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Fundação H&M premeia inovações para descarbonizar a moda

Com soluções que vão desde a produção responsável até ao consumo consciente, os premiados deste ano têm em comum o objetivo ambicioso de reduzir a pegada de carbono da indústria têxtil e do vestuário.

[©H&M Foundation]

Na edição de 2025 do Global Change Award, que distingue anualmente inovações que podem transformar a indústria da moda, a Fundação H&M selecionou 10 projetos direcionados para a descarbonização, desde a redução das emissões e de utilização de energia a materiais mais circulares e com menor pegada ambiental.

«Estes vencedores não estão apenas a resolver problemas, estão a repensar os sistemas por detrás deles. As suas ideias refletem o tipo de inovação inicial de que precisamos para desbloquear mudanças sistémicas e lembram-nos que a transformação começa com passos corajosos, muitas vezes incertos», salienta Annie Lindmark, diretora de programa na Fundação H&M.

Nesta edição, dedicada especialmente à descarbonização, a Fundação H&M atribuiu prémios em quatro categorias: produção responsável, consumo consciente, materiais e processos sustentáveis e uma última categoria dedicada a ideias revolucionárias.

E os vencedores são…

No campo da produção responsável, foi selecionado o projeto Decorpet, oriundo da China, que propõe um processo de descoloração de poliéster a baixa temperatura que elimina quase totalmente corantes e impurezas, resultando num PET 99,9% puro. Esta tecnologia permite reciclagem de elevada qualidade a partir de tecidos de composição mista e com uma redução de 30% no consumo energético.

Na mesma categoria, o projeto britânico Thermal Cyclones introduz bombas de calor elétricas que substituem caldeiras a gás e fuelóleo, oferecendo uma alternativa de elevada eficiência energética com potencial de redução superior a 75% nos consumos e emissões.

Também do Reino Unido, a solução Pulpatronics apresenta etiquetas RFID recicláveis, isentas de metais e microchips, impressas em papel com materiais à base de carbono, compatíveis com os sistemas atuais e passíveis de reciclagem até sete vezes, permitindo uma rastreabilidade com menor impacto ambiental.

Na vertente do consumo consciente, destacou-se a plataforma digital Loom, que liga utilizadores a designers para transformar peças de vestuário esquecidas em criações únicas. Uma abordagem digital ao upcycling que fomenta a circularidade, valoriza os excedentes de marcas e dá escala a modelos criativos de reutilização, ao mesmo tempo que apoia designers independentes, justifica a Fundação H&M.

Em relação aos materiais e processos sustentáveis, a CircularFabrics, da Alemanha, desenvolveu a tecnologia Nyloop, que extrai poliamida de elevada qualidade de resíduos têxteis mistos sem necessidade de despolimerização, preservando o desempenho das fibras e dispensando matérias-primas virgens.

A A Blunt Story, da Índia, foi premiada pela sola Uncrude, composta por resíduos agrícolas, materiais de origem vegetal e reciclados, que permite reduzir a dependência de plásticos derivados do petróleo e microplásticos na indústria do calçado.

Já o projeto britânico Brilliant Dyes recorre a cianobactérias para produzir corantes naturais biodegradáveis através de um processo com baixo consumo de energia, com potencial para reduzir para metade a pegada ambiental da tinturaria com índigo.

Do Bangladesh foi galardoado nesta edição do Global Change Award o Decarbonization Lab, que funciona como um centro de I&D e promove a adoção de práticas de tinturaria e acabamento com baixas emissões, aproximando academia, indústria e trabalhadores para facilitar a modernização sustentável das unidades produtivas.

Por sua vez, a sueca Renasens desenvolveu um processo de reciclagem sem água e sem químicos nocivos, que preserva a integridade das fibras em tecidos mistos, posicionando-se como uma alternativa viável entre a reciclagem mecânica e química, sem comprometer a qualidade final, salienta organização dos Global Change Award.

Por último, na categoria de ideias disruptivas, a Fundação H&M destacou o projeto The Revival Circularity Lab, sediado no mercado de Kantamanto, no Gana, pela abordagem comunitária à reutilização de resíduos têxteis. Através de formação, reparação e design colaborativo, este hub criativo transforma vestuário invendável em novos produtos, prolongando o ciclo de vida têxtil e promovendo meios de subsistência locais.

Cada vencedor do Global Change Award vai receber uma bolsa de 200.000 euros e integrar o programa de um ano GCA Changemaker Programme, promovido pela Fundação H&M em parceria com a Accenture e o Instituto Real de Tecnologia KTH. O programa oferece mentoria, ferramentas de pensamento sistémico e desenvolvimento de liderança para aproximar estas ideias inovadoras do impacto real.

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