Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XVI

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Fonte:|ogerente.com.br|

Armando Terribili Filho


Como docente, tenho notado que os temas Assédio Moral e Assédio Sexual não se fazem presentes em boa parte dos livros de Administração que são utilizados em cursos de graduação. Neles, o lugar comum é falar de liderança, motivação, inovação, competitividade, qualidade, estratégia, geração de profissionais e outros que permeiam o ambiente das organizações na atualidade. Todavia, quando se pensa em temas mais polêmicos como: assédio moral, assédio sexual, suborno, corrupção, favorecimentos e benefícios pessoais, as páginas dos livros se escasseiam, tornam-se raras; afinal, deve-se estudar o mundo perfeito das organizações!

Isto é um equívoco, pois no futuro, o administrador público ou privado se deparará com estas questões polêmicas. Felizmente, nos cursos de pós-graduação estes temas são abordados com profundidade, são debatidos e pesquisados, com geração de monografias de alta qualidade.

Quando abordo os temas Assédio Moral e Assédio Sexual em cursos de graduação, percebo que muitos alunos não sabem seus significados. Uma das melhores abordagens destes temas é da Profa. Maria Ester de Freitas da FGV-SP, no brilhante artigo “Assédio moral e assédio sexual: faces do poder perverso nas organizações”. Nele, a professora esclarece que, normalmente, o assédio sexual acontece entre um superior e um subordinado, ou seja, não se trata de relações entre iguais, entre pares, nas quais a negativa pode ocorrer sem maiores consequências para quem está fazendo a recusa. A sedução, ou “cantada”, é algo pessoal, uma tentativa sedutora de conseguir um envolvimento amoroso e sexual, enquanto que o assédio sexual é uma questão organizacional, pois necessita da estrutura de poder para sustentar-se e ameaçar o outro.

Por outro lado, o Assédio Moral é o esforço repetitivo em desqualificar uma pessoa no ambiente de trabalho, afetando sua autoestima, e consequentemente sua produtividade, tendo pouca ou nenhuma associação ao assédio sexual. A melhor definição que encontrei para o Assédio Moral consta da Folha Bancária (7-8/12/2010), que transcrevo literalmente: “É a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. Apresenta-se mais especificamente nas relações entre chefes e seus subordinados em que predominam condutas desumanas e sem nenhuma ética. A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade, relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental, que podem evoluir para a incapacidade para o trabalho, desemprego ou mesmo a morte”.

Em outro artigo, intitulado “Quem paga a conta do assédio moral no trabalho?”, a Profa. Maria Ester de Freitas mostra que todos perdem: o assediado, a organização e a sociedade. O “assediado” pela desordem psíquica que lhe é causada, ocasionando desequilíbrios em sua vida social, profissional, familiar e afetiva, que podem culminar com sentimento de nulidade e apatia, tendo como efeitos colaterais, em casos mais extremos, o alcoolismo e o consumo de drogas. A “organização” também é prejudicada, pois há afastamentos do trabalho, elevação do absenteísmo e turn-over, o moral do grupo é afetado e o clima de trabalho se deteriora. Além disto, a imagem da organização (interna e externa) pode ser afetada. Finalmente, a “sociedade” também é prejudicada, pois há afastamentos, acidentes de trabalho e benefícios previdenciários, como licenças, tratamentos psicológicos prolongados, despesas médicas e medicamentos. Ademais, além dos custos de processos judiciais, há também a perda dos investimentos efetuados em educação e na qualificação profissional do indivíduo.

A pergunta que se faz é se o Assédio Sexual e Assédio Moral podem estar presentes em projetos. A resposta é completamente afirmativa, pois nas relações entre gerente de projeto e integrantes há uma relação de poder, mesmo que possa ser considerada efêmera. Assim, tanto o assédio sexual como o moral podem estar presentes.

Estas questões, como já discutidas, trazem incondicionalmente inexoráveis prejuízos não somente aos profissionais assediados, mas também às organizações e à sociedade como um todo. É algo perverso, cruel e destruidor, de elevado custo moral, institucional e financeiro para todos.

Neste contexto, surgem portanto, dois novos desafios para nossa reflexão. O primeiro é de cunho educativo, sob responsabilidade das instituições de ensino e das organizações públicas e privadas, que em suas estratégias de formação profissional devem orientar as pessoas para a importância do respeito e da dignidade humana em qualquer relação social. Orientar, acerca dos possíveis danos causados à pessoa e à família – falar da crueldade e da baixeza de ações de assédio, que beiram o primitivismo, o animalesco, o homem das cavernas. O segundo desafio é do nosso Judiciário, que terá como missão distinguir a diferença entre as reais, nocivas e desumanas questões de assédios, das eventuais situações oportunísticas alegadas por alguns aventureiros que pretenderão “levar vantagem” (Lei de Gerson), a fim de obter algum benefício financeiro pessoal.

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