Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XI

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Setor têxtil estagnado e concorrência com EUA: produtores de algodão buscam Pequim

No distrito de Roda Velha, em São Desidério, cidade de 33 mil habitantes localizada no oeste da Bahia, o produtor de algodão Paulo Massayoshi Mizote tem um sonho: a chegada de uma indústria têxtil na região.

Assim, ele pensa, a Bahia poderia exportar não só o algodão – o que já faz bem, ao enviar fibras de alta qualidade para diversos países, sobretudo da Ásia –, mas também o tecido, ou a própria roupa em si, com marca própria e tudo.

Mas o agricultor de 61 anos sabe que essa é uma etapa do desenvolvimento da cadeia do algodão que para se tornar realidade precisa ao menos resolver alguns problemas atuais dos produtores, como o fornecimento de energia.

“É preciso ter mais energia de qualidade, a que tem oscila muito”, disse o produtor que está no oeste da Bahia há 35 anos e cultiva algodão em uma fazenda de 9,5 mil hectares, com produtividade de 320 arrobas de pluma por hectare.

O problema da falta de energia, contudo, não é de agora: já vem de mais de uma década, quando o oeste baiano teve impulso com a instalação de sistemas potentes de irrigação nas lavouras e a chegada de indústrias de beneficiamento da soja, que, ao lado do algodão, são as potências regionais.

De investimentos no setor, de acordo com a Coelba, concessionária responsável pela distribuição da energia no estado, há a construção de três subestações, previstas para ficarem prontas até 2022 – Rio do Algodão, Rio Grande III e Rio Formoso.

Com as novas subestações, segundo a Coelba, será possível escoar energia para novos clientes e ampliar o atendimento das ligações já existentes.

Na região, os agricultores aguardam ainda a retomada de obras de implantação de uma linha de transmissão de 500 mil volts que ligará Miracema (TO) a Sapeaçu (Recôncavo da Bahia), passando por Barreiras, no oeste.

Iniciada em 2012, a obra foi abandonada em 2015 após a empresa que a executava, a espanhola Abengoa, ter falido, conforme consta no Plano Decenal de Expansão da Energia (PDE), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

O informe mais atualizado do PDE, com projeções para até o ano de 2027, diz que “em razão da ausência dessas obras da Abengoa, a interligação Nordeste – Sudeste/Centro-Oeste [na qual estão incluídas a subestação Barreiras II] não terá sua capacidade expandida até o ano de 2022, data em que se prevê reforço de seis circuitos em 500 mil volts conectando o sul da Bahia ao norte de Minas Gerais”.

Voltando ao sonho da indústria têxtil, o agricultor Paulo Mizote avalia que o mercado interno do Brasil também precisa melhorar, pois “está estagnado há mais de dez anos, com o consumo variando entre 600 a 800 mil toneladas de pluma de algodão”.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o setor tem sido afetado pelo consumo cada vez maior no Brasil das fibras sintéticas, que passaram a concorrer diretamente com as fibras naturais de algodão.

Nesse contexto é que desde outubro de 2016 que a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) desenvolve a campanha “Sou de Algodão”, para incentivar o consumo da fibra natural, hoje mais utilizada pela indústria têxtil para a produção de roupas de cama.

Na análise da Abit, os cotonicultores – cujo produto já é conhecido pela sua alta qualidade, com destaque para o conforto e respirabilidade – precisam buscar novos horizontes para promover usos diversos do algodão, um assunto que tem sido pouco discutido no setor.

Na Bahia, o Governo do Estado aposta na qualidade da fibra baiana para alavancar as vendas do setor e atrair indústrias têxteis. A Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri) informou que “há demanda e apoio governamental para se investir na implantação de parques industriais”.

Esses parques são para manufaturas de fiação, tecelagem e confecção para a fabricação de fios e tecidos de algodão e tecidos mistos (algodão e poliéster), além de biocombustível e ração com o caroço do algodão. Contudo, ainda não foram celebrados acordos para realização de investimentos.

O Governo da Bahia informou que “está atraindo produtores e empresários do agronegócio para investirem na produção do algodão baiano” e que “a meta da Secretaria da Agricultura da Bahia é que o estado se torne o maior produtor de algodão do país”.

Os agricultores no estado são beneficiados com isenção fiscal de 50% do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o valor da comercialização do algodão em pluma, além da fronteira baiana.

O estado incentiva os produtores por meio do Programa de Incentivo à Cultura do Algodão da Bahia (Proalba), que foi prorrogado até o próximo ano e desonera o produtor rural para investir na cotonicultura.

O programa destina também 10% dos recursos desta renúncia fiscal para um fundo privado de pesquisas e inovações tecnológicas que visem aumentar ainda mais a qualidade e a produtividade do produtor. Como exemplo, cita o desenvolvimento da semente que produz uma fibra mais longa e resistente, cobiçada pela indústria.

A Seagri informou que está realizando convênios e parcerias para disseminar as inovações tecnológicas agrícolas modernas dos centros de pesquisa e universidades a toda a cadeira produtiva do algodão.

O secretário de Agricultura Lucas Costa disse que está empenhado pessoalmente em garantir uma maior competitividade da cotonicultura do estado.

“Nas lavouras, um maior aporte tecnológico e melhoramento genético possibilitam a produção de algodões resistentes à chuva, estresse e doenças, oferecendo condições para uma maior quantidade de pluma notadamente superior”, explicou.

Ele informou que foram formalizadas parcerias para que laboratórios que fazem a classificação do algodão e avaliação de suas qualidades físicas utilizem métodos de tecnologia de ponta e equipamentos automatizados de alta precisão.

Dessa forma, “o setor algodoeiro terá na Bahia as melhores e mais precisas informações sobre a qualidade da pluma para fins de comercialização, processamento e exportação em questão de segundos”, frisa o secretário.

Preços baixos e alta concorrência

Além dos problemas estruturais e de consumo interno, o setor do algodão tem de lidar ainda com os preços baixos da fibra e com as exportações para os países asiáticos, onde a concorrência com os Estados Unidos foi intensificada por conta da guerra comercial que se arrasta desde março de 2018 entre o país norte-americano e a China.

No momento, a baixa disponibilidade de algodão em pluma no mercado spot (venda à vista com entrega imediata) e a expectativa de avanço da colheita nas próximas semanas têm levado compradores a adquirirem apenas pequenos lotes para reposições, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (19) pelo Centro de Estudos Avançados e Economia Aplicada (Cepea) da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ligada à Universidade de São Paulo (USP).

Quanto aos preços, entre 11 e 18 de junho, o indicador do algodão em pluma Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, recuou 1,4%, fechando a R$ 2,7852 por libra peso, nesta terça-feira (18), e segundo informações da Secretaria de Agricultura da Bahia, o algodão e em pluma em Barreiras, nesta quarta-feira, estava sendo cotado a R$ 88,37 a arroba.

No cenário internacional, dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgados em 11 de junho indicam que a produção mundial 2018/19 será de 25,88 milhões de toneladas, 4% menor que a anterior.

O consumo está estimado em 26,63 milhões de toneladas, ligeiramente inferior ao da temporada 2017/18 (26,71 milhões de toneladas). Enquanto a comercialização mundial está projetada em 9,8 milhões de toneladas, o estoque global 2018/19 deve ficar em 16,88 milhões, 4,2% abaixo da safra anterior, informa o Cepea.

O mercado internacional é onde o algodão baiano tem ganhado cada vez mais destaque pela qualidade, sobretudo no mercado asiático, onde estão os principais compradores.

Por isso, o próximo objetivo dos cotonicultores da Bahia, onde a safra está em reta final e tem previsão de crescer 17,% em relação a 2018, com 1.461.360 toneladas colhidas (algodão herbáceo), segundo projeção do IBGE, é montar um escritório fixo na China, em parceria com o Governo Federal, e ampliar as vendas na Ásia.

A Bahia é o segundo maior produtor de algodão do Brasil, com a participação de 25% da safra nacional, prevista para 2,8 milhões de toneladas em 2019. Em primeiro vem o estado do Mato Grosso, com 4,3 milhões de toneladas, segundo dados do IBGE, e em terceiro Goiás, onde a safra de 2019 deve ficar em 150.382 toneladas.

Na China, a fibra da Bahia e do Brasil tem ganhado mais mercado, beneficiada pela guerra comercial entre China e os Estados Unidos, que decidiu impor tarifas aos produtos chineses que entram no país americano, devido a uma suposta concorrência desleal dos produtos “made in China”.

E desde a imposição de tarifas pelos americanos, a China tem feito o mesmo. Com isso, os produtores de algodão americanos buscaram outros mercados na Ásia – os EUA são o terceiro maior produtor mundial (4,79 milhões de toneladas) e o Brasil o quarto (2,61 milhões de toneladas) –, acirrando a concorrência.

Os chineses, ao lado dos indianos, estão entre os maiores compradores de algodão no mundo e são os que mais produzem. São 6,21 milhões de toneladas produzidas na Índia e 6,04 milhões de toneladas na China, segundo a Associação Nacional de Exportadores de Algodão (Anea).

Com menos algodão americano na China, os produtores baianos mais que dobraram as exportações, aponta a Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa): entre 2017 a 2018 as exportações saíram de 28.047 toneladas (vendidas por US$ 17,5 milhões) para 66.208 toneladas, comercializadas a US$ 114,3 milhões.

Em 2018, a China foi o principal comprador do algodão baiano. Outros países asiáticos vêm em seguida: Indonésia (26,6 mil toneladas), Vietnã (23 mil toneladas), Bangladesh (19,4 mil toneladas) e Coréia do Sul (10 mil toneladas). Mas, no somatório geral, a guerra comercial entre China e Estados Unidos não foi boa para a Bahia.

Em 2017, o estado exportou 301.843 toneladas (participação de 36% no cenário nacional das vendas internacionais de algodão), e em 2018, com produção de quase 1,2 milhão de toneladas, as exportações baixaram quase à metade: 178.264 toneladas, o que corresponde a 20% na participação das exportações nacionais da fibra.

As principais perdas nas exportações foram no Vietnã (65.599 toneladas a menos), Indonésia (-30.186 toneladas), Turquia (-22.064 toneladas), Malásia (-14.115 toneladas) e Bangladesh (-8.403 toneladas). Destes países, a Turquia, em grave crise econômica, foi o único onde a guerra comercial não teve interferência.

Nos demais, a redução nas vendas foi resultado da busca dos americanos por novos mercados, ou da Austrália (da Oceania), que, embora produza pouco algodão (480 mil toneladas), em comparação com outros países, tem avançado na Ásia, sobretudo por conta da proximidade entre os compradores, o que a faz ficar em vantagem em relação a Brasil e Estados Unidos.

Mas não só isso. De acordo com especialistas do setor, a fibra do algodão australiano é de alta qualidade, “estilo gourmet”, o que a faz competir diretamente com a que é produzida no Brasil e nos Estados Unidos, países que são os que têm mais qualidade na produção mundial de algodão.

O presidente da Abapa Júlio Cézar Busato, em meio a uma plantação de algodão em Roda Velha, distrito de São Desidério, oeste da Bahia (Mário Bittencourt)

O presidente da Abapa Júlio Cézar Busato, em meio a uma plantação de algodão em Roda Velha, distrito de São Desidério, oeste da Bahia (Mário Bittencourt)

Escritório na Ásia

Nesse contexto, o presidente da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa), Júlio Cézar Busato, um gaúcho que planta algodão no Oeste da Bahia há mais de 20 anos, acha mais que urgente a instalação na China de um escritório da Abrapa, associação nacional que representa setor e da qual ele é vice-presidente.

“Esse escritório é sobretudo para que seja feito um trabalho constante de divulgação do nosso algodão – o brasileiro – na China e em outros países asiáticos. Estamos entre os que produzem as melhores fibras, mas não estamos fazendo o que nossos concorrentes fazem muito bem: a propaganda”, disse.

A ideia de implantação do escritório em Pequim foi discutido com o Ministério da Agricultura e das Relações Exteriores há duas semanas, contudo ainda não há nada de concreto com relação à proposta, segundo informações do subsecretário de Política Agrícola do Ministério da Economia, Rogério de Miranda.

O assunto foi discutido mais uma vez no sábado passado (dia 15), durante o 1º Dia do Algodão, realizado na Fazenda Sete Povos, em Roda Velha, distrito de São Desidério, maior produtor de algodão da Bahia. (veja quadro abaixo)

O evento, no qual Miranda estava presente e foi um dos palestrantes, reuniu 1,4 mil agricultores, gerentes e técnicos das fazendas, consultores, pesquisadores, estudantes e profissionais envolvidos na cadeia produtiva do algodão.

“Estamos trabalhando para que a cultura do algodão possa ampliar os mercados. O que temos, por enquanto, é uma visita, daqui a duas semanas, de uma delegação brasileira à Europa para fechar vários acordos comerciais com a União Europeia, e creio que teremos novidades para o setor do algodão”, afirmou Miranda.

Na Europa, conforme dados de 2018 da Abapa, as vendas do algodão baiano têm ocorrido apenas para Portugal (5.001 toneladas) e Itália (816 toneladas). Em 2017, o estado chegou a enviar também para a Bélgica (90 toneladas), mas ano passado não houve negociações.

A Europa, observa Ariel Coelho, diretor da Anea e da CDI do Brasil, empresa que atua no comércio e exportação de commodities, tem comprado mais produtos terminados do setor têxtil, cujos parques industriais estão hoje, em sua grande maioria, na Ásia. “O algodão baiano chega mais à Europa por meio dos produtos manufaturados”, falou.

Para Coelho, seria interessante o oeste da Bahia já pensar em atrair indústrias têxteis, com vistas ao beneficiamento do algodão. No Brasil, 80% das indústrias desse tipo estão concentradas na Região do Polo Têxtil, na região metropolitana da cidade de Campinas (SP).

“Com algum incentivo para indústria têxtil no oeste, seria uma vantagem para a região, pois geraria empregos. Sabemos que nesse momento da economia nacional o investimento está sendo muito difícil pela parte industrial, mas talvez com a melhora da economia isso possa ser retomado”, comentou.

Ariel Coelho analisa que o cenário internacional da economia para o setor do algodão “deve melhorar com qualquer acordo entre EUA e China”, um mercado que “a gente não tinha e conseguiu entrar”. “Vendemos bem a safra de 2018/19 de algodão, mas a 2019/20 ainda está um num patamar um pouco baixo nesse momento”, informou.

Exportações atuais

Os dados da Anea apontam que até maio deste ano o Brasil vendeu para a China (principal comprador) 117.887 toneladas de pluma de algodão, a US$ 202.619.109. Também foram vendidas 88,6 mil toneladas para a Indonésia, 65,3 mil toneladas para Bangladesh, 53,4 mil toneladas para o Vietnã e 49,8 mil toneladas para a Turquia.

A maior parte das exportações brasileiras de algodão, que de janeiro a maio somam 471.975 toneladas, ainda segundo a Anea, saíram pelo porto de Santos (SP), por onde este ano já foram enviados 460.555 toneladas. Do porto de Manaus saíram 6.249 toneladas e do porto de Salvador 5.883 toneladas.

A Anea informou que a exportação do algodão brasileiro atingiu recorde com o embarque de 1,04 milhão de tonelada de pluma entre julho de 2018 e abril de 2019, o que pode levar o país a se tornar o segundo maior exportador de algodão do mundo – o primeiro, atualmente, é os Estados Unidos.

Dados do Ministério da Agricultura apontam que a Bahia exportou até abril deste ano 48,4 mil toneladas de algodão, a US$ 80,6 milhões – no banco de dados do ministério, a classificação está como “algodão não cardado nem penteado”, que inclui vários tipos de algodão, dentre eles a pluma, segundo informações da área técnica do ministério.

Área cultivada com algodão na Bahia tem expansão de 25,5%

 

Segundo dados da Abapa, a área cultivada de algodão no oeste da Bahia, onde está concentrada a produção do estado, teve expansão de 25,5%, alcançando 331.028 mil hectares. Essa, segundo a entidade que reúne cerca de 120 produtores de algodão, é a razão para o crescimento da produção este ano.

As estimativas da associação para o crescimento da produção são de 1,5 milhão de toneladas (caroço e pluma), um pouco mais otimistas que a divulgada pelo IBGE no dia 11 de junho. Cerca de 40% do algodão baiano é exportado para países asiáticos e 60% é comercializado para as indústrias têxtis no Brasil. No oeste do estado, o setor gera cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos.

“Temos uma qualidade da pluma reconhecida pelo mercado. O produtor tem investido em tecnologia, máquinas, insumos, variedades, buscando sempre aumentar a produtividade e reduzir o custo”, afirmou Júlio Cézar Busato, da Abapa.

A Bahia produz um dos mais cobiçados algodões do mundo e tem potencial para crescimento da produção. Com qualidade superior ao que é produzido no restante do país, o algodão baiano tem uma brancura pura e total.

Além da cor, a cotonicultura no estado também se diferencia também pela resistência elevada, acima de 33 gramas de força tex (unidade de medida referência), com micronaire (índice de qualidade do algodão) variando entre 3.5 a 4.2 –, e fibra tipo 41-4 a 21-2, com um longo comprimento, superior a 32,5 milímetros ou 1.1/4 polegadas.

Estas características tornam este algodão o ideal para a obtenção de tecidos finos utilizados na fabricação de roupas. Este padrão de fibra superior gera entre 10% e 20% a mais de remuneração ao produtor.

O clima no oeste é bem definido, com início das chuvas no final de outubro e término no final de abril, além da luminosidade intensa, com precipitação média anual de 1.200 mm bem distribuída ao longo do período das chuvas, que é a época do plantio.

A colheita é programada para o período seco, o que propicia a produção de pluma branca e de boa qualidade, com características desejáveis para a indústria têxtil, como comprimento e densidade da fibra.

Conhecimento

Produtor de algodão e presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), entidade que representa os produtores do oeste o estado, Celestino Zanela, disse que “o algodão tem uma importância fundamental na economia”, e que “hoje a coisa mais importante é conhecimento”.

“Os agricultores da nossa região foram acumulando conhecimento em todas as áreas, e culminou com esse nível tecnológico que nós temos. A cotonicultura tem um papel fundamental tanto na área de empregos, quando econômica, e científica. O algodão consegue puxar todas as outras culturas – soja, milho – justamente por ser uma cultura altamente tecnificada”, ele disse.

Corretor de algodão na região de Luís Eduardo Magalhães, Jonas Nobre disse que o algodão da Bahia, além de ter alta qualidade, “de um branco brilhante”, oferece vantagem na comercialização em relação aos outros estados produtores ser colhido cerca de dois meses antes.

“Isso traz uma vantagem e uma preferência nesse início de safra para os produtores baianos. Entre julho e agosto o fardo já fica pronto para ser embarcado”, comentou Nobre, para quem “o Brasil já conquistou grande parte do mercado e tem que manter os esforços para que os países continuem receptivos ao nosso algodão”.

Dentre os gargalos para o setor crescer mais, está a obtenção de crédito por parte dos bancos, sobretudo públicos, onde os juros são mais baixos que os do mercado, observa o produtor Carlos Alberto Moresco, presidente da Agopa, entidade que representa os cotonicultores de Goiás. “Nada justifica termos altas taxas para produzir”, declarou.

“Os asiáticos querem ter segurança de receber o algodão nos doze meses do ano. Para isso, precisamos também ter financiamentos para melhorar os estoques, além de melhorar a logística do transporte e dos portos. Governo Federal está atendo a isto e sabe que o Brasil precisa dessas melhorias”, disse.

https://blogs.canalrural.uol.com.br/mariobittencourt/2019/06/20/alt...

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Respostas a este tópico

Entendo que somos fortes exportadores de "Raw Cotton", prova de qualidade e preço.
Hoje exportamos 2/3 da colheita e industrializamos 1/3.
As atuais Indústrias 'necessitam imediatamente' aumentar as exportações de Fios. Tecidos, Confeccionados, pois temos know how; falta-nos atualizações 'acadêmicas, máquinas e equipamentos'.
Acredito que 'amanhã', os atuais Empresários Agrícolas tornar-se-ão Industriais.
As Academias, Associações Profissionais e Empresariais, necessitam acordar.

Pedimos encarecidamente a esses esquecidos produtores que aguardem mais alguns anos que o BNDES, finalmente, estará voltado aos interesses nacionais. Obra abandonada desde 2012 e com previsão de término imprevisivel. Previsão de subestações sempre a longo prazo. Tudo o que se espera é para ONTEM. Temos ótima qualidade no produto mas os altos custos de produção inviabilizam qualquer tentativa de concorrência.

Torna-se imperioso melhor preparar os Profissionais Têxteis, invés de 'adaptar' outros profissionais.
Precisamos avaliar as 'novas tecnologias' utilizadas no mundo, modernizando nossas indústrias.
Precisamos melhor preparar tecnicamente os Profissionais das Áreas Comerciais, fazendo com que conheçam nossa Cadeia Têxtil.
Entendo que estes seriam nossos "deveres de casa".



Joao Burim disse:

Pedimos encarecidamente a esses esquecidos produtores que aguardem mais alguns anos que o BNDES, finalmente, estará voltado aos interesses nacionais. Obra abandonada desde 2012 e com previsão de término imprevisivel. Previsão de subestações sempre a longo prazo. Tudo o que se espera é para ONTEM. Temos ótima qualidade no produto mas os altos custos de produção inviabilizam qualquer tentativa de concorrência.

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