Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Empresários com trânsito no PT acham que a escolha do próximo Ministro da Fazenda tem uma dinâmica singular.Dilma Rousseff

Para eles, ao fazer circular nomes como o de Luiz Carlos Trabuco e Henrique Meirelles — excepcionais na perspectiva dos investidores mas com baixa probabilidade de aceitarem o convite — o Governo ganha pontos por mostrar boa vontade com o mercado financeiro.

Mas depois da narrativa deste candidato ‘dos sonhos’, o nomeado deve acabar sendo alguém com um perfil mais burocrático.

Hoje, estas pessoas apostam em Nelson Barbosa, o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda e que mantém bom relacionamento com Dilma e Lula.

Neste momento, o perfil do sucessor de Guido Mantega tem o seguinte checklist:

 

( ) alguém afinado com a política econômica atual mas com um olhar crítico;

( ) que faça uma transição sem ‘massacrar’ Mantega;

( ) que tenha uma química boa com Dilma;

( ) que agrade a Lula;

( ) que agrade ao mercado.

 

Barbosa preenche todos os requisitos acima. É uma figura ‘neopalocciana’: um sujeito afável, razoável, com bom trânsito junto ao mercado. Outra credencial importante: Barbosa saiu da Fazenda por discordar da contabilidade criativa patrocinada pelo Secretário do Tesouro, Arno Augustin. A questão fiscal hoje é o cerne da desconfiança do mercado em relação ao Governo Dilma.

Henrique MeirellesMas o pulo do gato na nomeação seria o nome do No. 2 na Fazenda: alguém com experiência em Wall Street.

A secretaria executiva da Fazenda é uma das cadeiras mais poderosas na hierarquia do Governo. Seu ocupante interage muito com empresários e com o mercado financeiro.

A escolha de um executivo com este perfil de mercado para o cargo No. 2 (e não para o No. 1) evitaria a impressão de que Dilma ‘se curvou’ ao mercado, e ainda assim reforçaria a mensagem construtiva junto aos investidores.

O atual secretário executivo, Paulo Caffarelli, muito provavelmente deve ser deslocado para o comando do Banco do Brasil, cujo atual presidente, Aldemir Bendine, perdeu apoio político.

Voltando ao ‘dream team’ do mercado… no Bradesco acredita-se que a chance de Luiz Carlos Trabuco aceitar um eventual convite é mínima.

O motivo: Lázaro de Mello Brandão, presidente do conselho do banco, deve se aposentar nos próximos anos, e já teria escolhido Trabuco como seu sucessor.

Só quem conhece a cultura do Bradesco sabe o que significa ocupar o lugar do “seu Brandão,” ele próprio o sucessor de Amador Aguiar, o lendário fundador do banco.

Boa parte do PIB defenderia a tese de que o cargo é tão importante quanto o Ministério da Fazenda — e sem as mazelas da exposição pública diária.Luiz Carlos Trabuco

Para o mercado, Trabuco seria um dos nomes mais completos: tem experiência prática de como o País funciona, uma visão racional de economia, é independente e cultiva excelentes relações no mundo corporativo e político.

Mas não deve ser desta vez.

Barbosa também traria credibilidade e boa vontade. Se sua nomeção se confirmar, a única dúvida será o seu grau de autonomia em relação a quem, até hoje, sempre foi a Ministra da Fazenda de fato. Mas isso, provavelmente, o Brasil só vai saber com o tempo.

“Não basta só trocar o ministro,” diz um economista crítico em relação à política econômica atual. “O tamanho do desafio é tão grande que tem que ser uma decisão dela de trocar o seu círculo íntimo. É a equipe toda.”

Por Geraldo Samor

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