Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XI

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SPFW se apoia em novos nomes enquanto vê marcas debandarem

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "A moda brasileira quer trocar o oba-oba por negócios. Menos hype, mais dinheiro." Assim a Folha de S.Paulo iniciou reportagem que anunciava uma reorganização na forma de o país lançar suas coleções relevantes. Em janeiro de 2001, o Morumbi Fashion passou a se chamar São Paulo Fashion Week.

Ali, grifes gestadas em pequenos eventos como o Mercado Mundo Mix e a Casa de Criadores se juntaram a medalhões de vendas, como Forum, Ellus e Zoomp.

Quase 20 anos depois, o modelo ruiu e, em sua 47ª edição, a SPFW se resume a mais hype e bem menos dinheiro.

Das 36 marcas que desfilam, apenas três, Bobstore, Lenny Niemeyer e Cavalera, que volta ao evento após quatro anos fora da programação, têm mais de cinco lojas. A maioria, desconhecida, tem um só ponto físico, e algumas, só online, novo hype do varejo.

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Apenas cinco marcas estão desde os primórdios do evento, como Ronaldo Fraga e Reinaldo Lourenço -este último inicia a temporada na noite desta segunda (22) no Farol Santander, no centro.

É que, somado a esse viés de ateliê das grifes, parte do calendário de cinco anos atrás resolveu voltar de vez aos anos 1990 e fazer desfiles proprietários, fora da SPFW, fragmentando a temporada brasileira.

Alexandre Herchcovitch foi ao Centro Cultural São Paulo, em março, apresentar uma coleção para a grife À La Garçonne; a Animale fez um megadesfile no Rio de Janeiro, no início do mês; e o grupo AMC, da Colcci e da Forum, chamou imprensa e compradores para seus desfiles no Rio Grande do Sul, onde está instalado.

Uma das grifes com maior poder de fogo da antiga programação, a carioca Osklen já avisou que focará projetos solo, e a cearense Água de Coco, que seria um dos destaques desta temporada, concentrada em coleções de verão, organiza um desfile para agosto.

Esse cenário de cada um por si é uma jabuticaba. No exterior, o êxodo de grifes é comum, mas sempre entre as semanas de moda do circuito europeu. Marcas pulam entre Londres, Milão e Paris de olho em novos mercados e fashionistas, mas sempre em torno desse eixo, para aquecer a indústria local.

"É um processo. As marcas maiores, todas elas, estão buscando um caminho. Há sempre aquelas que se afastam, é natural", diz o diretor artístico e fundador do evento, Paulo Borges. Nunca tantas, porém.

"Cada um lançar quando quiser? Isso é muito ruim para a moda brasileira, não acontece em nenhum lugar do mundo. Está tudo ficando vago demais. Hoje, tudo é plural, cada um faz o que tem vontade, mas ter alguma regra é preciso", diz Reinaldo Lourenço.

Nesta segunda, ele levará à passarela uma coleção com referências de praia, especialmente a de Miami, nos Estados Unidos, onde pescou as cores do pôr do sol, as linhas art déco das construções às margens da Ocean Drive e o visual despojado dos transeuntes. "Há muita roupa no mundo. Atualmente, precisamos seduzir as pessoas mais com experiência do que com produto." 

Mas não é só excesso de roupas que explica a debandada das marcas ricas.

A estratégia das etiquetas daqui tem objetivos ocultos. O primeiro é controlar a data de lançamento sem o troca-troca de datas do evento. Depois, querem chamar mais clientes e compradores -por isso, as apresentações acontecem em período de convenção para lojista. Por último, controlar a imprensa convidada com o objetivo de não se expor a eventuais críticas negativas.

"Se você se afasta [da SPFW], prejudica todo o mercado. Quando saí, foi porque existia um protecionismo com outras marcas que não me agradava. Havia um sentimento de que não fazíamos falta ali", diz o empresário Alberto Hiar, dono da Cavalera. A grife encerra o evento, no sábado (27).

O estalo para voltar aconteceu depois de ele diminuir quase 30% da marca para se adequar ao mercado, sanar dívidas e querer retomar o lugar que, diz ele, Nike, Puma, Adidas e outras marcas de "streetwear" estão lhe tomando.

"Sempre olhamos para o estilo da rua, para as turmas do skate e da música. Acho que agora temos muito o que mostrar na passarela outra vez", afirma o empresário. Ele diz que incluirá no desfile os músicos Edi Rock e Ice Blue, do grupo de rap Racionais MCs, para criar o que chama de protesto musical.

A música, aliás, circunda os projetos que se desenham no horizonte para os próximos anos nos eventos de moda. 

Assim que foi comprada pela IMM Participações, há cerca de um ano, a São Paulo Fashion Week tinha como meta virar uma espécie de festival -um formato que já foi testado em edições anteriores. A programação paralela, que inclui shows, exposições e palestras, está mantida e deve acontecer uma vez por ano.

Eventos como Dragão Fashion, em Fortaleza, e Minas Trend, em Belo Horizonte, já se antecipam aos novos tempos e incluem performances musicais na programação. Neste mês, Zélia Duncan, Elba Ramalho e Jota Quest fizeram shows no evento mineiro após desfiles como os da Skazi e Raquel de Queiroz.

O projeto da Federação das Indústrias de Minas Gerais, que organiza o Minas Trend, é expandir ainda mais a agenda, conectando roupas e sons, e em breve abrir a agenda para um público pagante.

"Hoje o Minas Trend é o evento que tem mais potencial para se tornar uma referência internacional em negócios de moda", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, Fernando Pimentel.

De graça, mas com a mesma estrutura, o Dragão cearense fará 20 anos nesta edição, em maio, abrindo as portas na praia de Iracema.

Esse é o retrato da fragmentação da moda nacional, fruto da imensidão territorial e de disputas antigas, porém velada, pelo título de maior ou mais autoral semana de desfiles. Mas Paulo Borges não vê ameaça à SPFW.

"O Brasil é um país continental com demandas localizadas. Existem protagonismos diferentes em tempos diferentes. Não envelhecemos, tanto que trazemos nomes novos. O Brasil já nasceu espalhado. Ponto."

https://www.bemparana.com.br/noticia/spfw-se-apoia-em-novos-nomes-e...

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