Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XIV

Polo têxtil de Americana passa por 'drama' da desindustrialização; em Araraquara, empresa investe na produção

Apesar da exceção, retrato do setor é de demissões e ociosidade; indústria está em final de ciclo, diz economista

Juca varella/Folhapress
Carretéis de fios de poliéster da fiação Polyenka, em Americana (SP), que trabalha com 50%de capacidade ociosa
Carretéis de fios de poliéster da fiação Polyenka, em Americana (SP), que trabalha com 50%de capacidade ociosa

TATIANA FREITAS
LEANDRO MARTINS
ENVIADOS ESPECIAIS A AMERICANA (SP)

No galpão da Têxtil Jomara, à meia-luz, um funcionário opera uma das quatro máquinas em operação. No salão da tradicional tecelagem de Americana (SP), há outros 28 teares cobertos.

No auge das vendas, a empresa tinha 70 funcionários. Desde 2010, reduziu o quadro para 28. Por falta de demanda, cortou o turno da madrugada e reduziu o da tarde.

Entre os altos e baixos que marcam a história da indústria têxtil, José Maria de Araújo Júnior, 71, diz que essa é a pior crise enfrentada pela empresa que fundou há 43 anos.

"Se o quadro não mudar, em três ou quatro anos o setor têxtil vai desaparecer", diz Dilézio Ciamarro, diretor da Ciamarro Têxtil, do mesmo município, que trabalha com 40% da capacidade ociosa.

Esse é o retrato do polo têxtil de Americana, o maior da América Latina, com 1.600 empresas -a maioria pequenas e médias, familiares, que empregam 40 mil pessoas.

No ano passado, foram fechadas 2.100 vagas no polo. Em todo o país, 12 mil postos foram eliminados-o primeiro saldo negativo desde 2005.

As dispensas são reflexo da queda de 15% na produção do setor em 2011.

Empresários afirmam que a valorização cambial, a elevada carga tributária e a concorrência com os produtos asiáticos destruíram a competitividade do setor.

Desde 2008, o aumento das importações afetou, aos poucos, cada elo da cadeia. Primeiro a fiação e a tecelagem e, agora, a confecção, com as compras de vestuário chinês.

Com alta de 423% nas importações em sete anos, o deficit comercial do setor atingiu US$ 4,8 bilhões em 2011.

A preocupação é que a importação de roupas mine, além das confecções, os fornecedores que sobreviveram às crises anteriores.

Para o economista Robson Gonçalves, consultor e professor da FGV, a indústria têxtil brasileira está em "final de ciclo" e deve ser substituída por outras atividades.

"A desindustrialização faz parte do processo de desenvolvimento do país", afirma.

PARTICIPAÇÃO NO PIB

À medida que a renda cresce, o perfil de demanda muda, pois há maior procura por serviços como educação e entretenimento. É natural, portanto, que a participação da indústria no PIB caia, afirma.

"É preciso colocar esforços em outras áreas que demandam mão de obra especializada", diz o economista.

A cadeia têxtil é a segunda maior empregadora do país, com 1,7 milhão de vagas.

Para que a transição não seja traumática, Gonçalves diz que o país deve aproveitar a fase do pleno emprego.

Em Americana, apesar do recente e alto número de demissões, as empresas reclamam da falta de mão de obra.

"Tentamos formar cursos para habilitar jovens a trabalhar no setor, mas não há procura", diz Edson Rodrigues, gerente industrial da Polyenka, fabricante de fios de poliéster que opera com 50% de sua capacidade.

Para Gonçalves, da FGV, a falta de interesse é reflexo da mudança de perfil do país.

O setor contesta. "O que traz riqueza é a indústria. A China se enriquece por se transformar em potência industrial e não em prestadora de serviços", diz Fábio Beretta, presidente do Sinditec, do polo de Americana.

Para Alfredo Bonduki, vice-presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), a renda per capita ainda não é suficiente para o Brasil substituir a indústria por serviços.

Além disso, a desindustrialização pode ameaçar a balança comercial, em caso de queda das commodities, diz.

Fonte:|http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/31918-setor-textil-vive-ex...

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A realidade da previsão desses visionários do apocalipse se dá pelo fato de estarem sentadinhos atrás de uma  mesa e não sentirem na pele o que é ver grandes conglomerados industriais delapidarem-se, transformarem-se em cinzas, pela imobilidade governamental, pela falta de interesse no aprendizado, desde a escola, com a chamada "progressão continuada", como também no aprendizado às profissões. Essa rapaziada, braço forte de trabalho de uma nação, está "doutrinada" a nada fazer, não está acostumada a trabalhar. Sabem tudo com um mouse nas mãos, pilotam com excelência celulares ultra modernos, mas enfadam-se rapidamente de quaisquer tarefas que lhes são designadas. Se economista tivesse a capacidade, e vejam só, FGV, de solucionar tudo, de antever tudo, não estaríamos nessa draga. O que se conclui é que o Sr. Robson não sabe o que é uma indústria, e se trabalhou em uma, não aprendeu nada. Sr. Robson, acorde, o povo não quer trabalhar, só quer mamata, nosso povo, graças a um certo senhor barbudinho, que se vangloria deve ser inculto, que pouco valorizou a cultura, se postou de forma a que as coisas caiam nos seus colos. Plantar pra quê ? É mais fácil comprar nas gôndolas de supermercado, provavelmente produtos importados, chineses provavelmente.  A classe "C" "aumentou" artificialmente e logo vai voltar de onde veio, pois sem trabalho será o que lhes restará. O que vai sobrar para os brasileiros, o Pré-sal ? Só rindo Sr.Robson.....

E ENTÃO SR,PAULO SKAF VAMOS FAZER ALGUMA COISA EM PROL DESTA ABERRAÇÃO OU VAMOS ESPERAR DE BRAÇOS CRUZADOS , ACREDITO QUE TEMOS QUE FAZER UM PANELAÇO IMEDIATAMENTE ,SE NOSSO GOVERNOS

NÃO FIZER FAREMOS NÓS  ,SIM ESTAMOS DISPOSTOS A REENVINDICAR RESPEITO PELA  NOSSA CLASSE BOI NOITE

MARILZA

 

É POR ESSES E MMMMUUUUIIIITTTTOOOOSSS OUTROS MOTIVOS QUE DEVEMOS DAR UM 

"ACORDA BRASÍLIA" VOTANDO NULO NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES.

VIRAM O "FANTÁSTICO" ONTEM??? A "MARACUTAIA" ROLA SOLTA E É EM TODOS OS 

NÍVEIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: MUNICIPAL(OCORRE COM CANETAS ONDE OS

ÓRGÃOS PÚBLICOS PAGAM MAIS CARO POR UMA CANETA "BIC" COMPRANDO MILHÕES 

DELAS DO QUE NÓS COMPRANDO UMA NA MERCEARIA DA ESQUINA), ESTADUAL E

FEDERAL(COM OBRAS SUPERFATURADAS) É O "CUSTO BRASIL" QUE NÃO É DE AGORA,

LEMBRO-ME QUE NA ERA DA DITADURA HAVIA UM MINISTRO DOS TRANSPORTES QUE

JUNTAMENTE COM SEU FILHO, DIRETOR DO DNER, ERA CONHECIDO POR MINISTRO

DEZ POR CENTO(10%) E, PASMEM, DEU INÍCIO A UMA OBRA "FARAÔNICA" QUE NUNCA

DEU CERTO, A TRANSAMAZÔNICA. E AINDA BOTARAM A CULPA NA NATUREZA QUE

NÃO DEIXAVA A OBRA SER CONCLUÍDA, E ROLOU MUITA GRANA LÁ.

VAMOS VOTAR NULO NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES E DAR UM CAGAÇO NO POLITICALHAS

DE BRASÍLIA QUE AÍ ROLA DE CIMA PARA BAIXO.

Em um momento tão difícil como este, nos deparamos com uma reportagem da Folha totalmente superficial e inadequada. Este economista da FGV, Robson Gonçalves, provavelmente jamais colocou os pés uma indústria e faz análises de trás de sua mesa. Se apenas com serviços poderíamos manter o desenvolvimento de um país, como se explica esta crise na Europa? Por que alguns países, ditos desenvolvidos, estão tentando retomar a atividade industrial? Aconselho ao maior número possível de pessoas a escreverem para a Folha, protestando protestando pelo deserviço prestado por esta reportagem, que apesar de retratar parte de nossa atual realidade, foi superficial e incompleta.

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