Industria Textil e do Vestuário - Textile Industry - Ano XI

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C2C assume lado luxuoso e incentiva a criação de brechós

DivulgaçãoPatricia Sardenberg: procura por artigos de luxo em bazares estimulou a criação do e-commerce para todo o país

A criação de empresas nascidas de iniciativas informais de compra e venda na internet deu origem a gigantes on-line e a um enorme número de empreendedores, que avançam na formalidade com o crescimento das vendas. Mais recentemente, os negócios entre consumidores, o C2C, assumiu seu lado luxuoso e contribuiu para o florescimento de brechós on-line mais bem estruturados do que a geração anterior de páginas individuais oferecendo peças fora de uso.

O Mercado Livre é um exemplo desta trajetória. Nascido como plataforma de leilão C2C em 1999, para venda de produtos usados entre pessoas físicas, foi acrescentando funcionalidades ao longo do tempo para atender o crescimento e a estruturação dos vendedores. Em 2004 surgiu a solução de pagamentos Mercado Pago, com o objetivo de acomodar as vendas com pagamento imediato, aberta também para outras empresas em 2010.

Outro avanço ocorrido no Mercado Livre nesse período foi a criação da plataforma de e-commerce Mercado Shops, gratuita, turbinada com funcionalidades como carrinho de compras, lançada em 2010 em parceria com o Sebrae, voltado para vendedores empenhados em desenvolver uma loja virtual. Mais tarde surgiu também a publicidade, com venda de links patrocinados dentro da plataforma.

Outra inovação foi a integração com os Correios, Mercado Envios. "Atualmente o leilão representou só 3% do negócio e os produtos usados, 20%, graças à evolução para um ecossistema completo cuja função é promover o empreendedorismo digital", resume o diretor Leandro Soares.

Mesmo com todas essas mudanças, as pessoas físicas ainda compõem a maior parte dos 7 milhões de vendedores que já fizeram pelo menos uma venda por meio dessa plataforma em toda a América Latina. Destes, 155 mil são profissionais que ocupam o topo da pirâmide.

O empreendedor Jayme Antonio Fantini, dono da loja on-line Giga Virtua, é um dos que surgiram na plataforma. Funcionário da revenda Chevrolet Cotac, de Mogi das Cruzes (SP), era responsável pela atualização dos preços de veículos na internet e chegou ao Mercado Livre quando trocou seu próprio carro em contato com um vendedor do site.

Tomou gosto pela experiência e passou a vender, como pessoa física, periféricos de telefonia como capinhas para celular e carregadores. "Percebi que o retorno era imediato e um ano depois larguei o trabalho para me dedicar ao negócio", conta Jayme.

Mercado Livre é exemplo de operação que foi acrescentando funcionalidades ao longo do tempo

Depois de investir o valor recebido de rescisão na compra de produtos de fornecedores no exterior e incluir no cardápio produtos como aparelhos móveis, o negócio começou a deslanchar. Sete anos depois, a empresa soma hoje mais de 47,7 mil vendas realizadas, conta com dois funcionários e qualificação Platinum, outorgada somente os que revelam melhores vendedores do portal - 99% de seus compradores o recomendam. "Vivo disso, tiro salário e dou emprego", comemora o microempresário.

Em outra ponta, o segmento C2C está vendo a profissionalização na venda de usados, principalmente vestuário. Uma das iniciativas mais recentes nesta área é o portal Etiqueta Única, de Patricia Sardenberg, nora da ex-diretora da Chanel no Brasil, Cicila Street. A ideia surgiu em decorrência do sucesso de eventos físicos, bazares realizados nos últimos quatro anos cuja procura estimulou a criação do e-commerce para atender o país todo.

"O objetivo era ser referência em autenticação de artigos de luxo e intermediação entre vendedores e compradores", explica Patricia, ex-funcionária da Daslu. O site entrou no ar em agosto do ano passado e já arrebanhou mais de 300 expositoras, além de um mailing com cerca de 12 mil compradores. Todos os produtos são pré-avaliados por foto e, caso o vendedor aceite a sugestão de valor, a peça então é encaminhada para o escritório em São Paulo para avaliação, autenticação, higienização e foto para ser publicada. Atualmente são contabilizadas 1,4 mil peças no ar de marcas como Louis Vuitton, Chanel e Dolce Gabbana, com cerca de 1 mil vendas realizadas, no valor de R$ 1,2 milhão. O carro chefe são as bolsas, responsáveis por 40% das vendas.

O La Luna Mia nasceu em 2012 por iniciativa de mães de crianças pequenas que viam amontoar roupas e mais roupas à medida que os filhos cresciam. A primeira ação foi uma loja online, com estoque guardado na casa de uma das sócias, composto por peças de crianças e adultos. Logo em seguida surgiu a loja física, no Shopping Millenium, na Barra da Tijuca, para aproveitar o impulso publicitário com a entrada da atriz Danielle Winits na empreitada ao lado das sócias Renata Ciraudo e Fabiana Misse.

O site permite vendas nacionais e uma parte da renda é direcionada para o Instituto Nacional do Câncer (Inca), que recebe o valor da venda de todas as peças doadas e é alvo de campanhas como um bazar que, em maio, arrecadou R$ 210 mil com a participação de marcas como Le Lis Blanc e Oskley.

"Tentamos transformar a empresa em uma associação sem fins lucrativos, mas desistimos e ajudamos mesmo pagando impostos", diz Renata, ex-diretora de informática do mercado hospitalar. Fabiana é sócia também da produtora de vídeo NK, que assina programas como Santa Ajuda e Mil Lugares para Ir Antes dos 30. Atualmente, o La Luna Mia vende perto de 500 peças por mês.


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