando o discurso de um “sem-indústria”, como o ilustre Presidente da FIESP já foi chamado pelo jornalista JOSIAS DE SOUZA...

Vindo de um ‘sem-indústria” arruinado, o discurso da desindustrialização, inegavelmente absurdo e desfocado da realidade brasileira, se mostra como uma máscara para ocultar a verdade sobre a indústria brasileira em geral, com inegáveis e honrosas exceções.

Como bem disse o Ministro PIMENTEL, a indústria brasileira perdeu qualidade e, consequentemente, não consegue competir com a industria chinesa.

É lamentável que ainda há quem imagine que as industrias chinesas sejam locais macabros, com maquinários antiquados e sem tecnologia. Estas pessoas estão totalmente desinformadas... Basta ver o trem bala ligando PEQUIM a XANGAI, numa distancia de 1.318km, com velocidade de até 350km/h... Tecnologia totalmente chinesa... E o que dizer da “pequena” ponte com cerca 42km de extensão, fazendo a ligação entre a cidade e os subúrbios de Huangdao, na baía de Jiazhou? Tudo “xing ling” (perdoem-me o uso de uma expressão quase chula...), respeitado e admirado pelo mundo inteiro!

Aliás, quem atua efetivamente na área sabe que a indústria chinesa é moderna e com um nível de qualidade bastante elevado.

A CHINA aderiu à OMC e vem cumprindo todos os compromissos assumidos, inclusive na área dos direitos trabalhistas e dos tributos, assim como na restrição de subsídios marginais aos acordos internacionais.

O BRASIL, ao contrário, não tem uma política de desenvolvimento produtivo. Estamos no meio de uma guerra fiscal cuja origem está na incapacidade do Governo Federal em criar condições para que as Unidades Federativas possam se desenvolver de modo a eliminar, ou pelo menos reduzir, os desníveis verificados entre elas.

Na verdade, a União tem ficado mais rica e com menos obrigações na prestação dos serviços públicos típicos, enquanto os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ficaram mais pobres e com mais gastos.

Não há que se dizer que a carga tributária brasileira seja exacerbada, pois estamos na média internacional. O nosso problema é de GOVERNANÇA DO ESTADO!

O Estado Brasileiro é falho na transparência e na prestação de contas. Não há responsabilidade social e a eqüidade é algo sempre renegado a um plano inferior. Os contribuintes não recebem os serviços públicos, que são seus por direito.

Consequentemente, além de a indústria brasileira ter graves problemas com qualidade, ela é onerada com a irresponsabilidade do Estado em áreas como a infraestrutura logística, com legislação tributária, previdenciária, trabalhista e sindical antiquadas e desfocadas da realidade mundial.

Mas isto não atenua a culpa dos industriais brasileiros! Infelizmente, muitos se locupletaram dos dinheiros fáceis do BNDES e do BNB. Muitos sucatearam as suas indústrias, levando-as à ruína, em favor dos seus bolsos pessoais.

Infelizmente, o nosso parque industrial é ineficiente e insuficiente em vários setores, em que pese sermos respeitados em outros.

Precisamos ter a coragem de admitirmos que precisamos nos modernizar, precisamos nos adaptar à nova ordem econômica mundial, da globalização, do conceito de que o “o mundo é plano”!

No setor têxtil, a importação é essencial, sob pena de desabastecimento da própria indústria local e do comércio como um todo.

A CHINA não deve ser vista como vilã – ela pode ser uma parceira comercial necessária.

Enfim, talvez os nossos problemas internos sejam maiores que os externos e o discurso do Ministro PIMENTEL pode ser sinal de maturidade do Governo Federal.

* Jonatan Schmidt é presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Matérias Primas Têxteis (Abitex)

 

Oo artigo está em http://www.interface.eng.br/dicas-integra.asp?id=623, afinal as visão de Schmidt é interessante, mostra sem preconceito a capacidade da indústria chinesa e convida o mercado para uma fundamental discussão.

 

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Respostas a este tópico

Sá faltava a ABITEX - Associação Brasileira dos Importadores de Matérias Primas Têxteis ir contra a importação.

Façam me rir!!!

É o mesmo que a raposa cuidando do galinheiro!

Ou então já temos a solução definitiva para os problemas do Brasil: É só implantar (SEM EXCEÇÃO) todo o modelo econômico e político semelhante ao que está em vigor na China. Simples assim!

 

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