Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XII

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Fonte:|valoronline.com.br|
França, maior destino turístico do mundo,teve uma contribuição importante no desenvolvimento do item fundamental em qualquer viagem: a mala. Uma exposição, em cartaz até 27 de fevereiro no Museu Carnavalet, em Paris, conta a história e as criações da grife francesa Louis Vuitton, que iniciou suas atividades há 156 anos criando baús para carregar de maneira protegida os mais variados e até mesmo inusitados pertences, o que já chegou a incluir até mesmo pôneis de um circo. A mostra "Viagem na Capital - Louis Vuitton e Paris" reúne 230 objetos, a maioria malas e baús que pertencem ao patrimônio da grife e também a colecionadores particulares, além de quadros, fotos antigas, desenhos e maquetes dos acervos do Carnavalet, da Biblioteca Nacional da França e do Museu das Artes Decorativas, que traçam um paralelo entre a marca e as evoluções urbanas e culturais em Paris a partir do século XIX.

"A Louis Vuitton participou da formação da identidade parisiense. Foi a emergência de setores como o luxo e a moda que fizeram a reputação internacional da cidade", diz ao Valor Rose-Marie Mousseaux, curadora do Museu Carnavalet.

A primeira loja da Louis Vuitton, aberta em 1854 no bairro da Ópera, coincide com o momento em que Paris, sob a iniciativa do barão Haussmann, inicia grandes obras para renovar e modernizar seu centro
urbano. O famoso teatro da Ópera, cartão-postal da capital, só começaria a ser construído oito anos depois de Vuitton já ter se instalado no coração dessa área que ganhou belos prédios e passou a atrair aaristocracia e a burguesia da época, que, aliás, eram também as pessoas que faziam turismo internacional naquele período.

Divulgação

O fundador da empresa, originário do leste da França, começou a trabalhar em Paris com apenas 12 anos, em 1837, como "embalador", profissão que consistia em arrumar as roupas (volumosas, no caso das
mulheres) e os acessórios de toalete de ricos clientes que partiam em viagens. Após se tornar o principal "embalador" da imperatriz Eugênia, mulher de Napoleão III, Vuitton decidiu, em 1854, abrir o próprio negócio.

A Louis Vuitton participava regularmente das exposições universais de Paris, destinadas a destacar os avanços técnicos e os novos produtos da sociedade. Na realizada em 1889, pela inauguração da Torre Eiffel, a empresa ganhou a medalha de ouro em sua categoria.

A mostra no Museu Carnavalet, também conhecido como museu da história de Paris, revela ainda como a empresa familiar, na época, foi adaptando suas malas ao desenvolvimento dos meios de transporte, ligados aos progressos da revolução industrial. Locomotivas a vapor, navios que faziam cruzeiros transatlânticos, automóveis e depois aviões: as maneiras de viajar começaram a se diversificar a partir de 1850 e levaram a grife a buscar soluções para os novos turistas ou mesmo expedicionários, como a "mala-cama", criada em 1868 para o explorador Pierre Savorgnan de Brazza, antes de uma viagem ao Congo, que pode ser vista na exposição.

Depois da abertura de sua primeira loja, Louis Vuitton ganhou rapidamente destaque em suas atividades ao inventar malas com tampos planos, que podiam ser empilhadas nos compartimentos de bagagens dos
trens, e com uma estrutura mais leve do que a dos baús arqueados de madeira maciça. Ele também criou um tecido emborrachado e impermeável para revestir a parte externa das malas, mais resistente do que o couro.
Já naquela época começaram as cópias e a marca teve de mudar várias vezes o estilo dessa tela para driblar os imitadores até criar o famoso monograma com as iniciais e desenhos de flores, até hoje um dos mais falsificados no mundo do luxo.

Vuitton também passou a propor aos clientes dos transatlânticos baús com uma série de compartimentos (espaço para chapéus, gavetas, cabideiros) facilmente acessíveis e que não ocupavam muito espaço.

O cenário da exposição parisiense começa justamente com uma mala. O visitante passa por ela para entrar na mostra, que se inicia em uma sala que retraça a cronologia da Louis Vuitton Malletier e a biografia das
personalidades da família até a terceira geração.

"Viagem na Capital" apresenta ainda, na segunda parte, as chamadas "encomendas especiais", malas e baús sob medida, para conteúdos muito específicos, que começaram a ser realizados a partir de 1869 para
personalidades e clientes abastados.

Entre as numerosas "encomendas especiais" expostas estão a mala-escrivaninha do regente Leopold Stokowski, a mala com xícaras de chá do marajá de Baroda e criações recentes, como a mala para carregar
até 20 iPods, com alto-falantes e outros acessórios, do estilista da grife Chanel, Karl Lagerfeld, ou ainda o estranho baú com numerosas gavetas para guardar a coleção de instrumentos cirúrgicos do artista plástico britânico Damien Hirst.

A Louis Vuitton deixou de ser uma empresa familiar e pertence, desde o fim dos anos 1980, ao grupo comandado por Bernard Arnault, líder mundial do luxo. Mas o departamento das famosas malas sob medida é comandado por Patrick Louis Vuitton, membro da quinta geração.

A exposição acabou, no entanto, criando uma polêmica nos jornais franceses. O secretário de Cultura de Paris, Christophe Girard, adjunto do prefeito, é diretor de estratégias do grupo LVMH, o que provocou críticas sobre um possível conflito de interesses.

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